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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

14.05.21

30 minutos de espera...


imsilva

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O que podem fazer 30 minutos de espera.

Já lá tinha estado quando os meus pais foram vacinados, mas desta vez, sozinha, tive tempo de ver, e vi um pavilhão desportivo com uma parede repleta de cabines de vacinação e cadeiras espalhadas pelo resto do espaço, com a devida distância de segurança e pensei; que raio de coisa esta!

Estamos a assistir a uma vacinação em massa a nível mundial (ok. eu sei que não é bem assim, mas isso são contas de outro rosário) como nunca foi feita.

O que é isto? Em pleno século XXI, estamos a ser completamente comandados (bem ou mal) por um pequeno vírus ( e por entidades) que nos dão volta à vida, que nos proíbe de fazer-mos aquilo que queremos, que nos retira os afectos, e que nos obriga a usar uma máscara que nos tapa a expressão, o sorriso e a alface que ficou nos dentes.

Depois de levar a minha dose, sentei-me numa das cadeiras espalhadas pelo espaço e olhei à minha volta. Vi pessoas a olhar par os seus pequenos ecrãs de telemóvel, um a olhar para o tecto e outra a ler um livro. Também levei um, mas não chegou a sair da mala, o que tinha à minha volta era mais interessante. Atraída pelo movimento do senta-levanta, dediquei-me à observação de pessoas, de seres humanos que como cordeiros, seguiam instruções e levavam com a substância que dizem que pode travar esta pandemia.

Foi aí que pensei e ponderei no inusitado da situação e o que podem fazer 30 minutos de espera.

13.05.21

Quem conta um conto, acrescenta um ponto...


imsilva

Dando continuidade ao desafio da  Ana de Deus  e respondendo ao convite da Luísa de Sousa , aqui deixo a minha participação.

 

 

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Bom, não tendo outro remédio, sexta-feira às 13,40 fecho o estaminé, apesar de ter pessoas (como as odeio) a quererem beber um café à força (vão beber pra casa), meto-me no carro em direcção ao Pavilhão onde parece que todos levam a vacina. Bem, se aquilo me doer, vão me ouvir bem, rais'parta, que eu não estou para isso. Depois de apanhar com um pacóvio que não sabia conduzir a mais de 30 à hora, e a quem tive de dar umas boas buzinadelas, chego e estaciono o carro.

À entrada do Parque desportivo, estava uma carrinha que queria que eu lá entrasse para nos levarem feitos cordeiros até ao sítio. Eu disse logo que não, que não entrava ali com aquele gente toda, eu ia era a pé, com o que eu gosto de pessoas, pfff...

Quando lá cheguei, Oh Senhores!!! tanta gente de um lado para outro só a dar ordens, vá práqui, depois vá práli, e eu com uma vontade de responder doida que até me ia dando uma urticária. 

Finalmente lá entrei numa casota, e mandaram-me tirar a camisa (qual presidente da republica), que era à moda que um bocado apertada, e não dava para arregaçar, quando vejo a mulher com uma agulha na mão, até vi tudo vermelho, e quando ela me espeta aquilo tudo no braço, dei um berro tal, que se ouviu no pavilhão inteiro...

 

E agora passo a batata, que é como quem diz o conto, à Ana Mestre Que com a sua criatividade irá dar boa conta do recado.☺

07.05.21

Desafio de escrita 3.0 - Tema 1

Foi o que ouvi


imsilva

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Ouvi a vida rolar e a acontecer. Alguém me disse que ia ser fácil para todos, que os sorrisos iriam soltar-se quais pardais ao fim da tarde. Que tudo estava bem, que tudo estava no sítio. Que parvoíce...

Alguém disse que a bondade andava à solta, sem rédeas nem empecilhos. Que todos os homens seriam felizes, sem angustias nem tristezas. Que imaginação...

Afinal quem fala não sabe o que diz, quem fala diz o que lhe apetece, o que provavelmente queria que fosse...mas não é. Que tristeza...

Vejo ao longe as nuvens a passar, e muitas cores, azuis, brancos, cinzentos, e o dourado do rei sol. e isso é a vida, a que conhecemos, a que amamos, não a que nos contam, a que ouvimos algures. E que bonita que ela é...

 

Texto no âmbito do novo Desafio dos pássaros Desta vez a 3 ° temporada. Quem se quiser atrever, espreite.

