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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

16.04.21

O Colar


imsilva

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O colar de pérolas

Olhou para a caixa de veludo azul que se encontrava em cima da mesa, e as recordações assaltaram-na.

Recordou o dia em que o marido lha tinha oferecido, o dia em que tinha chegado a casa com a filha ao colo, acabadas de chegar da maternidade.

Recordou as várias ocasiões felizes em que o tinha usado. Festas de aniversário, de Natal, no casamento dos filhos e sempre que lhe apetecia sentir a maciez e a frescura das suas pedras. 

Tinha sido uma vida feliz, tal como essas ocasiões. Não se podia queixar. Talvez só do facto de ter ficado sozinha cedo demais, sem poder usufruir do amor do seu companheiro até ao fim da sua vida, ele tinha partido primeiro.

Sentindo o aconchego que todas essas memórias lhe tinham trazido, levantou-se e vestindo o seu bonito casaco branco de caxemira, pegou na caixa de veludo azul e saiu de casa.

Conduzindo o seu pequeno e fiel automóvel, dirigiu-se a casa da filha. Quando entrou, foi recebida pela euforia e movimentação que lá reinava, o que não era de estranhar, já que o dia assim o exigia.

As netas vieram ao seu encontro e deram-lhe um rápido beijo e correram escadas acima.

Um serviço de catering preparava as mesas com acepipes e aperitivos para todos os gostos, destinados aos convidados que em breve chegariam.

Quando encontrou a filha, esta recebeu-a com um abraço e juntas subiram as escadas até ao quarto de Leonor, a sua neta mais velha.

Ao chegarem lá, os olhos da avó vidraram-se e ficou sem palavras. Leonor estava belíssima com o seu vestido branco de renda, que na sua simplicidade, brilhava mais que qualquer vestido de princesa.

Avó e neta abraçaram-se já com as lágrimas a cair, e a senhora mais velha abriu a sua mala e retirou de lá a caixa de veludo azul. Abrindo-a, tirou o colar de pérolas que a tinha acompanhado grande parte da sua vida, e colocou-o à volta do pescoço da neta. - É para ti meu amor. Que vivas com ele momentos tão felizes como eu vivi.

Leonor virou-se para o espelho, e delicadamente tocou naquelas pérolas que tantas vezes vira no pescoço da avó.

E através do espelho, trocou olhares com aquela pessoa que sempre tinha tido ao seu lado, a apoiá-la em tantos momentos durante a sua curta vida, e não foram precisas palavras.

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