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pessoas e coisas da vida

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26.07.19

Carta à minha avó


imsilva

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Avózinha, foste embora e deixaste-nos a olhar uns para os outros, com cara de parvos que não acreditam que desta vez é que foi. Deixaste-nos uma dorzinha cá dentro a crescer, a fazer-se cada vez maior, até não sabermos o que fazer com ela.

Como é que vamos fazer agora? Saber que já não estás ali ao lado em casa da tia, que por sinal ficou de rastos com um vazio que perdurará provavelmente até aos fim dos seus dias.

Eu não ía muitas vezes lá a casa, porque achava que tinhas sempre tanta gente de roda de ti, que à roda tenho eu a certeza que ficava a tua cabecinha, apesar de nunca te queixares e de adorares ver toda a gente, a tua familía que dizias sempre que era a mais linda do mundo.

Mas enfim, eu sabia que estavas bem entregue, e melhor eu nunca poderia fazer. Perdoas-me esta história das não visitas, não perdoas? Obrigada minha querida, tenho a certeza que o nosso amor e carinho por ti, nunca foram , nem serão postos em causa, assim como o teu nunca o foi também.

Esperemos que um dia possamos encontrar-nos algures, num sítio em que tu acreditavas e que eu espero que exista. Poder ver a tua carinha amorosa outra vez, com aqueles olhos lindos que condiziam tão bem com o teu sorriso.

Fico à espera (esperamos todos) por esse momento.

Um beijinho da tua neta.

 

Esta carta foi escrita em 2001, por mim, e nunca imaginei que a partilharia. Vocês devem de ser mesmo especiais para merecerem uma honra destas.

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