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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

12.03.21

Irei.


imsilva

 

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Irei

À deriva do tempo, à deriva da estrada

À deriva de um qualquer ponto cardeal que me chama

A um sítio que não conheça

Vou comigo, e tão bem acompanhada vou

Sem explicações

Sem justificações

Onde não tenho nome

Onde não tenho passado

Onde os meus passos soarão no eco do tempo

Onde o sonho se acalenta e urge

Com coragem e ímpeto

Com as certezas possíveis dentro da incerteza

Com a vontade de ser algo num ponto qualquer

Qualquer ponto que me faça ser

11.03.21

Respira - Palvras de Vanessa Januário


imsilva

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Respira

O tempo não tem tempo.
Não se filtra nem se importa. Podes pedir-lhe para ficar, mas ele explode em cores, em sentimentos e caminhos e corre...corre sem nunca voltar.
Não chores pelo tempo.
Ele da-te definição, constrói-te o rosto e faz-te crescer o corpo. Preenche-te as rugas com sabedoria, os braços com oportunidades e o peito com sensações.
Conta pelos dedos os segundos... pára e volta a contar. Sim...o tempo passou. E não peças ao tempo para que altere o seu passo. Ele não corre nem repousa. Mantém o seu ritmo sentido. O que muda não é o sentido do tempo, mas a forma como cada um o sente. Se o tempo te der asas voa, se o tempo te der carinho abraça, se o tempo te der oportunidade, olha a tua volta e valoriza as pessoas que estão a teu lado...nesse momento não estás a perder tempo, estás a assistir a mais bela metamorfose dos sentimentos. Quando não tiveres tempo para respirar, percebes que o tempo é finito apenas na infinidade daquilo que és capaz de sentir...o amor.

" A vida não tem tempo e o tempo nunca terá prazo... respira, vive"
Vanessa Januário#letrasdepapel

10.03.21

Cor de rosa

Vamos pintar com palavras ? #8


imsilva

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Memórias em rosa

 

Cor de rosa eram os laçarotes que a mãe lhe costumava pôr no cabelo.

Cor de rosa os sonhos que todas as noites lhe faziam companhia, quando dormia na sua pequena cama com o seu amigo coelho Ní.

Cor de rosa fora a festa do seu sexto aniversário.

Cor de rosa era o chapéu de chuva que a avó lhe dera naquele ano em que vivera lá em casa, antes de a levarem para o "lar", onde diziam que estaria melhor.

Cor de rosa o xaile que no Natal lhe fora levar ao "lar", justamente antes de a avó morrer no sítio onde supostamente ela estaria melhor.

Cor de rosa fora o casaquinho que fizera durante a sua 1º gravidez para a sua 1º filha.

Cor de rosa seria o casamento que ela tinha imaginado...

Cor de rosa era a cor de algumas das suas mais importantes memórias, que vinham lá de longe no tempo.

Havia memórias de outras cores muito mais escuras na sua vida, mas essas, ela não queria recordar.

 

Texto no âmbito do Desafio caixa de lapis de cor

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09.03.21

O melhor ano da minha vida


imsilva

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Será possível termos um melhor ano?

Para fazer este exercício, terei de separar as águas.

Creio haver os melhores momentos da nossa vida, quando concretizámos aquela viagem, quando casamos com o nosso amor, quando conseguimos aquele objectivo que tanto ansiávamos, quando nascem os filhos, e tenho na memória pedaços de felicidade tão simples como uma deslocação de carro, já noite, com os filhos a dormir no banco de trás, e sentir que estava tudo bem, tudo no sítio em que devia estar.

Mas se tiver que escolher um ano, talvez escolha o ano do namoro (que sério, foi só um). 

O ano em que tudo parece possível, em que o coração parece que rebenta, em que o sorriso na cara é constante, em que todos os sonhos do mundo parecem estar ali à mão.

Depois tornámo-nos adultos com responsabilidades, com preocupações, mesmo que intervaladas pelos melhores momentos do mundo, e fica para trás aquela bela altura em que não há inquietações que nos toquem, que nos incomodem, porque éramos livres, porque nos achávamos invencíveis e donos das nossas vontades. 

