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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

23.10.19

100 redondos


imsilva

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O número é giro e não resisti a comemorá-lo. 100º post, 10 meses. Para quem não publica diariamente, é um patamar confortável. Não sabia se chegaria cá, mas cheguei e lamento mas é para continuar, a próxima celebração será aos 1000, será mesmo? espero que sim. O convite fica feito, chá às 5, pipocas, mirtilos, gomas, e umas torradinhas de um pão que tenho ali da semana passada. Apareçam, prometo uns chapelinhos (daqueles, estão a ver?). Mais a sério, vocês são uns bons vizinhos, obrigada pelas visitas.

18.10.19

Desafio de escrita dos pássaros #6

Um conto de amor


imsilva

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Amor

Éramos tão felizes, o amor é algo que não alimenta o corpo, mas já o espírito estava bastante confortável.

Era o prazer de olhar o outro rosto quando acordávamos, era o beijinho dado com o maior dos carinhos à ida para o trabalho, e era o conforto de adormecermos nos braços um do outro, quando o dia chegava ao fim.

Uma cabana

Quando não temos um castelo ou um palacete, quando não temos um solar ou uma bruta vivenda, quando não temos um andarzinho, ainda podemos ter uma cabana. E era isso precisamente que tínhamos, mas…era a nossa cabana. O nosso lugar, com os nossos livros e as nossas flores.  

Um…

Éramos realmente felizes, mas… quer dizer…faltava-nos uma coisinha que eu ansiava muito. Toda a gente, bem, quase toda agente tinha, e eu sonhava com isso a toda a hora, imaginava-o ali, na nossa salinha, todo bonito e bem cheiroso, que alegria que daria à nossa casa.

 Mas, não tínhamos vida para isso, fazíamos contas, esticávamos o pouco que tínhamos, mas nunca dava, havia sempre o medo das despesas que passaria a haver, e que temíamos não conseguir fazer frente. E eu envelhecia de ansiedade, ao ver por realizar tal sonho.

Até que um dia, ele chega ao pé de mim e diz-me que temos que falar. Diz-me que estamos a ser tolos, que nada é impossível, e que com certeza que com um pouco de esforço, tudo se resolve. Agarrei-me ao seu pescoço e com lágrimas nos olhos, depositei-lhe nos lábios o beijo mais doce e mais apaixonado que alguma vez existiu nos contos de fadas.

Passados nove meses, com o maior sorriso de felicidade na cara, entramos em casa com uma coisinha linda embrulhada numa mantinha cor-de-rosa.

Amor, perguntou-me ele, queres uma canjinha que fiz ontem à noite? Obrigada, é mesmo isso que me está a apetecer, respondi. Quando ele aparece à porta da cozinha, com a cara mais triste do mundo, e me diz, a canja está estragada, o frigorifico avariou.

17.10.19

A dor da estúpida morte!


imsilva

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Está madrugada morreu um menino de 8 anos. Depois de uns meses a sofrer e a lutar, o cancro venceu e decidiu por ele. Não teve hipótese de escolha,  não lhe permitiram esse direito.

Não o deixaram crescer, viver e ser adulto, alguém achou que não valeria a pena.

Como é que é? Como é que se compreende isto, como é que se enfrenta esta dor, como é que uns pais se recompõem desta pancada?

Pois é, eu sei, todos os dias acontece, só que não conhecemos. Mas não deixa de ser injusto!

11.10.19

desafio de escrita dos pássaros #5

O homenzinho


imsilva

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Ia à minha frente, de gabardina e chapéu na mão, era baixo, ou parecia, tinha o cabelo delambido, com risco ao lado, e colado à cabeça. Uma coisa farfalhuda acontecia por cima do seu quase inexistente lábio superior. A cara era de poucos amigos, pudera, não poderia ser de outra maneira, com a quantidade de inimigos que tinha.

Chegamos, olhamos à nossa volta, e mesmo à nossa frente erguia-se uma enorme porta cor de ferrugem, imponente, com umas ferragens enormes e um batente que metia respeito. Por cima via-se a palavra Purgatório. E oiço o homem sussurrar, com as lágrimas a virem-lhe aos olhos "o que isto me faz lembrar a bela frase que brilhava por cima da entrada do grandioso campo de Auschwitz, O trabalho liberta " e em seguida levanta o braço como se fosse fazer a saudação nazi, assustei-me, mas afinal era só para bater à porta, ou melhor, para tocar à porta, porque estava lá uma campainha.

