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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

29.09.22

Casamento, ou não...

Desafio das palavras sobre nós. semana #5


imsilva

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Ela está linda, mas não o sente. Sente-se à beira de um abismo.

Ela caminha com passos incertos, inseguros, passos que têm dificuldades em serem dados.

Ela crê que não terá coragem, apesar de ser a sua felicidade que está em jogo.

Ela sonha com uma simples hipótese de ter o seu sítio, o seu lugar e um amor que lhe dê companheirismo, amizade, uma mão que a ajude a subir montanhas ou a atravessar um rio. Ela sonha com um beijo a saber a mais, a saber a vida.

Ela sabe que o futuro não lhe sorri, ela julga saber que o amanhã não será dela. 

Ela para na sua caminhada pela nave, e deixa o seu olhar cair na figura que a espera.

Ela respira fundo, sentindo que o ar que entra não é suficiente. Ela sente que os seus pensamentos galgam barreiras e muros que julgava intransponíveis. Ela  acorda da letargia que a consome há muito tempo, e reage.

Ela olha, e o seu olhar diz tanto. Quem a mira percebe, reconhece o olhar de alguém que tomou uma decisão, e virando-se, pedindo desculpas silenciosamente, sem necessidade de palavras, dirige os seus passos no sentido contrário, apressados, decididos, sem qualquer dúvida ou medo.

Ela afinal sabe quem é, sabe o que quer e sabe o que não quer.

Ela sabe que não quer que a pisem, que a amarrem, que não olhem nos seus olhos, que não ouçam o que tem para dizer.

E ela sabe onde está o que quer, ela conhece o caminho que a pode levar até lá, e serenamente, confiante, é para lá que dirige os seus passos, desta vez sem coações ou constrangimentos. Desta vez com as suas certezas e desejos no comando.

Para trás fica o passado, fica o que ela não quer. 

 

Participação no desafio da Célia

07.09.22

Entusiasmo, precisa-se!

52 semanas de 2022 /Tema 36


imsilva

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O que me entusiasma neste momento, é a calmaria do Inverno que espreita já alí, ao virar da esquina.

É quase sentir o ar fresco e a necessidade de um casaco para me sentir aconchegada.

É a imagem e o calor de uma lareira acessa, emquanto a chuva bate nas vidraças da janela.

Não é o que entusiasmaria a generalidade das pessoas, mas quem disse que eu faço parte dessa generalidade?

 

Os desafios da abelha

05.08.22

O peso da vida


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A vida pode pesar toneladas, ao ponto de ser difícil dar passos, ao ponto de andarmos curvados, ou pode pesar como uma pena, ao ponto de andarmos a levitar, sem quase tocarmos no chão.

Creio que os adultos sentem mais a 1º versão do que a 2º. Quando vejo crianças a berrar por caprichos, sem razão alguma válida, penso sempre, "espera mais um pouco, cresce, e depois falamos".

Usualmente, andamos com os pezinhos no chão, sentimos as pedras do caminho, e se houver alguma fora do sítio, tropeçamos, correndo o risco de bater com os bonitos narizes no dito cujo (chão).

No entretanto, compramos bons ténis (não me atrevo a andar de sapatinho) e vamos caminhando, procurando um terreno mais liso, menos acidentado, na esperança de chegarmos ao outro lado com os menores danos possíveis.

Talvez seja melhor aproveitarmos os momentos menos arriscados para olharmos a paisagem, para respirarmos fundo, para deixarmos o peso por um bocadinho no chão e fazermos uns pezinhos de dança para aliviarmos a viagem.

Assim ou assado, com mais ou menos dificuldade, ultrapassemos e caminhemos...da melhor maneira possível.

03.08.22

Costurar (Janaína Cavallin)


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A gente podia poder costurar o tempo,
Bordando em cima dos erros
Para que eles sumissem.
Costurar as pessoas
Que gostamos pertinho.
Costurar os domingos,
Um mais perto do outro.
Costurar o amor verdadeiro no peito
De quem a gente ama.
Costurar a verdade
Na boca dos seres.
Costurar a saudade
No fundo de um baú
Para que ela
De lá não fuja.
Costurar a auto estima bem alto,
Pra que nunca ela caia.
Costurar o perdão na alma
E a bondade na mão.
Costurar o bem no bem
E o bem sobre o mal.
Costurar a saúde na enfermidade
E a felicidade em todo lugar ...

(Janaína Cavallin--)

29.07.22

Três meses de caminho sem ti


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E sem ti, mãe, continuamos a caminhar

Sempre à espera de te encontrar

ao virar de uma esquina, ou sentada a costurar

mas, estupidamente tu não estás

e nós continuamos a caminhar

e a perguntar; onde estás?

