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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

Janeiro 09, 2021

imsilva

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Como é que um ano tão novinho pode já estar a fazer tanta porcaria???

Foi ao supermercado e encheu um carrinho com acepipes e tudo o que seria necessário para um fim de semana em família.

Estariam os 3 filhos e os netos em casa, teria que ser nesse fim de semana, pois um deles regressaria a casa noutro país, e uma vez que iriam ser 2 dias de confinamento em que ninguém iria trabalhar, iria ser para aproveitar ao máximo.

Mas...As coisas nem sempre são como gostaríamos, não é?

O namorado de uma das filhas é internado com suspeitas de COVID,  ou seja, uma baixa, porque essa filha já não vai lá para casa. O filho esteve com um amigo que acabou de saber que está positivo. E a filha que acabou de chegar com os netos, decide voltar para casa, porque o seu trabalho é com pessoas de idade e não quer dar hipótese de levar o bicho até aos seus utentes.

Chora a filha quando vai embora, chora o neto a quem disseram que ia passar uns belos dias com os avós e os tios, e chora a avó , porque os envolvimentos são muitos, e sente que lhe estão a comandar a vida, completamente.

E agora, quando poderão  reunir-se todos outra vez???

Ninguém merece!

Janeiro 08, 2021

imsilva

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A lareira estava apagada, triste, cinzenta, e o frio entrava pelas frinchas da porta e da janela.

Mas não se podia gastar a pouca lenha que havia e que tão necessária era à hora da janta, em que se cozia umas batatas e umas couves sobreviventes das geadas que ocorriam naquela altura do ano.

A casa era pequenina, só com duas habitações, a cozinha onde estava a mesa em que tudo acontecia, e o quarto com duas camas  onde todos se conseguiam aninhar, os pais e os três filhos.

O Natal tinha passado sem que dele dessem conta. Não havia festividades que entrassem naquele frio lar, onde tudo era escasso.

Nem sempre tinha sido assim, o pai sempre tinha trabalhado, ou nisto ou naquilo, os vizinhos chamavam-no para vários serviços a que ele acudia prazeroso. A mãe ajudava as senhoras das casas grandes nos seus afazeres domésticos, e nos tratamentos da roupa.

Mas agora, não havia quase vizinhos, restavam o Sr. Aurélio e a D.Gertrudes que se recusavam  a ir para casa dos filhos, e deixarem as suas raízes e a casa onde tinham criado os seus cinco filhos, mas que não deixaram de lhes dizer que eles sendo muito mais novos deveriam deixar a aldeia e ir em busca de outra vida, que a idade era outra coisa e enquanto os dois fossem vivos não tinham ensejo de sair para lado algum, que quando um faltasse, talvez...

Também as casas grandes já jaziam fechadas, embrulhadas em hera e outras ervas trepadeiras que quase tapavam as fachadas.

Os últimos tempos tinham sido conturbados. Ouviram falar de revoluções, de cravos e de mudanças de governantes, de reformas agrárias e de cooperativas, mas disso eles pouco ou nada percebiam. Só sabiam que as pessoas tinham deixado as suas vidas lá na terra, e tinham corrido atrás de promessas de melhores vidas nas cidades. Alguns havia que pareciam fugir de alguma coisa. Segundo diziam, lá na cidade era tudo mais fácil, que tudo estava à distância de dois passos.

Mas eles não quiseram sair do seu canto, da terra que amavam. Temiam as multidões, as modernices de que ouviam falar mas que não entendiam.

E os filhos cresciam, e os pais começavam a perceber que o seu futuro talvez não estivesse ali, que estava na altura de irem para uma escola aprender algo mais do que os pais tinham aprendido. Que talvez se pudessem preparar para algo mais , sem ser a luta diária que a terra dava para se viver. Mas depressa esqueciam tais dilemas quando voltavam à labuta diária, por pouco que esta rendesse.

Ao fim do dia, depois da parca refeição, olhavam um para o outro. Não estando habituados a conversar sobre a vida, ou não sabendo como fazê-lo, tentavam adivinhar o que o outro sentia, e assim iam vivendo.  

Quando o filho mais pequeno apareceu uma manhã com febres altas e completamente prostrado, foi quando decidiram que ali não faziam nada, que ali ficariam todos enterrados se não tomassem as decisões certas, isto se não fosse já demasiado tarde.

E acabou por chegar o dia em que fecharam a porta de casa, e com a claridade do dia a surgir por detrás do monte, fizeram-se ao caminho com os seus poucos haveres, o coração encolhido e a alma aberta para o que a vida lhes quisesse ofertar na linha do horizonte que viam à sua frente.

Janeiro 04, 2021

imsilva

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Quando as palavras faltam, fogem, refugiam-se num canto da alma, como as poderemos reaver?

Quando as procuramos, chamamos e declaramos que precisamos delas, onde as poderemos encontrar?

Faltam-me as palavras com que possa expressar sentimentos, com que possa entender o meu sentir

Será o meu cansaço que as esconde, será o meu desassossego que as afasta?

A minha intranquilidade que as afugenta, e as mantêm longe quando tanto as necessito?

Palavras procuram-se, ou será a vontade de as encontrar?

 

Janeiro 02, 2021

imsilva

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- E se o Ano Novo fosse um vento?
- Empurraria para trás tudo o que nos tira a paz.
- E se o Ano Novo fosse um mar?
- Seria maré vazia de ódio e cheia de fé.
- E se o Ano Novo fosse uma estrela?
- Seria luz pura na noite escura.
- E se o Ano Novo fosse um coração?
- Encontraria no amor a sua razão.

Elisabete Bárbara

ilustração de Juan Chavetta

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