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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

29.01.21

Recomeça - Miguel Torga


imsilva

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RECOMEÇA ❤️

Recomeça…
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És Homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

-- MIGUEL TORGA [Sísifo]

27.01.21

Castanho

Vamos pintar com palavras? #2


imsilva

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Castanho


Haverá pensamentos castanhos?
Os meus andam um bocado baralhados e sinto-os desbotados.
Pensei em castanho porque é a cor
de nada, não é preto, não é branco, não cativa, mas é a minha cor preferida.
Não tem a ver com os meus pensamentos,  mas sim com a cor que eu prefiro em objectos ou roupa.
Por vezes obrigo-me a escolher outras cores só para me contrariar.
Ou seja, não é simpático ter uma cor de que gosto em pensamentos desbotados.
Talvez não seja uma coisa má,  afinal se gosto da cor, talvez os pensamentos não sejam assim tão maus, talvez estejam só perdidos à procura de algum aconchego, de algum sentido.
Talvez eu os esbote com mais cores, e assim os entenda melhor. 

 

 

 

Texto no âmbito do Desafio caixa de lapis de cor

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26.01.21

Carta a um filho


imsilva

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Esta carta está guardada há mais de 35 anos. A minha 1º filha fez-se esperar duas semanas depois do fim do tempo, daí este meu desespero e vontade de que a gravidez chegasse ao fim. Estava em baixo de forma, animicamente falando. Aproveitei esta oportunidade para a tirar de uma pasta onde estava no escuro, e assim dei-lhe a luz que o tema permitiu.

 

Filho;

A mim já me conheces, pois durante 9 meses fizeste parte de todos os meus pensamentos e sentimentos.

Ao teu pai com certeza que também, pois é aquela pessoa que através de mim tomou conhecimento de ti e posso assegurar-te que também os seus pensamentos estão virados para a tua pequena pessoa que tantas vezes ele sentiu através da minha própria pele.

Sabes que te esperamos com impaciência e quase, quase desespero?

Não é que eu não goste de te ter dentro de mim, isso é algo de tão magnífico e fantástico, que nem se pode explicar ou dar a entender. Mas é que a altura passou a ser outra, queremos ver-te, tocar-te, pele a pele, começar-mos a viver a três, apesar de já o sermos há bastante tempo.

É porque assim fazes-me chorar, não por mal, mas porque provoca-me angustia não te ter cá fora.

Por favor filho, ajuda-me, acho que não estou a ter muita força nestes momentos finais em que me deveria sentir mais forte do que nunca, para te receber nos meus braços.

Espero que me possas compreender e desculpar por este pequeno desabafo, que no fundo vai cheio de amor e ânsia em te abraçar. 

                                                                                                     A tua mãe

 

Mais um desafio da nossa abelha

25.01.21

Ontem, hoje e... amanhã


imsilva

Ontem, a minha irmã recebeu o resultado de um teste, e foi positivo. Não está grávida, tem COVID19. Está bem, alguns sintomas ligeiros.

Ontem, saí de casa e fui votar. Votei sempre e nunca apanhei tanta gente a fazê-lo. Não entendo o porquê, porque a votação dentro das salas foi feita com rapidez, mas as filas eram enormes.

Ontem fui a casa dos meus pais, não ia há duas semanas, mas fui com os devidos cuidados, e através do telemóvel fiz vídeo chamadas para verem que a filha mais velha estava bem, e para se poderem despedir do neto (pelo telemóvel) que hoje foi para fora.

Ontem fiz o serão da praxe em noite de eleições, ouvi os discursos dos candidatos na televisão e sem grandes surpresas, para além das que já se esperavam...fiquei na mesma.

Hoje, despedi-me do meu filho que foi novamente para fora.

Hoje, preparo-me para juntamente com toda a família, cantarmos os parabéns ao meu pai à distância. Alguém irá com um tablet para nos ligar-mos todos e assim podermos por primeira vez, não estarmos presentes, mas celebrarmos de alguma maneira mais um ano.

Hoje, vou continuar em confinamento, em casa, com a ansiedade a espreitar e eu a fazer que não percebo.

Amanhã, vamos juntar a família num al moço que durará até à noite, e acabará com a canja da avó, antes de irmos para casa.  Riremos e faremos a confusão inerente à ocasião, como sempre.