Sim, definitivamente, (não me crucifiquem) o ano de namoro!

 

Este texto faz parte de mais um desafio de escrita da nossa abelhinha Ana de Deus

05.03.21

O que aprendi com uma pandemia


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O que eu aprendi neste ano que passou entre Março e Março.

Aprendi a viver com imprevistos.

Aprendi que afinal dá-se a volta e segue-se em frente.

Aprendi que somos fortes.

Estando eu num dos ramos mais afectados por esta pandemia, aprendi que não estando preparados, depressa nos preparamos para os cataclismos sociais desta vida.

Aprendi que nada é garantido, quando uma coisinha que nem se vê nos vira a existência de cabeça para baixo.

Aprendi (mentira, que eu já sabia) que estar em casa sem compromissos exteriores é muito bom. Logicamente que no contexto em que foi, não foi devidamente apreciado, mas...

Aprendi que aquilo que julgamos impossível, passa a possível enquanto o diabo esfrega o olho.

Aprendi a nunca dizer nunca.

Não posso dizer que tenha aprendido, porque já sabia, mas confirmo o que já referi várias vezes, não esperem melhorias no ser humano, quem era boa pessoa vai continuar a ser, e quem já não o era, não vai passar a sê-lo.

E creio que aprendemos todos, que não mandamos, que pouca importância temos, e que afinal não somos os donos disto tudo.

03.03.21

Azul claro

Vamos pintar com palavras? 7


imsilva

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                       O vestido

 - Oh Claudina, onde tu vais mulher ? - perguntou a vizinha cusca.

 - Oh vizinha, vou só ali à loja da Alzira comprar uma coisinha. - respondeu a Claudina quase a fugir de dizer mais alguma coisa.

Porque o problema ali era que não convinha nada que a vizinha se apercebesse, que ela ia comprar um vestido que tinha encomendado a semana passada na loja da Alzira. Se a vizinha adivinhasse, ia querer comprar um igual. Ela sempre fora assim, invejosa e alcoviteira, a querer saber de tudo e de todos, principalmente dos passos que ela dava, e pior do que isso, imitando-a em tudo o que ela fazia.

Mas agora ia conseguir manter o segredo, e quando fossem à festa de Domingo, no Centro Recreativo, onde todas as festas da aldeia aconteciam, iria fazer um brilharete com o vestido novo azul claro, cor do céu nos dias de Verão, com uns debruados na gola e nas mangas a três quartos, em azul escuro.

Depois de chegar a casa com o seu precioso embrulho, depois de certificar-se que a vizinha não estava à janela, a Claudina abriu-o e não cabia em si de contente com o seu maravilhoso vestido e a imaginar já a cara da outra quando a visse.

A semana passou depressa e quando chegou o dia, a Claudina viu-se ao espelho, pôs o seu colar de pérolas que até pareciam verdadeiras, um pouco mais de pó de arroz, o inevitável batom, e vestindo o casaco comprido azul escuro, deu o braço ao marido que estava elegantíssimo com o fato que dava para tudo o que era mais cerimonioso, e encaminharam-se para o edifício que albergava o Centro onde haveria o comes e bebes, seguido por um belo de um bailarico abrilhantado pelo trio musical lá da terra.

Quase já à porta, encontraram-se com a vizinha que vinha com o seu habitual casaco comprido castanho, e entraram practicamente ao mesmo tempo. Cumprimentaram-se com mais cerimónia do que seria normal, devido ao evento em que estavam, e dirigiram-se ambas para o espaço que estava destinado a servir de bengaleiro, onde cada um deixaria o seu casaco para ficarem mais livres para percorrer a sala e poder dançar mais à vontade.

Claudina começa a tirar o seu casaco e quando olha para o lado e vê a sua vizinha fazer o mesmo, fica petríficada, e ao mesmo tempo encalorada com as cores a subirem a toda velocidade para a cara. Quando conseguiu ter alguma reação, tornou a pôr o casaco e chamando o marido diz-lhe - Anda Alberto, que esqueci-me da sopa ao lume.

