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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

Outubro 29, 2021

imsilva

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Um beijo...

Senta-se numa esplanada, com um café à frente. Tinha tido uma conversa telefónica desagradável com a pessoa que supostamente se teria de sentir melhor, amando e a ser amada

Espraia os olhos pela paisagem que tem à frente, uma beira-mar com o sol a caminhar na água, e dá pela presença de duas pessoas aparentemente de idade respeitável, sentadas num banco não muito longe de onde ela própria está. Não ouvindo o que dizem, apercebe-se muito bem das suas expressões e gestos e tudo leva a crer que há muita atenção e carinho nos olhares.

Está encantada com os cabelos brancos do casal, com a echarpe em tons salmão da senhora, e a mão do senhor entrelaçada na dela.

E é quando acontece algo que lhe traz as lágrimas aos olhos, o senhor inclina-se em direção à companheira e delicadamente junta os seus lábios aos dela, onde ficam por um momento que parece eterno, tal a intensidade dos sentimentos transmitida.

E ela deseja um dia também ser beijada assim.

 

 

 

 

Arte e inspiração #7

Aquele beijo...

Outubro 27, 2021

imsilva

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                                     "O beijo"  -  Gustav Klimt

 

Aquele beijo...

Quantos anos passaram?

Quantos dias aconteceram a seguir?

Quantos mais beijos demos depois desse?

Como podem ser tão doces os lábios de alguém?

Depois daquele beijo, os sorrisos ficaram presos nos nossos rostos, e o brilho das estrelas nos nossos olhos. A perspectiva do amanhã ganhou outra cor, a expectativa do que poderia vir a seguir impôs- se nos nossas mentes, nos nossos desejos. 

Um simples beijo...é tanto!

Num simples beijo podemos pôr a alma, os sentidos, e a ânsia de algo grande que não sabemos descrever.

 Num simples beijo pode-se resumir o universo, quando ainda não sabemos que o universo é muito mais. 

Mas...aquele beijo,  foi o início de todos os outros que vieram e de todos os outros que ainda virão. 

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

 

 

 

Outubro 22, 2021

imsilva

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Loura e face que esfria
Cose, dobrada, à janela.
Se eu fosse outro pararia
E falaria com ela.

Mas seja o tempo ou o acaso
Seja a sorte interior,
Olho mas não faço caso
Ou não faz caso o amor.

Mas não me sai da memória
A janela e ela, e eu
Que se fora outro na história
Mas o outro nunca nasceu...

 

Fernando Pessoa

In Poesia 1931-1935 

Imagem: Momentary Glance by Morgan Weistling

Desafio "Arte e inspiração" #6

Diferentes infâncias

Outubro 20, 2021

imsilva

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                                                           O sobreiro - Rei D. Carlos de Bragança 

O avô contava ao neto as vezes que tinha esfolado as pernas a trepar àquela árvore. Até lhe contou, à laia de segredo, que era por isso que ela estava vergada e ela própria esfolada também. Era da quantidade de vezes que os miúdos subiam para os seus ramos. Mas, que tinha a certeza que também estava vergada pela tristeza que sentia por já não haver crianças que a quisessem trepar. Sentia, com toda a certeza, falta do calor dos seus braços e pernas, dos seus gritos de entusiasmo quando conseguiam chegar lá acima.

O avô perguntou ao neto se queria experimentar, o neto olhou para os ramos da árvore e não se sentiu muito seguro de que seria uma coisa correcta, nem era algo que  alguma vez tivesse feito ou que desejasse fazer, olhou para as suas calças e pensou no que a sua mãe diria se as esfolasse, para além da ansiedade que a ideia lhe provocava.

O avô, adivinhando os pensamentos do neto, teve pena das crianças que nunca saberiam o que era a liberdade de subir a uma árvore, e de esfolar um joelho que arderia como tudo, mas que daria tanto prestígio. Não tendo coragem de desafiar o neto para tal experiência,  mais por medo dos pais do que por outra coisa, deu a mão ao neto e voltando as costas ao secular sobreiro, continuaram o passeio pela bela e calma paisagem de uma pacata aldeia, tão longe e tão perto da buliçosa cidade onde as crianças não trepavam às árvores. 

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

Outubro 13, 2021

imsilva

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El sueño, Frida Khalo (1940)

De olhos fechados,  sonhei contigo. Miravas-me de um modo que eu não conseguia decifrar.  Pensei se seria amor ou se seria rancor, mas era com certeza um olhar intenso, um olhar perturbante.

Quis acordar, mas as pálpebras pesavam, não as comandava, não me obedeciam.

Senti-me a pairar algures numa outra dimensão, e com vontade de lá ficar. 

Foi quando o meu corpo estremeceu fortemente,  como se um choque eléctrico o tivesse percorrido. Senti o ar a invadir os meus pulmões e acabei por abrir os olhos, um sentimento de medo se apoderou de mim.

Ao abrir os olhos compreendi.

Afinal não eras a morte, mas sim a vida a chamar-me de volta.

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

 

Outubro 06, 2021

imsilva

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40 anos - Fátima Mano

 

Era o mundo dela, onde se podia perder e encontrar                                                                                  Onde ninguém podia transpor a barreira de intimidade do seu "eu" eterno e maldito

Era a ilusão vívida por cansaço, por abandono da verdade dos outros                                                   onde só a dela era validada, com a volúpia a pairar sobre os sonhos e a transmutar a realidade

Era o mundo dela, e não quereria outro...

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

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