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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

21.12.21

O dia do encontro


imsilva

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No sábado, foi um dia importante.

Foi um dia de encontros, de emoções, e (quem diria) de autógrafos.

Não tivemos uma fila de gente à espera da nossa assinatura, (quem sabe um dia) mas os três (e companhia) que éramos, foi suficiente (poucos, mas bons) para fazer uma sessão emotiva e marcante.

Obrigada, José e Olga pela companhia neste percurso, e pela amizade.

Um beijo enorme! 🥰

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24.11.21

A vida depois de...


imsilva

 

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Ao ler um post do nosso vizinho pacotinhos de noção  fiquei com vontade de desabafar a minha frustração sobre o assunto.

Ainda há pouco falava com o meu marido sobre como vamos fazer este inverno. Temos um negócio, e no verão quando o trabalho nos escraviza, prometemos que no Inverno vai ser diferente, que vamos fechar à noite ou vamos ter mais dias de folga. Queremos ter vida, queremos ter tempo para nós, para fazer algo que nos dê prazer e paz, que nos faça sorrir e relaxar.

Todos os anos a conversa é a mesma e acabamos por não mudar nada, acabamos por ter um inverno com pouco tempo livre, e quando damos por isso estamos na primavera e começa a euforia do verão novamente sem termos modificado o "modus operandi".

Não há condições para o cidadão comum se reformar quando ainda tem energia e saúde para viver, para não ter obrigações e horários que ocupam a maior parte do dia. E quando fazemos contas para tentar perceber quanto poderemos vir a receber nessa altura, pomos as mãos na cabeça e percebemos que teremos ainda uns bons anos de trabalho pela frente.

Não temos condições de reforma decente e como diz o nosso vizinho, será que quando conseguirmos chegar lá, ainda estaremos cá?

E quando vemos as condições que as reformas prematuras de políticos e cargos de chefia em administrações, (algumas fraudulentas) têm, apetece enrolarmo-nos num canto e começar a chorar.

17.11.21

Sucata de Alice Vieira


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Sucata

o que levam das nossas vidas
as coisas velhas que deitamos fora porque
as casas são pequenas e os objectos
envelhecem agora mais depressa
do que nós

nas velhas casas
os lençóis de linho e as arcas de cânfora
e os serviços de chá onde se via
uma chinesa no fundo das chávenas
que um tio avô
tinha trazido de Cantão
sobreviviam sempre a todos os mortos
e passavam de cama para cama
e de sala para sala
e de mesa para mesa
e eram sempre os mesmos
e nós tão outros

mas agora tudo é feito
para morrer depressa e
sem deixar mágoa nem vestígio

e que fazem dentro das nossas vidas
gravadores de fita máquinas de escrever
cassettes onde aprisionámos
histórias momentos e rostos
que julgávamos eternos
e que pensávamos rever
a vida inteira

--o senhor da sucata estava feliz
agradeceu muitas vezes
enquanto amontoava tudo
deixando a minha casa
subitamente maior

(ou muito mais pequena
conforme o ponto de vista)"

Alice Vieira, Olha-me Como Quem Chove.

12.11.21

Idade, Anos, Vida


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 Quando acumulamos idade, anos, vida, sentimos o peso das vivências, da aprendizagem que fizemos ao longo do caminho, a montanha russa de sentimentos de que nunca mais descemos.

Até o olhar se modifica, passamos a olhar com mais condescendência, com mais compreensão, com muito mais paciência.

Aprendemos a não dar tantas opiniões, algo que fazíamos mais a miude, e aprendemos a respeitar o que os mais novos julgam que sabem, dando-lhes espaço para perceberem que nós já passamos por isso e já sabemos mais qualquer coisa.

Se pararmos para pensar um pouco no assunto, só nos podemos orgulhar do percurso feito. Já passaram esses anos todos? Como é que eu cheguei até aqui? Mas...eu sinto-me ainda uma adolescente à espera de mais alguma coisa!

A eterna insatisfação do ser humano, queremos sempre mais, apesar de não sabermos o quê. Mas se pararmos a olhar a nossa história, vemos muito mais, vemos experiências que hoje nem sabemos como passamos por elas, vemos que aquilo que hoje somos só pode ser graças ao que ficou para trás, mas que se encontra escondido num canto do nosso ser.

A idade, os anos, a vida, uma oferta preciosa que convêm aproveitar da melhor maneira possível.