Falta-nos um pedaço, estamos incompletos

mas seguimos com um sorriso

precisamos de sorrir e assim

dar forças a quem as não tem

São três meses de estupefacção

de dúvidas e incertezas

de dor e tristeza

de uma tristeza serena 

que absurdamente se apoderou 

das almas e dos corações 

de quem te amou, de quem te ama

de quem te recorda, hoje e sempre!

 

22.07.22

Lar de Rosa Lobato Faria


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ROSA LOBATO FARIA, in O SÉTIMO VÉU (2003; Ed. ASA, 2017)

Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância.
Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.
Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger de degraus, um sussurrar de cortinas.
Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos.
Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura conhecida.
Lar é onde os objectos têm vida própria e as paredes nos contam histórias.
Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo.
Lar é onde nos amam.



 

13.07.22

O que alguém disse sobre mim que nunca esqueci

52 semanas de 2022 / tema 28


imsilva

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Curiosamente, há várias coisas que me ficaram na memória na altura em que estudava num colégio de freiras.

Tenho 1,72 de altura, mas habituei-me a andar sempre direita, graças a algo que uma das freiras do colégio uma vez disse; "Temos de andar sempre com a cabeça levantada, com as costas direitas. É assim que se enfrenta a vida quando não fizemos mal a ninguém "

Eu era muito magra, um palito, e quando me fui despedir da Madre Mercedes por virmos para Portugal de vez, sabendo que vinha para um sítio de praia, a Madre aconselhou-me a usar um fato de banho de mangas compridas. Claro que o disse a brincar, mas hoje não acho que tivesse sido muito bonito.

Uma outra freira, não me lembro qual, ralhou-me quando chamei a atenção para uma colega que não tinha recebido o enunciado que a Madre estava a distribuir. Levei um raspanete porque, segundo ela, não tinha que me meter nisso. A colega é que deveria ter reivindicado, não eu. Com o tempo fui-me controlando, mas ainda hoje sou um pouco assim, chamo a tenção para algo que pode não ter sido visto por outros. Por vezes faço um esforço para não me meter, desenrasquem-se!

Retratos, pedaços de vida numa época em que somos uma amostra de gente que absorve o que nos rodeia, em que damos os primeiros passos em sociedade, em que aprendemos que existem muitas cabeças pensantes e nós começamos a ser uma delas.

Os desafios da abelha

 

24.06.22

"Tire o pó"


imsilva

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"Minha avó disse:

Não deixe suas panelas brilharem mais do que você. Não leve tão a sério a limpeza da casa.

A vida é curta, divirta-se! 

Tire o pó, se necessário. Mas reserve um tempo para pintar um quadro ou escrever um poema, passear ou visitar um amigo, cozinhar o que quiser, regar suas plantas...

Tenha um tempo livre para tomar uma cerveja, nadar na praia (ou piscina), escalar montanhas, brincar com cães, ouvir música, ler livros, cultivar seus amigos e curtir a vida.

Tire o pó, se necessário, mas a vida continua lá fora. Você sabe que esse dia nunca mais voltará.

Tire o pó, se necessário, mas não esqueça que você envelhecerá e que muitas coisas que você pode fazer agora não serão tão fáceis de fazer na velhice. E quando você sair, já que todos iremos embora um dia, você também se tornará pó. 

E ninguém se lembrará de quantas contas você pagou, nem de sua casa limpa, mas eles se lembrarão de sua amizade, sua alegria e o que você ensinou."

 

Texto de autor desconhecido. 

22.06.22

Espírito, causas e consequências


imsilva

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Quando a nossa vida leva abanões e dá cambalhotas, algo muda, se modifica e altera sem que demos conta. Aparentemente somos os mesmos, a vida segue o seu curso, não mudamos de família nem de trabalho, mas o espírito muda, e só damos por isso quando notamos que alguns hábitos foram alterados e começamos a sentir falta deles.

Aquele pedacinho da manhã que passava a ler os blogues dos meus vizinhos e que inventava algo para publicar, desapareceu sem avisar para onde ia. Perguntei ao meu espírito se sabia de alguma coisa e ele respondeu-me, "deixa-me em paz"!

Pois é, o espírito tem vontade própria e consegue ser muito mal educado.

A verdade é que acontecimentos, causas e consequências são inevitáveis no nosso percurso de vida, resta-nos aceitá-los, guardá-los com mais ou menos carinho (dependendo dos danos) na caixinha das memórias, alguns num cantinho especial do coração, e outros ainda nunca sairão dos nossos pensamentos façamos nós o que fizermos.  

Mas a vida espreita e diz-nos "lembras-te do que te faz feliz, do que gostas de fazer?" e aí damos um raspanete ao espírito mal-criado, pomo-lo de castigo e seguimos com as nossas coisas felizes que tão bem coabitam com as lembranças, também felizes, que entretanto passaram a povoar a nossa alma.