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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

25.11.20

Palavras de avó


imsilva

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" Ó avó, conta uma história...
As avós foram feitas para contar histórias. Ninguém sabe contar histórias como as avós. As avós sabem que não podem abrir só o livro e por isso abrem também o coração. As avós nunca têm pressa. Sabem que as coisas feitas à pressa para ganhar tempo são aquelas que o tempo apaga mais depressa. Por isso, as avós demoram as palavras. Demoram as palavras para demorar o amor. Só o amor que leva tempo resiste ao tempo. Assim, quando a história acabar, as avós ficam. A sua voz doce permanece. Era uma vez uma princesa no meio de um laranjal. Conta outra vez essa, avó. E a avó volta ao início dos tempos e há cheiro de laranja no ar."

lado.a.lado.
Elizabete Bárbara

24.11.20

As palavras de Simone de Beauvoir


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Que nada nos limite,
que nada nos defina,
que nada nos sujeite.
Que a liberdade seja nossa
própria substância,
já que viver é ser livre.

Porque alguém disse e eu
concordo que o tempo cura,
que a mágoa passa,
que decepção não mata.
E que a vida sempre,
sempre continua.

Simone de Beauvoir
il. Anne Julie Aubry

 

Biblioteca Municipal de Beja  -  José Saramago 

23.11.20

As palavras de António Lobo Antunes


imsilva

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Devo estar a ficar velho: …Comecei a gostar de sopa de Nabiças. A apetecer-me voltar mais cedo para casa. A observar, no espelho matinal, desabamentos, rugas imprevistas, a boca entre parêntesis cada vez mais fundos. A ver os meus retratos de criança como se fosse um estranho…

Quando der por mim, encontro o meu sorriso na mesinha de cabeceira, a troçar-me, num copo de água, com 32 dentes de plástico…

Devo estar a ficar velho. E no entanto, sem que me dê conta, ainda me acontece apalpar a algibeira à procura da fisga… Ainda tenho vontade de escrever o meu nome depois de embaciar o vidro com o hálito.

Pensando bem (e digo isto ao espelho), não sou um senhor de idade que conservou o coração de menino. Sou um menino cujo envelope se gastou.

"A Velhice", António Lobo Antunes

Imagem: "Mann mit spiegel (Man with looking glass), 1937, de Karl Hofer (1878-1955)

 

Esta semana,  faltam-me as palavras. Vou-me dedicar às dos outros.                      Desfrutem-nas.

 

22.11.20

Uma estrelinha nasceu


imsilva

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Minha menina mulher de sorriso doce

de gargalhada limpa e sincera

o que te posso dizer?

que és um grande e magnifico ser humano

que tudo isto vai passar a fazer parte da tua história de vida

que vai passar a ser uma agridoce recordação

mas, não agora, eu sei...

agora, é o pior momento da tua vida

mas, eu sei que ainda vais ser muito feliz

só que...não agora

agora, olhamos para o céu

e vemos uma nova estrelinha

a mais linda e brilhante do universo

 

Para ti, minha linda sobrinha emprestada, um beijinho do tamanho do teu coração, outro da côr da esperança, e mais um só porque sim, todos cheios de amor.

20.11.20

Aventura a duas mãos 59/7


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Rodrigo, Sónia, as chaves e um tesouro 

Era uma vez 2 amigos que a caminho da escola (onde aprendiam sempre muitas coisas), encontraram uma chave dourada e prateada.

Ficaram muito espantados, porque na chave estava um recado que dizia "Para abrir um tesouro", e atrás tinha uma pista, "Encontra a árvore mais alta do jardim"

Olharam um para o outro e o Rodrigo teve uma ideia - Vamos à procura da árvore - A Sónia disse logo que sim, mas só podia ser quando saíssem das aulas.

Às 15,30, quando saíram da escola, foram a correr para o jardim que ficava atrás da casa do Rodrigo.

Olhando para cima, procuraram a àrvore mais alta. Quando a encontraram a Sónia descobriu outra pista num ramo baixinho da àrvore.

O Rodrigo leu a pista que dizia " Encontra a pedra em forma de urso ao pé do lago"

Correram para o lago e procuraram a pedra. Foi fácil encontrá-la, porque parecia mesmo um urso.

