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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

31.12.20

Esperança


imsilva

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Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano

Vive uma louca chamada Esperança

E ela pensa que quando todas as sirenas

Todas as buzinas

Todos os reco-recos tocarem

Atira-se

E

— ó delicioso voo!

Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,

Outra vez criança...

E em torno dela indagará o povo:

— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?

E ela lhes dirá

(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)

Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:

— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

 

Esperança de Mario Quintana, in “Nova antologia poética”

 

il. Inge Löök

 

 

30.12.20

Quando o sol nasce


imsilva

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Há muito tempo que não tirava uma fotografia ao nascimento de um novo dia.

Como as nuvens não têm estado colaborantes, aproveitei a aberta de hoje e tirei o penúltimo nascer do sol deste ano sem descrição. O ano da ficção cientifica, o ano do impensável, o ano que nunca imaginamos vir a ter.

Gostaria de escrever que o que estamos a passar, nos fez melhores seres humanos, mas não acredito nisso. Quem era boa pessoa vai continuar a ser, quem já não o era, não vai passar a sê-lo.

A passagem de ano é uma coisa simbólica que serve para nos orientar-mos no tempo, mas sempre foi sentida como algo enorme, como algo que tem que ser festejada por todo o alto, como se a vida de cada um dependesse disso, dum saltinho de um ano para o outro.

Para mim nunca foi muito disso, para mim é mais...o que é que virá aí? quais os acontecimentos que nos esperam neste novo ano? Estaremos felizes quando ele acabar? 

Prefiro fazer balanço do ano que acaba e aprender alguma coisa com os erros e com as coisa menos boas que ocorreram. Não que não repitamos os mesmos erros e os mesmos vícios, mas alguma coisa aprendemos sempre.

É como as resoluções que por norma se fazem ao inicio de um novo ano, eu prefiro ir fazendo o que posso e sinto que quero fazer seja em que altura do ano for.

Resumindo e concluindo: Vem aí um novo ano no calendário, e traz muita expectativa, muita esperança, muitas interrogações que gostaríamos de ter já respondidas, mas que vamos ter que esperar pelas respostas com uma paciência à prova de "vírus".

Tenham o melhor ano possível, que seja mais calmo do que este, que seja o ano dos afectos, dos beijos e dos abraços, do agarrar das mãos sem medos ou receios, o ano da estabilidade emocional.

FELIZ ANO NOVO!!!

23.12.20

Os nossos contos de Natal - 2020


imsilva

23.12.20

Que sejam Boas as Festas!


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Que haja um bocadinho de amor, de conforto e de alegria em todas as casas, em todos os corações 

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Que haja esperança e optimismo para o novo ano que aí vem. 

Que seja o ano das soluções, da volta à normalidade.

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Que seja o ano do regresso dos afectos físicos, dos abraços, dos beijinhos, das mãos apertadas e tocadas sem receios.

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                    Feliz Natal, sejam felizes!

  

21.12.20

Mais um conto de Natal


imsilva

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        Um pinheiro de luz

 

Era uma vez um pirilampo que gostava que a noite chegasse, para poder acender a sua luzinha e brilhar como faziam as estrelas que via no céu. 

Quando assim acontecia, iluminava à sua volta flores de várias cores e outros insectos como ele, mas que não tinham  a habilidade de dar luz, e assim, com ele podiam guiar-se melhor no seu caminho.

Num belo fim de tarde, luminoso mas frio, o pirilampo encontrou um pinheiro que parecia chorar, os ramos vergavam e as folhas descaiam em direcção ao chão.

O pirilampo perguntou-se o que levaria aquela árvore àquele estado. Não se fez de rogado e perguntou delicadamente se havia alguma coisa que pudesse fazer por ele.

O pinheiro estranhou o interesse (ninguém se interessara alguma vez por ele), mas respondeu que se sentia triste por não ser enfeitado com luzes e bolas coloridas como sabia que outros pinheiros eram.

O pirilampo sentiu pena da árvore e pensou que não era fácil satisfazer esse desejo, uma vez que a árvore se encontrava no meio de um pinhal, sem seres humanos que lhe pudessem acudir. Ao mesmo tempo começou a surgir na sua mente algo que começou a tomar forma e que se transformou numa ideia que ganhava força conforme o insecto mais pensava nela.

Disse à árvore que talvez lhe pudesse satisfazer o desejo e que voltaria não tarda nada.

O prometido é devido e pouco tempo passado, já tendo caído a noite, eis que o pirilampo voltou acompanhado de um grande grupo de amigos luminosos, que prontamente se espalharam pelos ramos do pinheiro.

A árvore não acreditava no que estava a acontecer, não cabia em si de contente quando viu as luzinhas que o preenchiam de cima a baixo.

Todo o pinhal rejubilou a assistir àquela imagem memorável, que ficou para sempre nas suas memórias.

Era uma imagem que foi avistada pelos humanos que viviam do outro lado do rio e que se perguntavam o que seria aquela claridade que viam ao longe.

Se pudermos ajudar os outros a serem felizes, seremos mais felizes também.

 

No âmbito do meu própio  desafio não resisti a escrever mais um conto (como mais alguns fizeram). E vocês, já escreveram o vosso?

17.12.20

As palavras de Neruda


imsilva

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Morre lentamente quem se torna escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos itinerários, quem não muda de marca, não arrisca vestir uma nova cor e não fala com quem não conhece, quem faz da televisão seu guia.
Quem evita uma paixão, quem não arrisca a certeza pela incerteza para correr atrás de um sonho, quem não se permite, pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente, quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Pablo Neruda

16.12.20

Palavras de uma Mãe


imsilva

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FILHO PREDILETO

Certa vez perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido,
aquele que ela mais amava.
E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu:
"Nada é mais volúvel que um coração de mãe.
E, como mãe, lhe respondo: o filho predileto,
aquele a quem me dedico de corpo e alma...
É o meu filho doente, até que sare.
O que partiu, até que volte.
O que está cansado, até que descanse.
O que está com fome, até que se alimente.
O que está com sede, até que beba.
O que estuda, até que aprenda.
O que está com frio, até que se agasalhe.
O que não trabalha, até que se empregue.
O que namora, até que se case.
O que casa, até que conviva.
O que é pai, até que os crie.
O que prometeu, até que se cumpra.
O que deve, até que pague.
O que chora, até que cale.
E já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:
O que já me deixou...
...até que o reencontre...

Erma Bombeck

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