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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

Novembro 04, 2022

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JOSÉ LUÍS OUTONO, in ENREDOS & OUTROS MARES (Ed. Esgotadas, 2021)

PREOCUPADO

Preocupado com tanto, que não entendo porquê.
Humanos, que não são humanos,
atitudes que são sinónimo de irresponsabilidades,
e o mundo cai.
Não chega este viver pandémico,
e o fogo também crepita.
As razões naturais são mínimas,
a vigilância antecipada ronda o nulo,
e tudo acontece.
Preocupado.
Gostaria tanto de ver, sentir, e saudar
o único calor da felicidade humana
mas até ele, o Sol pergunta porquê,
e está preocupado!
Até quando pergunta o lado da razão?
Deixa-te de histórias diz o lado oposto,
gritando que liberdade é um grito sem limites,
sempre que amanhece!

 

 

Novembro 02, 2022

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Tudo na vida se mistura, como na Natureza as folhas verdes e as folhas castanhas do Outono. Como os feitios assim e os assim assim, como os altos e os baixos, como os frágeis e os fortes. Como os que tudo sabem, ou julgam saber, e os que crêem não saber, mas tanto sabem.

Ingredientes da vida humana que mexendo, e tornando a mexer, fazem o que temos, o que somos e o que vivemos, com todas as cores a que temos direito.

O que dá cabo de mim!

52 Semanas de 2022 / Semana43

Outubro 26, 2022

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Nestes últimos tempos algo está a dar cabo de mim; Uma tremenda carga emocional algo pesada.

De onde vem isto? Talvez de algum cansaço laboral, talvez da atenção dada aos que estão à minha volta, talvez da saudade que não baixa, até pelo contrário, parece que cada vez mais não entendo porque não está. Talvez porque existe um pai que nos necessita e que nos preocupa dia a dia, porque só o dia a dia conta neste momento.

Sob uma sensibilidade extrema, vou caminhando, andando pelos trilhos, por vezes sobre brasas incandescentes, e nem uns dias de viajem com pessoas excepcionais, em maravilhosas paisagens conseguiu que a carga aliviasse. 

Não posso defraudar, não posso cair, tenho de seguir em frente na esperança que a carga alivie com o tempo de descanso que vem com o Inverno, e com mais uns dias de férias que se avizinham. Creio que assim será!

Mas, estou bem, este lado emocional é que podia ser mais simpático e portar-se melhor!

 

Participação do desafio da Ana de Deus

Desafio "Arte e inspiração" V2 #5

Num campo de papoilas

Outubro 12, 2022

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       Campo de papoilas de Claude Monet 

Num campo de papoilas te podes perder

Num campo de papoilas te podes encontrar

Num campo de papoilas podes brincar com a cor, com o vento, com o sol.

Num campo de papoilas podes pintar o prazer, o gosto de viver,  o cheiro da Natureza e a leveza do amor.

 

Participação no desafio da Fátima Bento

Casamento, ou não...

Desafio das palavras sobre nós. semana #5

Setembro 29, 2022

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Ela está linda, mas não o sente. Sente-se à beira de um abismo.

Ela caminha com passos incertos, inseguros, passos que têm dificuldades em serem dados.

Ela crê que não terá coragem, apesar de ser a sua felicidade que está em jogo.

Ela sonha com uma simples hipótese de ter o seu sítio, o seu lugar e um amor que lhe dê companheirismo, amizade, uma mão que a ajude a subir montanhas ou a atravessar um rio. Ela sonha com um beijo a saber a mais, a saber a vida.

Ela sabe que o futuro não lhe sorri, ela julga saber que o amanhã não será dela. 

Ela para na sua caminhada pela nave, e deixa o seu olhar cair na figura que a espera.

Ela respira fundo, sentindo que o ar que entra não é suficiente. Ela sente que os seus pensamentos galgam barreiras e muros que julgava intransponíveis. Ela  acorda da letargia que a consome há muito tempo, e reage.

Ela olha, e o seu olhar diz tanto. Quem a mira percebe, reconhece o olhar de alguém que tomou uma decisão, e virando-se, pedindo desculpas silenciosamente, sem necessidade de palavras, dirige os seus passos no sentido contrário, apressados, decididos, sem qualquer dúvida ou medo.

Ela afinal sabe quem é, sabe o que quer e sabe o que não quer.

Ela sabe que não quer que a pisem, que a amarrem, que não olhem nos seus olhos, que não ouçam o que tem para dizer.

