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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

29.11.19

desafio de escrita dos pássaros #12

Não hoje!


imsilva

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Calem-me esses pássaros 

Não quero ouvi-los

Nem esses, nem aqueles

Não quero ouvir ideias nem pensamentos

Não hoje, talvez amanhã

Que os dias são negros

Que os dias estão sem côr

Que os dias são de cansaço

De agruras e desencantos

E que carecendo de um abraço

Espero esperanças e virtudes

Para preencher um espaço

Que de escuro e frio peca

Na ânsia de um alento manso

E aqueles pássaros que não se calam...

27.11.19

Deus

Crentes (ou não)


imsilva

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Perguntaram-me, acreditas em Deus? e pronto lá vou eu escrever sobre o assunto.

Deus existe? Há quem diga que sim, há quem diga que não, há quem diga "tem dias".

A minha escola primária foi feita em colégio de freiras (em Espanha é muito frequente) e tinha missas e freiras fantásticas como professoras, mas por vezes, não chega. Como boa "realista" que sou, gosto de ter os pés bem assentes na terra, e ver com os meus olhos, ver só com a alma não chega.

O ser humano tem a necessidade de algo mais para além do terrestre, tem que ter alguém a quem pedir ajuda, ou alguém a quem culpar, quando a coisa não corre bem. Esse alguém tem que ser poderoso, e tem que poder mais do que aquilo que nós conhecemos, é o nosso escape e o nosso saco de pancada.

Não tenho por hábito dizer "graças a Deus" ou "se Deus quiser", digo sempre "felizmente", porque sinto que isso é pôr a responsabilidade em cima de outrem.

Na vida assistimos a coisas que nem vou mencionar aqui, para não ferir susceptibilidades, mas são coisas que me deixam a revirar os olhos, e a levar com alguns olhares enviuzados da minha mãe.

Apesar desta prosa toda, não posso dizer que não acredito, creio que Deus está lá, boquiaberto a olhar para o que fazemos, mas sem ter hipótese de pôr a mão, e a sofrer por isso. É aquela personagem com quem um dia gostaria de ter uma conversa, de preferência aqui, no plano terrestre. (mas não me parece que seja possível ).

22.11.19

desafio de escrita dos pássaros #11

Momentos familiares


imsilva

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A Tininha, com a fralda a transbordar de caca bem cheirosa que se farta, chora. Chora? não, grita!

O Chiquinho bate com o carrinho vermelho dos bombeiros no radiador, só para ouvir o maravilhoso barulho que faz. Música para os seus ouvidos.

A Ritinha põe o som da sua aparelhagem mais alto, para se sobrepôr a todos os outros barulhos já existentes naquela casa. Tem os fones avariados.

O Tareco, armado em homem (gato) aranha, anda por cima dos móveis mais altos, e volta e meia lá cai qualquer coisa ao chão onde se estilhaça, uma moldura com a fotografia de casamento dos papás, um jarro com duas rosas, uma taça de vidro (essa oferecida pela tia Amélia, a dona vai agradecer).

A Mica gane e esconde-se por baixo de mesas e cadeiras, assustada com o nível acústico que tomou conta da casa. A cadela vem de um canil, onde foi adoptada pela família, depois de maus tratos e abandono pelos antigos donos.

A mãe, ao telefone com a melhor amiga, queixa-se de não conseguir tomar um banho sossegada, e que está a centímetros de se passar completamente dos carretos.

O pai diz que vai para a garagem tratar da mota, porque se não sai daquela casa de malucos, não se responsabiliza pelos seus actos e quem vai ficar maluco é ele, e também já não falta muito para isso.

Ouve-se a campainha da porta (não sei como é que ouviram) e a mãe, ainda de telefone ao ouvido vai abrir. Um carteiro de olhar assustado, entrega uma encomenda e sai a correr, esbaforido, sem perceber o que se passa naquela casa, que ultrapassa longamente os decibéis permitidos por lei.

Da cozinha surge uma fumarada, que rapidamente alastra ao resto das dependências da casa, e que põe toda a gente aos gritos (mais ainda) e com olhos lacrimejantes. Esqueceram-se das torradas na torradeira, que tem o automático avariado, e agora são fatias de carvão.

E eu no meu poleiro, elevo os meus trinados a patamares nunca antes alcançados, só porque sim, não quero ser diferente dos outros.

Atenção! Isto não é todos os dias assim. Hoje é que saiu um bocadinhos dos eixos, que os meus donos até são porreirinhos e normalmente conseguem ter tudo sob controle.

Palavra de canário!

 

20.11.19

Puta da vida


imsilva

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Maria Eugenia,  a avó das complacências, dos abraços dos mimos e dos sorrisos. Não te deram tempo de veres os netos crescerem, e como eles vão sentir a tua falta. Eras a cola que tudo colava, eras o telhado que tudo cobria, eras o açúcar que tudo adoçava, e todos vão ter que reaprender a viver...Até sempre comadre, pela minha parte, vou fazer o meu melhor.

18.11.19

Lisboa nocturna


imsilva

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Estás fotos foram tiradas no sábado à noite,  a pensar em vocês,  principalmente nos que estão mais longe da capital. Só para saberem o que perdem. 😎

Ok. Eu sei que também têm coisas bonitas! Não precisam de chamar nomes.🥰

15.11.19

desafio de escrita dos pássaros #10

Já chegamos?


imsilva

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Éramos três

Já chegamos?

A viagem era de 12 horas

Tenho fome...

Quero ir à casa de banho...

 Vou vomitar...

Já chegamos?

Ainda não, durmam

Fechávamos os olhos e começávamos a dormitar com o trepidar dum automóvel dos anos 70, era o cheiro, eram os amortecedores, eram as estradas, tão diferentes do que são hoje. Era a grande paciência duns pais que 2 vezes por ano, aventuravam-se nesta louca viagem com 3 crianças no banco de trás.

Agora parávamos para comer, umas sandes, uns ovos cozidos, uns pastéis, que curiosamente deixaram saudades, depois parávamos para ir à casa de banho, que como por magia apareciam atrás duns arbustos ou árvores, e volta e meia para vomitar, e isso era em qualquer lugar à beira da estrada, e lá iam as sandes, os ovos e os pastéis.

Eram as férias de quem vivia fora do país, e fazia questão de voltar todos os Verões à terra natal, para matar saudades da família e dos amigos. Eram duas semanas que se tornavam curtas, perante o sacrifício daquela viagem.

Houve avarias impossíveis de arranjar longe de casa com 3 filhos pendurados, houve caminhos e estradas trilhadas a passo de caracol, rezando à Nossa Sra de Fátima pendurada no retrovisor do carro, e a uma Sta Teresinha que vinha na mala do carro, oferecida pela minha avó. Aqui contou muito a fé da minha mãe. E chegamos vivinhos da Silva ao destino, demoramos foi um bocadinho mais.

Mas o ponto alto foi sempre a chegada à nossa santa terrinha em território português. De vez em quando, ouvia-se a pergunta "já chegamos?" "está quase, dorme mais um bocadinho" e finalmente éramos acordados para vermos o sinal de chegada, um moinho, "o moinho" que nos dava a indicação de estarmos quase lá. Mais uns minutos e...já chegamos, já chegamos!!! 

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