O pobre marido, sem perceber nada daquilo, pois sabia que não havia sopa alguma ao lume, sai com a Claudina e pergunta-lhe - Oh mulher, o que é que te deu ?. Ao que a Claudina com a cara mais furiosa que alguma vez alguém lhe viu,  respondeu - Ai homem, que aquela mulher é o demo em figura de gente, então não é que tem um vestido igual ao meu ...?!

 

texto no âmbito do Desafio caixa de lápis de cor

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02.03.21

A casa de Mia Couto


imsilva

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A Casa

Sei dos filhos
pelo modo como ocupam a casa:
uns buscam os recantos,
outros existem à janela.
A uns satisfaz uma sombra,
a outros nem o mundo basta.
Uns batem com a porta,
outros hesitam como se não houvesse saída.
Raras vezes sou pai.
Sou sempre todos os meus filhos,
sou a mão indecisa no fecho,
sou a noite passada entre relógio e escuro.
Em mim ecoa a voz
que, à entrada, se anuncia: cheguei!
E eu sorrio, de resposta: chegou?
Mas se nunca ninguém partiu…
E tanto em mim
demoram as esperas
que me fui trocando por soalho
e me converti em sonolenta janela.
Agora, eu mesmo sou a casa,
casa infatigável casa
a que meus filhos
eternamente regressam.

Mia Couto, Tradutor de chuvas

28.02.21

O meu sitio, o meu canto


imsilva

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Chegar pelo lado Norte, é ter uma vista linda pela frente, casario e o perfil do mar.

Chegar pelo lado Sul, é ter mais uma vista íncrivel, o Hotel dentro do espaço do mar, mais casario e mais...mar.

Chegar pelo lado Este, é ter outra vista fantástica, os telhados do casario e um espelho de mar infinito mesmo à frente.

Chegar pelo lado Oeste, é chegar pelo próprio mar, de preferência de barco, (a nado é capaz de não dar muito jeito), e tentem imaginar a vista.

É verdade, seja de que lado for que se chegue a este sítio, a vista é sempre linda, e o ponto fulcral é e será sempre o mar.

Neste caso, o imenso Oceano Atlântico com todo o esplendor, sejam dias de águas calmas de côr azul, seja nos dias de águas mais zangadas de côr de chumbo. 

Algo que faz parte, e não se abdica, é o cheiro a maresia, a algas, e até o teimoso nevoeiro que se aprende a amar (às vezes).

De entre as 1047 praias que temos, tenho que ressaltar os nomes originalissimos de Praia do Sul, Praia do Norte ou Praia dos Pescadores.

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Neste sítio pode-se passear por todo o lado, por ruas, ruelas, travessas e becos, todos os cantinhos são belos, todos com os seus recantos e segredos. Ao virar de uma esquina encontramos uma pequena escadaria, virando outra esquina encontramos uma fonte ou um cruzeiro com a sua inevitável praçeta, algumas vezes não passa de uma pracinha, mas sempre com um passado e a gritar história em cada pedaço de pedra de que é composto.

Além da igreja mor, deparamo-nos com algumas belas capelas espalhadas estrategicamente por vários espaços.

 

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E é ir passeando e olhando algumas das fachadas das casas em azulejos, ou como a maioria delas, pintadas de branco com barras azuis.

Também existem as casas que choram, desprezadas por herdeiros que não se entendem, ou por donos que nunca mais se viram. A essas apetece pegar ao colo e dar miminhos, ao mesmo tempo que imaginamos o que poderíamos fazer com elas, como poderiam fácilmente transformarem-se num aconchegante lar.

Nas ruas vemos os nomes tipicamente portugueses e existentes em tantos lugares, cidades e aldeias, Rua 5 de Outubro, Praça da República, Rua de baixo ou Rua do Norte.

E depois temos as nossas gentes, as nossas figuras "castiças". Quando uma desaparece é como se se fechasse uma rua, é o fim de uma história, é menos uma pedra na calçada, numa das ruas tortas deste sítio.