05.05.21

Lingua portuguesa com Alberto Caeiro


imsilva

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Da mais alta janela da minha casa
Com um lenço branco digo adeus
Aos meus versos que partem para a humanidade

E não estou alegre nem triste.
Esse é o destino dos versos.
Escrevi-os e devo mostrá-los a todos
Porque não posso fazer o contrário
Como a flor não pode esconder a cor,
Nem o rio esconder que corre,
Nem a árvore esconder que dá fruto.

Ei-los que vão já longe como que na diligência
E eu sem querer sinto pena
Como uma dor no corpo.

Quem sabe quem os lerá?
Quem sabe a que mãos irão?

PASSO E FICO, COMO O UNIVERSO.

“O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto 

03.05.21

O giveaway da Fátima.


imsilva

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A  Fátima Bento lembrou-se de fazer um sorteio, e oferecer livros, vai daí  pôs-nos a escrever umas coisas e depois, só tivemos que fazer figas. 

Eu tive a sorte de ser uma das contempladas, e aqui deixo testemunho disso. Este pequeno livro chegou a minha casa e foi muito bem recebido. Nunca li nada desta autora, ou seja, vai ser uma estreia. Gosto do género, por isso vai ser fácil apreciá-lo.

Ouvi uns zuns-zuns de que umas ideias mirabolantes estão para acontecer, ficamos à espera de novidades, que a Fátima está sempre a inventar. 🤓

 

30.04.21

O amor...sempre.


imsilva

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Esta não é uma história triste, é uma história de amor totalmente dedicada à nossa abelhinha, em mais um desafio que lançou. 

Para ti abelhinha Ana.

 

Quando a Lídia completou um aninho, recebeu uma gatinha Scottish.

E as duas cresceram lado a lado. A gatinha seguia a criança para todo o lado, e apesar dos esforços dos pais para que o animal dormisse na sua própria cama, era escusado, dormir era na cama da Lídia.

Ao longo de 18 anos o amor cresceu e quando Lídia foi para a faculdade, a gata quase que deixou de comer, valia-lhe os fins de semana em que a dona voltava para casa.

18 anos para um gato é já uma vida longa e o fim teria de chegar.

Depois de uma semana em que notoriamente a gata não estava bem, em que o veterinário já nada mais podia fazer por ela, chegou o fim de semana e com ele a volta de Lídia a casa.

Quando se apercebeu do estado da sua gatinha, ficou desolada e tentou que ficasse o mais cómoda possível.

A gatinha acabou por morrer nos braços da sua dona, da sua amiga, com quem tinha passado todos aqueles anos.

Ao perceber que a gata já não respirava, Lídia pôs a mão na boca para calar o grito que a sua alma queria soltar. Por mais que soubesse que estava prestes a acontecer, não se sentiu preparada. Mas Lídia sabia que a sua gata tinha sido amada e bem tratada todos aqueles anos. Restava-lhe infinitas e bonitas recordações, nada mais podia pedir.

 

27.04.21

As palavras de Whitman


imsilva

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"Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco,
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre."

Walt Whitman  1819 - 1892

25.04.21

25 de Abril por José Fanha


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" O grande símbolo do 25 de abril, é o cravo. E que melhor símbolo para uma revolução pacífica do que esta linda flor que, ainda por cima, é vermelha e verde, as cores da bandeira nacional? O que talvez nem toda a gente saiba é a origem dos cravos colocados no cano das armas dos soldados que fizeram o 25 de abril.
A história é bonita e simples:
Uma senhora trabalhava numa empresa que ia comemorar um ano de atividade no dia 25 de abril. Tinham-na mandado comprar muitos cravos para a festa de aniversário. Nesse mesmo dia, pela manhã, quando a senhora chegou à empresa, já a revolução estava na rua e os patrões disseram-lhe para levar os cravos, pois, se ficassem ali, murchavam.
A senhora trouxe consigo um grande molho de cravos e, quando encontrou os chaimites a subir para o Carmo, perguntou a um soldado:
- Vocês estão aqui a fazer o quê?
Eles explicaram que iam prender o Marcelo Caetano.
E um soldado perguntou:
- A senhora, não tem um cigarrinho?
- Não tenho cigarros, mas tenho cravos - disse a senhora.
E foi dando os cravos aos soldados, que os puseram nos canos das armas. Depois, disso, muitos cravos apareceram.
Muita gente foi buscar cravos e os soldados ficavam todos felizes por trazerem o sinal de alegria na lapela. E no cano das armas. "

José Fanha. Era uma vez o 25 de abril.
Abigail Ascenso - ilustração