Amanhã, juntar-me-ei com os meus amigos, darei beijos e abraços sem máscaras nem medos, sem empecilhos, só com amor e amizade.

Tal como ontem e hoje, amanhã nascerá o sol, e com uma esperança teimosa, espero que seja para todos.

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Ontem, hoje e amanhã, sinto-me pendurada...

22.01.21

"0 Natal é quando um homem quiser " parte 2


imsilva

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Caríssimos bloguers,
O projecto que se falou aqui na semana passada vai ser agora desvendado. Creio mesmo que já perceberam o que se pretende fazer,  juntar o maior número possível de contos de Natal (os já publicados nos blogs e os que poderão ainda escrever) e publicá-los em livro.
Será uma colectânea de contos de Natal escritos na blogosfera, mais que não seja, para ficarem para memória futura.
A equipa encarregue de os juntar, compilar, rever (não no aspecto de sintaxe mas tão somente alguma gralha indesejada) e mais tarde enviá-las a uma editora para publicar, seremos nós,  Isabel e José. 
É aqui que “a porca torce o rabo” pois vamos necessitar de provavelmente pagar as cópias que cada um de nós vai querer. Sei que alguns podem não ter a facilidade de dispor de dinheiro para este investimento , mas assumimos que também não será por isso que o livro não se publicará.
Até pode ser que apareçam alguns apoios culturais…
Portanto peguem nos vossos periféricos e toca a escrever, rever e a enviar para este mail  contosdenatal@sapo.pt   os vossos contos.

O prazo termina impreterivelmente a 31 de Março de 2021.


Ficamos à espera.

21.01.21

As palavras de Alexandre O'Neill


imsilva

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"Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte."

Alexandre O'Neill, in "No Reino da Dinamarca"
il. de Ilaria Zanellato

20.01.21

Azul marinho

Vamos pintar com palavras? #1


imsilva

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           Azul Marinho

Tinha um fato azul marinho. Porquê será que a maioria dos fatos dos cavalheiros são azul marinho?

Estava nervoso, ansioso, uma pilha de nervos.

Precisava daquele emprego, a vida estava ali, e ele precisava de a agarrar, de a levar para a frente, não podia deixá-la ir embora para outras paragens, não podia deixá-la desaparecer, era ali que ela devia de estar e ia fazer por isso.

Contavam com ele, e ele não os iria desiludir. Não era ele que importava, eram os outros, os que dele dependiam.

Verificou a pasta, estariam todos os papeis em ordem? Tinha-se esforçado por preencher tudo como deve de ser, como manda o figurino. Ele não podia desapontar quem nele acreditava.

Respirou fundo 2, 3 vezes, sacudiu o receio com 2 ou 3 piscar de olhos, e verificando mais uma vez o seu fato azul marinho, empurrou a porta e entrou no edifício.

 

Texto no âmbito do   Desafio caixa de lápis de côr 

 

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15.01.21

"O Natal é quando um homem quiser"


imsilva

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Carissima vizinhança deste cantinho à beira net plantado.

Vimos por este meio convidar-vos a um possível projecto que nós, Isabel Silva e José da Xã , pensamos ser interessante para os "nossos contos de Natal" que podem ver neste post
Para que tal tenha seguimento, será necessário que alinhem connosco.
Primeiramente, vamos pedir aqueles que tinham vontade de escrever um conto,  mas que não tiveram tempo, para o fazerem na mesma. Aqueles que não tinham sequer pensado nisso, e que estão a pensar agora, força.
Pensamos na data limite de 31 de Março para recebermos os vossos escritos.
Prometemos não vender as vossas histórias no mercado negro, nem fazermos contrabando em cartéis sul-americanos.
Prometemos tratá-las com amor e carinho, e no fim que resultem numa bela obra de arte.

Já que confinamos, confinemos com aproveitamento e arte.

Os contos deverão ser enviados para a seguinte caixa de correio electrónico: contosdenatal@sapo.pt

13.01.21

As palavras de Cecília


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Imagem, © Reni Wong

 

OU ISTO OU AQUILO

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

 

CECÍLIA MEIRELES, in OU ISTO OU AQUILO, (1964, Ed. Nova Fronteira, Brasil, 2002)






 

 

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