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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

18.09.20

Parabéns Mãe


imsilva

 

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Mãe

Hoje fazes 85 anos.

Há sempre uma grande reunião familiar neste dia. Todos juntos, filhos, netos e bisnetos, somos 26.

Ultrapassamos uma fase em que ficamos em confinamento, sem abraços, sem beijinhos, sem visitas. No entretanto fomos devagarinho, e fomos convivendo com conta peso e medida. Tanto tu como o pai já recebem (de vez em quando) um abraço e um beijinho que tanta falta fazem.

Estamos a entrar numa nova fase (que não é melhor) e temos medo. Medo por vocês, não por nós.

Hoje não nos devíamos reunir.  Vamos ver como será, ainda está a ser estudado. Os tempos são estranhos, mandam na nossa vida com um estalar de dedos. E é dificil entender as mudanças de hábitos enraizados, hábitos que nunca imaginamos que poderiam ser alterados por forças exteriores.

Mãe

Sei que não vais viver mais 85 anos (nem eu mais 59), mas continuamos a precisar de ti, e sabemos que tens todas as capacidades e condições para mais uns quantos, e nós vamos zelar por isso, para que sejam com qualidade.

Que tenhas um dia (e os outros dias também) muito feliz.

 

Estas são para ti, o beijinho vai mais de aqui a pouco.

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10.09.20

Quadras para a Ana


imsilva

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Os desafios da Ana

A Ana desafia                                                    e nós vamos atrás                                           fiquei arredia                                                    e não fui capaz

Vou insistir                                                      quem sabe o que vai dar                                para a ver sorrir                                              vale a pena tentar

Um beijinho Ana                                               o esforço já fiz                                              não me peças mais                                          espero que estejas feliz

 

 

07.09.20

Dúvidas existenciais.


imsilva

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Haverá idade para as crises existenciais?

Para sabermos quem somos, onde estamos, para onde vamos, o que necessitamos, ou o que realmente temos?

A conclusão a que chego é...não, não há idade.

Nas crianças já se nota algum receio pelo desconhecido, pelo medo de ficarmos sem aqueles que são o nosso mundo. Medo de termos a nossa existência alterada sem o podermos controlar.

Na adolescência porque somos novos e temos tanto que aprender, que quando tropeçamos, toda a nossa existência estremece e as emoções balançam.

Quando entramos na idade adulta, são as dúvidas do caminho que se apresenta, das decisões que têm que ser tomadas, e do medo inerente a essa situação.

Já na idade adulta, são as incógnitas que as decisões anteriormente tomadas levantam, e os arrependimentos (grandes ou pequenos) que poderão surgir e que tão difíceis podem ser de aceitar.

E depois...depois é a inconsistência do futuro que tantas dúvidas existenciais trazem, em conjunto com as dúvidas que já traziamos de outras épocas (pensávamos nós que já as tinhamos resolvido) mas que continuam a aparecerem-nos à frente em forma de pontos de interrogação.

Valha-nos a presença de espirito, que o tempo nos deu, e que é capaz de relativizar e priorizar as crises existenciais, quase com uma perna às costas.

Mas que as há...há. Elas...as crises.

 

 

28.08.20

Dia de vento


imsilva

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Quando o vento se levanta e passa por aqui, peço-lhe que leve consigo os meus pensamentos, as minhas inquietudes e as minhas preocupações.

Mas ele diz-me sempre que só pode levar as folhas, o fumo, o nevoeiro e o ar cansado.

Por vezes, apanha no caminho algum passarinho mais desprevenido, que assustado, volteia no ar até encontrar o seu rumo novamente.

Também gosta de levar chapéus, vários chapéus, de sol, de chuva,ou os que periclitantemente se equilibram nas cabeças de alguns incautos que não acreditam na sua força.

Quando se cansa destes afazeres e brincadeiras, desaparece, e deixa-me os meus pensamentos, as minhas inquietudes e as minhas preocupações tal como estavam, e eu fico zangada por ele não me ter feito caso.

 

 

21.08.20

Mutações humanas


imsilva

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E aqui estamos, no admirável mundo novo, no ponto nunca imaginado.

Máscara no rosto, sorriso escondido, incógnito, e olhar estupefacto a interrogar o mundo.

Agora somos todos iguais, com o mesmo medo, ou quase, já nos cuidados, não tanto, e os hábitos em mutação e a enraizarem-se rápidamente.

As crianças habituadas é a parte gira. Viva as máscaras! Bendita a ignorância que serve para brincar aos heróis com liberdade.

O novo aroma a alcool gel entranhado nas narinas, e nos poros de todo o corpo.  Alcool diferente daquele que destilavamos na minha juventude.

Entretanto vamos habituando-nos à distância física, aos não cumprimentos, a uma certa frialdade que em nada condiz com a nossa condição de latinos. 

O isolamento vai cercando pessoas que não o merecem, e que pode ser o despoletar de doenças e males que poderiam ser evitados.

Mas o mundo pula e avança, aceitamos e vamos por lá, por onde nos dizem que devemos ir, e como sempre, adaptamo-nos.

Somos mesmo boa gente.