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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

14.01.22

Sussurros da Mãe Natureza


imsilva

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Alguém chama através do nevoeiro

Soam trompetes nos pingos de chuva

Harpas tocam nos raios de sol

Pegadas na neve surgem, assim como na areia à beira do mar

Cheiramos o rosmaninho ou a madeira da lareira a arder

Sentimos a aragem ora fresca, ora morna

Mas sempre surpreendente

Como a água que desce da nascente

Sussurros, coisas, ofertas da Mãe natureza

12.01.22

Queres casar comigo?


imsilva

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Encontrei esta inscrição a caminho da praia.

Quem a terá escrito? Terá tido êxito? Terá sido sincera? Quanto sentimento terá colocado nesta proposta? 

Gostaria de conhecer a história que levou alguém a massacrar as pedras com instrumento afiado, de maneira a poder ficar gravado para todo o sempre num chão da vida.

Penso na felicidade que poderá ter proporcionado, ou na desilusão que poderá ter causado na pessoa que apaixonadamente, pensou que a sua felicidade passava por ter aquela pessoa como cônjuge.

São momentos históricos na vida de alguém, que servirão para escrever memórias que farão sorrir ou chorar quando recordadas.

 

07.01.22

Palavras de Alice Vieira


imsilva

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"Sempre amei por palavras muito mais
do que devia

são um perigo
as palavras

quando as soltamos já não há
regresso possível
ninguém pode não dizer o que já disse
apenas esquecer e o esquecimento acredita
é a mais lenta das feridas mortais
espalha-se insidiosamente pelo nosso corpo
e vai cortando a pele como se um barco
nos atravessasse de madrugada

e de repente acordamos um dia
desprevenidos e completamente
indefesos

um perigo
as palavras

mesmo agora
aparentemente tão tranquilas
neste claro momento em que as deixo em desalinho
sacudindo o pó dos velhos dias
sobre a cama em que te espero"

Alice Vieira
in "O que Dói às Aves", Caminho, 2009

(retrato ilustração de Danuta Wojciechowska).

 

Hoje é dia do leitor, nada melhor do que fazer referência a alguém que soube iniciar muitos jovens (e não só) na leitura.     Obrigada Alice. ❤

05.01.22

Tempo com José Luís Peixoto


imsilva

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JOSÉ LUÍS PEIXOTO, in A CRIANÇA EM RUÍNAS (1ª Ed., Quasi, 2001); (Quetzal Ed., 2012)

o tempo, subitamente solto pelas ruas e pelos dias,
como a onda de uma tempestade a arrastar o mundo,
mostra-me o quanto te amei antes de te conhecer.
eram os teus olhos, labirintos de água, terra, fogo, ar,
que eu amava quando imaginava que amava. era a tua
a tua voz que dizia as palavras da vida. era o teu rosto.
era a tua pele. antes de te conhecer, existias nas árvores
e nos montes e nas nuvens que olhava ao fim da tarde.
muito longe de mim, dentro de mim, eras tu a claridade.

*
Arte de © Tatyana Ilieva
*

(LT)

31.12.21

Feliz 2022!!!


imsilva

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A partir de amanhã teremos um ano novo a  estrear. O que faremos com ele? Sabemos que vem com um vírus que não nos larga há 2 anos, e rezamos a todos os anjinhos para que seja o seu último ano connosco. Fora isso, tentemos preencher este novo ano com uns raios de bondade, uns grãozinhos de civismo, uns laivos de sensatez, umas pinceladas de amor e uma pitada de respeito por tudo o que habita este planeta. Sejamos bons, sejamos justos, sejamos felizes e pintemos este novo ano com as cores mais bonitas e mais brilhantes que conseguirmos.

Feliz Ano Novo!!!

Feliz 2022!!!

  🌟

 

29.12.21

O Natal das nossas memórias


imsilva

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O Natal das nossas memórias

 

Fernanda aconchegou o casaco ao corpo, naquele Dezembro frio mas luminoso que ainda não prometia a neve que nunca mais vira, e continuou a andar, receosa do que iria encontrar uns passos mais à frente. Chegou à Rua de Baixo, o sítio onde não ia há mais de 40 anos. A aldeia de onde saíra com 10 anos de idade, para ir para o Brasil com os pais. O sítio onde ficara o seu coração na companhia dos avós que lhe tinham dado tanto amor e atenção, tantas memórias guardadas com tanto cuidado, sempre com medo que se desvanecessem.