E ela sabe onde está o que quer, ela conhece o caminho que a pode levar até lá, e serenamente, confiante, é para lá que dirige os seus passos, desta vez sem coações ou constrangimentos. Desta vez com as suas certezas e desejos no comando.

Para trás fica o passado, fica o que ela não quer. 

 

Participação no desafio da Célia

Entusiasmo, precisa-se!

52 semanas de 2022 /Tema 36

Setembro 07, 2022

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O que me entusiasma neste momento, é a calmaria do Inverno que espreita já alí, ao virar da esquina.

É quase sentir o ar fresco e a necessidade de um casaco para me sentir aconchegada.

É a imagem e o calor de uma lareira acessa, emquanto a chuva bate nas vidraças da janela.

Não é o que entusiasmaria a generalidade das pessoas, mas quem disse que eu faço parte dessa generalidade?

 

Os desafios da abelha

Agosto 05, 2022

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A vida pode pesar toneladas, ao ponto de ser difícil dar passos, ao ponto de andarmos curvados, ou pode pesar como uma pena, ao ponto de andarmos a levitar, sem quase tocarmos no chão.

Creio que os adultos sentem mais a 1º versão do que a 2º. Quando vejo crianças a berrar por caprichos, sem razão alguma válida, penso sempre, "espera mais um pouco, cresce, e depois falamos".

Usualmente, andamos com os pezinhos no chão, sentimos as pedras do caminho, e se houver alguma fora do sítio, tropeçamos, correndo o risco de bater com os bonitos narizes no dito cujo (chão).

No entretanto, compramos bons ténis (não me atrevo a andar de sapatinho) e vamos caminhando, procurando um terreno mais liso, menos acidentado, na esperança de chegarmos ao outro lado com os menores danos possíveis.

Talvez seja melhor aproveitarmos os momentos menos arriscados para olharmos a paisagem, para respirarmos fundo, para deixarmos o peso por um bocadinho no chão e fazermos uns pezinhos de dança para aliviarmos a viagem.

Assim ou assado, com mais ou menos dificuldade, ultrapassemos e caminhemos...da melhor maneira possível.

Agosto 03, 2022

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A gente podia poder costurar o tempo,
Bordando em cima dos erros
Para que eles sumissem.
Costurar as pessoas
Que gostamos pertinho.
Costurar os domingos,
Um mais perto do outro.
Costurar o amor verdadeiro no peito
De quem a gente ama.
Costurar a verdade
Na boca dos seres.
Costurar a saudade
No fundo de um baú
Para que ela
De lá não fuja.
Costurar a auto estima bem alto,
Pra que nunca ela caia.
Costurar o perdão na alma
E a bondade na mão.
Costurar o bem no bem
E o bem sobre o mal.
Costurar a saúde na enfermidade
E a felicidade em todo lugar ...

(Janaína Cavallin--)

Julho 29, 2022

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E sem ti, mãe, continuamos a caminhar

Sempre à espera de te encontrar

ao virar de uma esquina, ou sentada a costurar

mas, estupidamente tu não estás

e nós continuamos a caminhar

e a perguntar; onde estás?

Falta-nos um pedaço, estamos incompletos

mas seguimos com um sorriso

precisamos de sorrir e assim

dar forças a quem as não tem

São três meses de estupefacção

de dúvidas e incertezas

de dor e tristeza

de uma tristeza serena 

que absurdamente se apoderou 

das almas e dos corações 

de quem te amou, de quem te ama

de quem te recorda, hoje e sempre!

 

Julho 22, 2022

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ROSA LOBATO FARIA, in O SÉTIMO VÉU (2003; Ed. ASA, 2017)

Lar é onde se acende o lume e se partilha mesa e onde se dorme à noite o sono da infância.
Lar é onde se encontra a luz acesa quando se chega tarde.
Lar é onde os pequenos ruídos nos confortam: um estalar de madeiras, um ranger de degraus, um sussurrar de cortinas.
Lar é onde não se discute a posição dos quadros, como se eles ali estivessem desde o princípio dos tempos.
Lar é onde a ponta desfiada do tapete, a mancha de humidade no tecto, o pequeno defeito no caixilho, são imutáveis como uma assinatura conhecida.
Lar é onde os objectos têm vida própria e as paredes nos contam histórias.
Lar é onde cheira a bolos, a canela, a caramelo.
Lar é onde nos amam.



 

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