 E lá descobriram um papel com uma nova pista que dizia, " Atrás desta pedra, existe uma gruta escondida. Lá dentro está o tesouro, mas tenham atenção porque tem 3 fechaduras e a gruta tem muitas chaves lá dentro. Têm que descobrir quais serão as outras duas chaves que abrirão o tesouro"

E então eles foram procurar, deram a volta à pedra e viram a entrada da gruta onde entraram de seguida e encontraram uma caixa linda com desenhos de àrvores. Depois o Rodrigo encontrou as chaves que lá estavam, que serviriam nas fechaduras da caixa do tesouro.

Depois de muitas tentativas, lá conseguiram as 2 chaves que abriam a caixa, e com a que tinham encontrado a caminho da escola, abriram o tesouro.

E o que é que acham que estava dentro da caixa do tesouro?

Moedas douradas de chocolate!!!

Nham, nham...

 

 

Convidei o meu neto (7 anos) para criar uma história comigo, disse imediatamente que sim. E nasceu esta aventura. As ideias saíam en catadupa, de tal forma, que tive que lhe dizer " tem calma, deixa-me arrumar esta ideia que já segues"  A ilustração também é de sua autoria. 

18.11.20

O que vês?


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Nao sei de quem é esta fotografia, sei que não é minha, mas tenho pena.

Para mim é uma foto mágica. Prova que tudo pode ser visto de vários ângulos. Que as perspectivas podem dar outras visões das coisas, que nem todos vemos o mesmo, que não devemos ser tão rígidos com as opiniões dadas.

Eu vejo uma árvore de algodão que gostaria de ter no meu quintal.

Que frutos daria?

17.11.20

As palavras de Saramago


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"Do chão sabemos que se levantam as searas e as árvores, levantam-se os animais que correm os campos ou voam por cima deles, levantam-se os homens e as suas esperanças. Também do chão pode levantar-se um livro, como uma espiga de trigo ou uma flor brava."

 

José Saramago em Levantado do Chão 

Ilustração, Lee White

Biblioteca  Municipal de Beja - José Saramago 

13.11.20

Desafio passa-palavra #8 Amor


imsilva

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Amor é...

Ele levanta-se devagar e com cuidado, avança pelo corredor até à cozinha.

Ela está a mexer na panela que está ao lume com uma colher de pau. O cabelo é ralo e muito branco, as costas estão dobradas, certamente com o peso de uma vida com muitos anos.

Ele com o cabelo tão branco como o dela, e com as pernas que nem sempre obedecem às suas ordens, aproxima-se e põe-lhe carinhosamente a mão na cintura.

Ela volta-se com um carinhoso sorriso e diz-lhe que a sopa está quase pronta.

Dez minutos depois, estão os dois sentados à pequena mesa da cozinha, a degustar a sopa que ela fez com tanto amor e dedicação. A sopa que ela sabe que ele gosta, com a hortaliça que ele prefere.

Mais tarde irão sentar-se no sofá, quase tão velhinho como eles, da sua confortável sala a ver a sua novela da noite. Sentados muito juntinhos com a manta por cima das suas pernas, de mão dada.

Depois irão deitar-se, desejarão boa noite um ao outro, e interiormente cada um desejará adormecer o sono final, assim que o outro o fizer.

 

 

Foi com muito amor pela escrita que participei neste desafio da Mula e da Mel. Chegou ao fim, qualquer dia aparecerá outro.

Obrigada meninas e parabéns.

 

 

12.11.20

As palavras de Alice Vieira


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AS ROMÃS DE NOVEMBRO

abriste a porta e disseste que
toda a casa cheirava a alfazema
enquanto largavas sobre a mesa
as romãs de novembro
e olhaste para as paredes da sala como se
por entre as estantes carregadas de livros
rompessem estevas urzes lilazes
abriste depois a porta do armário
procurando para as romãs um
prato do serviço de vista alegre que
querias sempre à tua espera mesmo que
o jantar se esquecesse no forno
alfazema repetiste
a palavra saboreada com o ar
de quem tinha deixado
o passado inteiro no elevador
e finalmente
encontrado o caminho de damasco
(.....)
*

ALICE VIEIRA, in OLHA-ME COMO QUEM CHOVE-Poesia (D. Quixote, 2018)