Começou a descer a rua, notando o abandono que marcava aquelas casas que em tempos tinham estado preenchidas com vida, com risos, lágrimas e labutas. E quando finalmente lá chegou, o coração bateu mais forte, as lágrimas soltaram-se e deslizaram pelo seu rosto. Era uma ruína, umas pedras que tinham sido ocupadas por hera e plantas solitárias, e que lembravam imagens de outros tempos felizes e tão importantes na sua vida.Os avós tinham morrido cedo, cada um com a sua maleita, e a casa nunca mais tinha sido habitada. 

A saudade trouxe-lhe as memórias do último Natal que lá passara, antes daquela viajem que a levaria para tão longe. Via a mesa posta com a toalha que religiosamente saia todos os Natais, branca com azevinho bordado, sempre impecável de tão bem tratada que era. Os pratos e os copos do serviço das ocasiões especiais, e todos os acepipes e guloseimas que só a avó sabia fazer. Uma família alargada de tios e primos barulhentos, vindos de todos os cantos do pais, que enchiam a casa de alegria e confusão, e que sem isso não seria a mesma coisa.

Mas isso era o passado, o presente era isto, uma ruína, umas pedras que caladas, gritam nos silêncios de histórias sussurradas nos espaços das pedras que ficaram. Soluços ecoam nos vazios das almas, das presenças que já não estão.

Fernanda senta-se naquele muro que já foi parede, chora de saudade, e depois levanta-se, ergue a cabeça e faz o caminho de volta sentindo-se mais tranquila. Ainda bem que existem memórias...

 

 

28.12.21

O velho , de Eugénio de Andrade


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O inverno

Velho, velho, velho.
Chegou o inverno.

Vem de sobretudo
vem de cachecol
o chão onde passa
parece um lençol.

Esqueceu as luvas
perto do fogão
quando as procurou
roubara-as um cão.

Com medo do frio,
encosta-se a nós:
dai-lhe café quente
senão perde a voz.

Velho, velho, velho.
Chegou o inverno.

Eugenio de Andrade. Aquela nuvem e outras.

27.12.21

Os nossos contos de Natal 2021 (nova actualização)


imsilva

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Quando comecei a pedir contos de Natal, foi mesmo pelo prazer que tenho em os ler. Não imaginei o que acabaria por acontecer, e que logicamente me deixou muito feliz.
Cada vez que encontro mais um, vou logo lê-lo, cheia de curiosidade e continuo a adorar cada um deles. É muito interessante ver a imaginação de tantos neste tema.

Aqui estão os contos deste ano, maravilhosos e quentinhos, como o coração gosta.

Conforme forem chegando mais, irão sendo colocados nesta lista. Se alguém tiver escrito um conto, e este não estiver aqui, é só avisar-me que tratarei do assunto.

Carta a um qualquer pai Natal - José da Xã

A herança - José da Xã

O espírito de Natal - José da Xã

Um qualquer dia  na aldeia  -  Zé Onofre

Conto de Natal - Ana de Deus

Mataram o pai Natal I - José da Xã

Mataram o pai Natal II - José da Xã

Natal de um bombeiro - Ana Mestre

Houve um tempo em que não havia Natal - Folhas de luar

O espírito de Natal - Folhas de luar

Benjamim - Ana D

Conto de Natal 2021 - Maria Araújo

O Natal é da família - Nala

Um conto com magia - Isabel Silva

Ainda há espírito natalício - Isabel Silva

Natal em tempo de pandemia - Charneca em flor

Nunca mais será Natal - Zé Onofre

A fogueira - bii yue

Conto de Natal - Maribel Maia

A receita mais original de um doce de Natal - Olga C. Pinto

As bolachinhas - Olga C. Pinto

Os três caminhantes - Olga C. Pinto

Já nasceu - Alice Alfazema

Aqueles Natais foram diferentes - Vagueando

O melhor presente - MJP

Um louco e o Natal - Zé Onofre

O dia começou branco - Maria Neves

Um trenó com histórias - historiasabeirario

O papel de lustro sem pinheiro - Maria Neves

O Natal do António - José da Xã

Resposta ao pai Natal - José da Xã

O reencontro - Alice Barcellos

O guarda- rios azul - Maria Neves

Natal é amor - Ana D.

E foi Natal - Cristina Aveiro

Avó, o pai Natal já se foi embora? - Cristina Aveiro

Ta-tin-ta - João Silva

O Natal das nossas memórias - Isabel Silva

Choro - Isa Nascimento

O presente escondido - Isa Nascimento

O primeiro Natal - Isa Nascimento

Conto de Natal - Marta Velha

Laura - José da Xã

filhoses e sonhos de abóbora - Di

Nasceu no dia de Reis - Isa Nascimento