13.10.21

Desafio "Arte e inspiração" #5

Limbo


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El sueño, Frida Khalo (1940)

De olhos fechados,  sonhei contigo. Miravas-me de um modo que eu não conseguia decifrar.  Pensei se seria amor ou se seria rancor, mas era com certeza um olhar intenso, um olhar perturbante.

Quis acordar, mas as pálpebras pesavam, não as comandava, não me obedeciam.

Senti-me a pairar algures numa outra dimensão, e com vontade de lá ficar. 

Foi quando o meu corpo estremeceu fortemente,  como se um choque eléctrico o tivesse percorrido. Senti o ar a invadir os meus pulmões e acabei por abrir os olhos, um sentimento de medo se apoderou de mim.

Ao abrir os olhos compreendi.

Afinal não eras a morte, mas sim a vida a chamar-me de volta.

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

 

22.09.21

Desafio "Arte e inspiração" #2

Estrelas e vida


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Stary night de Vincent Van Gogh.

 

Quando a 1º estrela apareceu, ela deu o 1º grito. a partir daí, as dores foram sempre aumentando até sentir que não aguantaria mais.

Entretanto, no céu, mais estrelas iam ocupando o seu lugar.

Quando sentiu que o seu corpo se desgarrava, fechou os olhos e deixou de sentir ou pensar por milésimos de segundo, para imediatamente se encontrar noutra dimensão, onde uma paz prevalecia.

Pacificamente abriu os olhos, para descobrir o milagre da vida. Um pequenino ser que respirava por 1º vez com os seus próprios pulmões, e que se lembrou de constestar a viajem que tinha acabado de fazer, exigindo tudo a que tinha direito.

Nesse momento, o céu estava já repleto de estrelas.

 

Texto no âmbito do desafio da  Fátima Bento.

10.09.21

Múrmurios


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Os múrmurios são tantos, surgindo de poços sem fundo

As vozes incomodas e sujas como as almas suspensas

O calor alaga os poros e os pensamentos derretem em líquido viscoso

Os movimentos são autónomos e incompreensíveis

O chão que pisamos vai e vem e por vezes desaparece, assustando-nos

O que somos? o que parecemos? o que será que queremos ser?

E é quando os múrmurios gritam e se exaltam

que realmente começamos a ouvir

Nós não somos, nós não parecemos

nós só queríamos ser...

27.08.21

Um pedaço da minha vida


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Quando o pensamento se esvai, e o cansaço impera

Quando a mente se nega a funcionar

A esperança faz a sua  aparição e nos canta uma canção de embalar.

Os dias estão magníficos!

Limpos e luminosos.  

É o Agosto a despedir-se, o verão a acabar.

Desde sempre que o Verão para mim foi sinónimo de trabalho. Desde os meus 13 anos que a época balnear foi de trabalho. Estudava de inverno, e trabalhava no Verão. 

Já casada e com 3 filhos, o meu marido trabalhava na restauração e eu numa loja, com dias diferentes de folga, quando chegava o mês de Maio era uma neura que me entrava e que eu não entendia. Depois percebi que era a época em que o meu marido passava a estar mais tempo fora de casa, em que os nossos horários se desencontravam completamente e isso mexia com o meu sistema nervoso.

Os meus últimos 2 anos de trabalho na loja, foram anos de crises de ansiedade e ataques de pânico. Foram 2 anos de ansiolíticos que foram resolvidos quando mudei de trabalho e passei a trabalhar com o meu marido.

Com os miúdos já crescidos e com a ajuda da minha mãe, essa mudança foi possível. Se assim não fosse, creio que o casamento não teria sobrevivido, cheguei a dizer ao meu marido " em Maio sais de casa e voltas em Outubro" Coitado, sofreu comigo, não fui fácil de aturar nessa altura.

Hoje pensei em sentar-me a escrever alguma coisa (tinha saudades) e saiu isto. Um desabafo da vida, uma vida como tantas outras com altos e baixos e contratempos que se vão resolvendo melhor ou pior, conforme as hipóteses que nos aparecem à frente.

Talvez, resumindo, não se pode desistir. Temos de ir à procura das soluções e mesmo parecendo que não estão lá, acreditar que é possível, que as vamos encontrar e seguir o caminho.

O Verão está a acabar, e eu vou voltar a uma vida mais normal, com tempo para escrever, ler, ver os meus netos mais vezes, passear e gozar de tempos livres.

Sejam felizes, assim ou assado, encontrem o caminho para lá, porque o sol nasce todos os dias!

20.08.21

O tempo de Rubem Alves


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Resta quanto tempo? Não sei. O relógio da vida não tem ponteiros.
Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.

(Rubem Alves---)