Se quiserem por cá passar, prometo receber-vos de braços abertos e um cafezinho

 

Este texto nasceu de um belo desafio de Cristina Aveiro

  

 

 

 

26.02.21

Este mundo dos desafios


imsilva

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Nunca eu tinha imaginado que este mundo dos desafios fosse tão rico.

Infelizmente não tem euros, mas tem gente, muito boa gente que se esmiufra para fazer jus aos desafios que lhes são apresentados. E todos entram ao barulho, os que propõem e os que são propostos, porque afinal os uns, são os outros também.

Criei este blog porque tinha umas folhas com pequenos textos escritos, e pensei em partilhá-los com quem  (supostamente) também gostaria de escrever. E foi um mundo que se abriu. Comecei a interagir com pessoas, que não conhecendo fisicamente, de alguma maneira sabia quem eram, só com palavras.

Entretanto a  Green eyes fez 51 anos, e eu pensei em pôr o pessoal a dizer o que eram os 50s. E surgiu o  Desafio aos cinquenta , o 1º desafio criado por mim. Foi magnífico, apareceram textos fantásticos, e aprendi muito.

Depois apareceram uns pássaros que decidiram dar-nos cabo da cabeça, e sem saber como, vi-me envolvida num desafio semanal que durou umas quantas semanas e que ainda teria uma 2º edição. Nunca pensei que seria capaz de escrever "por encomenda", mas os textos saiam quase sem dar por isso, e eu adorei o que escrevi, surpreendi-me a mim mesma, e mais uma vez aprendi imenso.

No Natal de 2019 lembrei-me de pedir Contos de Natal , e em 2020 fiz o mesmo. Escusado será dizer que temos uma bela colecção de contos, e que talvez haja surpresas em relação a isso.

Também houve um passa-palavra da Mula e da Mel que correu muito bem.

Agora, estamos todos embrulhados num belo desafio da Fátima Bento ,nuns quantos da nossa abelhinha mestra e a Cristina Aveiro também se aventurou num que me parece muito bem. 

Também tivemos e ainda temos uns desafios diferentes, mas igualmente interessantes. Um era do C.C que deixou o blogue sem aviso, e de quem tenho saudades, era "Uma foto...Uma história". Do mesmo gênero temos "A Paz de..." da Ana de Deus, a nossa abelhinha, e da MJP "A liberdade de..." em que nos presenteiam com belos textos de terceiros.

Provavelmente houve mais algum, mas neste momento, lamento, mas não me estou a recordar, se foi o caso desculpem-me.

Tudo isto para dizer que tem sido muito bom fazer parte deste mundo de desafios, de pessoas que se esforçam por cumprir os prazos previstos, de descobertas de textos maravilhosos de pessoas que não sendo escritores profissionais, (bem, alguns mereciam sê-lo, e outros há, já com provas dadas e trabalho publicado), são na maioria  escritores de coração, e aqui estão a comungar com o gosto e o prazer da escrita, e eu sinto-me muito orgulhosa por isso.

Pessoal, encontramo-nos no próximo desafio, e, como diz um nosso amigo que também por estes caminhos anda,               a gente lê-se por aí.

 

 

25.02.21

As declarações de Chaplin


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CHARLES CHAPLIN MORREU AOS 88 ANOS, DEIXOU 4 DECLARAÇÕES:

1 ... Nada é eterno neste
mundo, nem mesmo nossos problemas.
2 ... Gosto de andar na chuva, para que ninguém veja minhas lágrimas.
3 ... O dia mais desperdiçado da vida é o dia em que não rimos.
4 ... Os seis melhores médicos do mundo ...
1. Sol,
2. Descanso,
3. Exercício,
4. Dieta,
5. Autoestima
6. Amigos.

Se você ver a lua, verá a beleza de Deus.
Se você ver o sol, verá o poder de Deus.
Se você se olhar no espelho, verá a melhor criação de Deus.
Então, acredite.

Somos todos turistas, Deus é o nosso agente de viagens que já definiu os nossos roteiros, reservas e destinos.

A vida é apenas uma jornada!
Viva o presente !