Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

27.11.20

As palavras de Cecília Vilas Boas


imsilva

20201126_190634.jpg

Imagem de Lisandro Rota (1946)

 

Acordei cedo, com o cantar dos pássaros
Que sobrevoavam a minha janela insistentemente
- Já vou! Disse...
Penteei os cabelos desgrenhados do sonho na noite
Assomei-me ao parapeito e dei-lhes de beber nas minhas mãos.

Os raios de sol aqueceram o meu corpo franzino
A aragem matinal fez-me uma carícia
Toquei as cores do dia, com os meus dedos.

Fechei a janela, guardei os sonhos numa caixinha
Estavam felizes, prometeram voltar ao cair da noite...
Tomei um duche perfumado e saí, nas asas dos pássaros.

Madrugada de Cecília Vilas Boas, in “O Eco do Silêncio”

 

12.11.20

As palavras de Alice Vieira


imsilva

1afef798e5c68e3e6a116731235ce266.jpg

 

AS ROMÃS DE NOVEMBRO

abriste a porta e disseste que
toda a casa cheirava a alfazema
enquanto largavas sobre a mesa
as romãs de novembro
e olhaste para as paredes da sala como se
por entre as estantes carregadas de livros
rompessem estevas urzes lilazes
abriste depois a porta do armário
procurando para as romãs um
prato do serviço de vista alegre que
querias sempre à tua espera mesmo que
o jantar se esquecesse no forno
alfazema repetiste
a palavra saboreada com o ar
de quem tinha deixado
o passado inteiro no elevador
e finalmente
encontrado o caminho de damasco
(.....)
*

ALICE VIEIRA, in OLHA-ME COMO QUEM CHOVE-Poesia (D. Quixote, 2018)

 

24.01.20

Poemas meus #5


imsilva

b4335dc243c01ce8e963a0d102322298.jpg

                       "MUNDO DESTINADO"

Alguém nasceu

algures no mundo

preparado para melhorá-lo ou destruí-lo

destinado a amá-lo ou a odiá-lo

e para o mundo será indiferente

porque seguirá o seu destino impassível

sem olhar para trás

sem dizer adeus

sem lágrimas por tudo 

o que deixa derramado a seus pés

sem alegria por aquilo que surgiu

sem carinho por aquilo que um dia foi seu

e que no fundo continuará sendo

por a mais ninguém poder pertencer

e eu choro

porque existe algo grandioso

que não se apercebe da sua grandiosidade

que é o princípio e origem

de toda e qualquer existência

fora e dentro destas paredes imaginárias

às quais não se conhecem limites

para além daqueles

que o bicho-homem-coisa-nada dá

e quando alguém morrer

para o mundo será indiferente

 

Foi um enorme prazer, partilhar estes tesourinhos com vocês. Estavam guardados num baú de memórias importantes para qualquer crescimento, e no meu foram muito importantes, foram palavras muito sentidas na època e foi interessantissimo trazê-las à luz dos vossos olhos e opiniões. Obrigada pela atenção que lhes prestaram.

 

23.01.20

Poemas meus #4


imsilva

c88bd12f6c63172bae0c0ce0ae76c601.jpg

Eu quero ir

não quero ficar

quero ir para longe ou para perto

na condição que seja para outro lugar

algum sítio onde as estrelas

apareçam de dia

e a relva seja vermelha

onde o sol brinque com a lua

confundindo-se a claridade e o Verão

com a escuridão e o Inverno

onde não haja gente

mas sim amigos

onde a vida não seja uma obrigação

mas sim um prazer

22.01.20

Poemas meus #3


imsilva

26712f810128e04d50a170479b2e5a73.jpg

                                              "CHORAMOS"

Choramos

sem ter uma razão verdadeira

choramos

porque somos fracos

choramos 

porque tememos

choramos

porque existe a cobardia

e o medo

não somos ninguém

e fazemos a "vida"

insignificantes seres no universo

com direito a mudar

e a sacrificar a "vida"

      

 

21.01.20

Poemas meus #2


imsilva

3fab525c8f051c56294e517da9d7a8d6.jpg

                                            "COBARDIA"

Sinto-me só

no silêncio do meu quarto

e o murmúrio do mar lá fora

um vendaval de pensamentos me envolve

no mais fundo do meu ser

no mais recôndito do meu consciente

mas eu não quero

eu tenho medo

medo das ideias aprofundadas

medo das conclusões tiradas

e medo de enfrentar lágrimas rebeldes

que me recuso a aceitar

prefiro vaguear no nada

e só ouvir o murmúrio do mar lá fora

 

20.01.20

Poemas meus #1


imsilva

d3c36e84a9e6ea468255dca595416171.jpg

Referi num outro post, uns poemas do meu tempo de adolescente. E acrescentei que se perdesse a vergonha publicava alguns. Pois bem, perdi a vergonha toda e aqui está o 1° de 5, a serem publicados durante está semana . Sejam bonzinhos, que a adolescência é uma época conturbada. 

Este, vai ser publicado na folha original.

20200119_220721.jpg