Imediatamente a dita cuja abriu-se, e um ser nem branco nem preto, nem alto nem baixo, nem gordo nem magro, no fundo, nem homem nem mulher, olhou para ele e franzindo o cenho, perguntou-lhe, "Como te chamas? Eu não te conheço de qualquer lado?" ao que o homem respondeu "Chamo-me Adolfo e estranho seria se não me conhecesse, fui uma figura muito importante na terra, destruí e mandei destruir muita gentalha que andava por lá a conspurcar a atmosfera,  eu bem tentei limpar a raça humana, mas fui um incompreendido, e interromperam o meu belo trabalho. Estava a correr tão bem, os comboios sempre a abarrotar a caminho dos campos de concentração, que tão bem organizados estavam, era um regalo apreciá-los, com as câmaras de gás sempre a funcionar noite e dia, e para quê? para aparecerem uns desmancha prazeres e darem cabo de tudo, não sabem apreciar o esforço de um homem que só queria o bem da raça humana, que esta fosse perfeita, sem mácula, sem defeitos, gentinha de mente pequena..." e aí eu tive que me meter, dirigi-me ao nosso anfitrião e tentei que ele me desse ouvidos, " ouça lá, desculpe sei que ainda não é a minha vez, mas não acha que aqui o Adolfo, já disse mais do que suficiente, para saber o que vai fazer com ele, já lhe deu provas e motivos, a sério que precisam de mais alguma coisa? é que eu estou aflita para ir à casa de banho, e assim não estou a ver que chegue lá. Acho que o currículo deste individuo, já disse o bastante para tomarem uma decisão"  

Finalmente lá deixaram o homem entrar, e eu pude ir à casa de banho. Nunca mais vi o homenzinho, nunca mais lhe pus a vista em cima, o que espero seja sinal de que o mandaram para o sítio certo. 

08.10.19

Pássaros e temas


imsilva

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Ai os pássaros! Estão a fazer-nos suar as estopinhas.

Mas...está a ser óptimo fazer parte deste desafio.Para mim, que gostava de escrever sobre o que me desse na real gana, escrever sobre o que os outros querem é muito desafiante, uma surpresa agradável e um verdadeiro prazer. Creio ser mais difícil conseguir ler todos os textos do desafio, do que encontrar ideias para cada tema marado que nos propõem.

Cheguei à conclusão que os temas são como a coca-cola, primeiro estranha-se e depois entranha-se. Arregá-lo sempre os olhos quando leio o tema da semana, rogo umas pragas e depois começo a digerir a coisa, ou seja, afinal não tem sido tão difícil.

4 já estão, o 5º está no forno, e faltam 12. Vamos só esperar que os pássaros não se estiquem e que não compliquem (ainda mais) os temas. Tem sido surpreendente os caminhos por onde os ditos cujos nos podem levar, e a diversidade de textos tem sido admirável.

Admiro o trabalho que estão a ter, mais de 50 participantes não é pêra doce, e os meus parabéns a todos eles por isto. 

04.10.19

desafio de escrita dos pássaros #4

Escrever ou não escrever...


imsilva

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Comecei a magicar no enredo e conteúdo que hei-de escrever esta semana.

Preparei-me para receber inspiração e ideias, acontecimentos e novidades, surgidas pelo simples facto de eu as necessitar.

Abasteci-me de lápis, previamente afiados e preparados por mim, e de uma bela de uma resma de papel, que coloquei estrategicamente no lado esquerdo da secretária, ao lado do belo candeeiro da avó Júlia.

Entretanto, espreitei lá para fora pela janela, e vi no telhado do vizinho, uns passarocos a palrar, a chilrear ou lá o que é aquilo que costumam fazer. Curiosamente, senti que eles olhavam para mim, directamente nos meus olhos, como se me recriminassem alguma coisa. Desviei o olhar, nitidamente incomodada, e tentei olhar para outro lado, para o lado do mar, que aquela hora estava maravilhoso com o sol a caminhar na sua direcção.

Pus a chaleira ao lume para fazer um chá, que a dissertação literária estava a pedir algum conforto e aconchego, e já com a caneca fumegante na mão, fui-me sentar finalmente à secretária. Nesta altura, já quase no lusco-fusco, acendi a luz do meu belo candeeiro séc.XX, tirei a 1º folha, peguei num lápis, e pensei como é que iria iniciar o texto, o que é que chamaria mais a atenção ao leitor, suposto leitor, o que é que lhe poderia prender e agradar mais ao intelecto?

Quando...um dos passarocos que já tinha visto antes no telhado do vizinho, vem parar à minha janela. Trazia na pata algo, apercebi-me que era um papelinho. Tentei tirá-lo com o máximo cuidado, após o que o pássaro regressou ao seu poiso, ao lado dos seus amigos de penas. Abri o papelinho e li-o, era uma simples frase

   

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E agora? Agora? Agora nada...afinal os pássaros é que mandam.