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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

Março 24, 2023

imsilva

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Será a tristeza uma fraqueza? Ou será o condimento que dará à alma a força para tudo mais?

Será a impulsionadora para conseguirmos mais, ou será a derradeira pedra que nos afunda num poço?

Não creio que exista ser humano que não tenha a sua tristeza de estimação, aquela que em certos momentos acarinha e chama amiga, e noutras ocasiões, aquela a quem dá pontapés e manda embora aos gritos sem grandes resultados.

Mas, Srs. tudo com conta e medida. Faz parte da equação, é só fazer bem as contas e acaba por bater certo. É aquela que não nos deixa rejubilar em exagero, quando assim não convém, assim como é aquela que te ajuda a relativizar e a sentir que ainda há sentimentos bons a que nos aconchegamos, como se de um quente sol se tratasse.

Eu sinto-a como um velho casaco confortável, como a imagem no espelho com quem converso, e que conhecendo as minhas mágoas, me diz - Vai, vai descansada, eu guardo-as para ti, quando voltares vão estar à tua espera. Mas agora vai e esquece-as, por agora.

E eu, aproveito, e vou.

Há quem diga que ando "taciturna", talvez seja só a constatação do mundo que temos, quando já não somos tão jovens para andarmos com os amigos de borga, sem mais preocupações. É a constatação de que ao fim de tantos anos sabemos que não é fácil, aproveitamos o que podemos e confirmamos que há coisas que são mesmo assim.

Vinicius de Morais disse ; Tristeza não tem fim, Felicidade sim. Quem se atreve a desdizer...?

Março 21, 2023

imsilva

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Escrever poesia, como?

numa folha de papel

sem métrica nem leis

com o coração

com a emoção das coisas

com o sentir da vida

ouvindo os sons do mundo

Como escrever poesia ?

e se forem só palavras

palavras simples

numa folha de papel

 e isso sim, 

à sombra de uma árvore

com o cheiro da natureza

com folhas à nossa volta

e essas não de papel, mas de vida

Março 17, 2023

imsilva

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Foi numa segunda-feira que foi internada. Na terça disseram-lhe, amanhã. Na quarta, às 8 horas, levaram-na numa maca e ela deixou-se ir, estava nas suas mãos. Era a pessoa que mais importava naquele processo, mas os outros é que mandavam, e ela humildemente acatava as ordens e em silêncio obedecia.

Até que, decidiu contrariar. Queriam dar-lhe a anestesia epídural e ela queria que a pusessem a dormir. Eles insistiam, e ela teimosamente exigia anestesia geral. No fim, foi ela que venceu, e dormiu...

De longe ouviu qualquer coisa, alguém a chamava, e quando ouviu - olhe quem está aqui - fez um tremendo esforço para abrir os olhos, e antes de os deixar cair novamente, ainda teve tempo de ver o seu marido. Foi quando ouviu - está tudo bem, tem uma menina muito bonita -.

E enquanto se sentia em viagem numa maca de hospital, ainda de olhos fechados, ainda a planar algures, a sua alma, o seu coração, o seu ser, sorriam.

Março 15, 2023

imsilva

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Hoje passou-me pela cabeça uns pensamentos que não sei se serão mórbidos,  mas pensei, quantos anos me faltam? O que é que eu quero deixar de mim, que é que eu quero que as pessoas recordem quando pensarem em mim? O que sou como pessoa, como companheira, como mãe, como amiga?

Com todas as turbulências de um ser humano, com todos os quês e porquês da nossa essência, é difícil deixarmos um rasto limpo, bonito e agradável a 100%.

A esperança é termos feito qualquer coisinha bem feita e que a nossa recordação seja em bom, com bons sentimentos a acompanhar.

Mas, enquanto cá estou, convém portar-me bem. Ralhar menos, amar mais, abraçar e mimar os que me rodeiam e esconder o mau humor quando a coisa não corre bem, o que juro que não é fácil.

Entretanto, se eles, as minhas pessoas, se portarem bem (também convém) pode ser que recebam como herança uma chávena, uma caneca, quem sabe uma chaleira?

Será suficiente para se lembrarem bem de mim...?

Março 03, 2023

imsilva

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(…) Sabe o que dava jeito? Era a gente os dois nos combinarmos, está a perceber, Dona Luarmina?
- Ajuíze-se, Zeca.
- Faz conta somos verbo e sujeito.
- Já conheço essa sua gramática…
- A senhora, minha boa Dona, nem sabe quanto enriquece minha retina.

Mia Couto, in 𝘔𝘢𝘳 𝘮𝘦 𝘲𝘶𝘦𝘳
Imagem de Dianne Dengel (Nova Iorque, 1939- )

Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago

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