Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

09.12.20

O meu conto de Natal


imsilva

06666de4b7d5336d90b12741a5f2ac60.jpg

Esta é a minha participação no meu próprio  Desafio

 

Um pinheirinho feliz

 

Era pequenino, raquítico e com pouca folhagem.

Estava sózinho, nem sabia como tinha ido lá parar, os outros pinheiros estavam mais afastados.

Era pequenino e sonhava em ser maior e brilhar numa sala qualquer, de uma daquelas casas que se viam ao longe. Não sabia de onde lhe vinha aquela ideia, mas sabia que era uma ideia fixa.

Entretanto, numa daquelas casas que se viam ao longe, uma família pensava nas decorações de Natal daquele ano.

  -  Pai, quando vamos buscar a árvore de Natal?  -  perguntou o Pedro

  -  Depois do almoço podemos ir dar um passeio e ver se encontramos alguma que nos agrade  -  respondeu o pai

  -  Mas pai, não podemos cortar pinheiros assim sem mais nem menos  -  disse Andreia, a irmã mais velha do Pedro.

  -  É verdade, por isso vamos ali ao terreno do Sr. Eduardo que ofereceu para quem quiser poder escolher um pinheiro, porque precisa de limpar aquela terra para uma construção que precisa de levantar.

  -  Que bom!  -  responderam em uníssono o Pedro e a Andreia.

Depois de um bem disposto almoço, e da louça estar toda arrumada, a família vestiu casacos, cachecóis, gorros e dirigiram-se ao terreno do Sr. Eduardo.

Havia realmente umas quantas árvores, umas grandes, outras enormes que nem caberiam lá em casa, e todos procuraram aquela que seria a ideal.

Entretanto o Pedro que se tinha afastado um pouco, chamou-os muito entusiasmado.

  -  Pai, mãe, Andreia, venham cá!

Quando a família chegou ao pé dele, viram um pinheirinho e um entusiasmado Pedro de olhos brilhantes, a olhar para ele.

  -  Pai, não é lindo?

O pai e a mãe olharam um para o outro, depois para a pequena árvore e responderam que talvez fosse pequeno demais, já para não falar do feio que era sem quase folhagem alguma, mas isso não disseram em voz alta.

A Andreia deu uma volta ao pinheiro, franziu o nariz e olhou para o irmão.

  -  Ó Pedro, não achas que está um bocadinho despido demais? Onde vamos pendurar todos os nossos enfeites numa árvore assim?

  -  Não precisamos de pôr todos os enfeites, podemos pôr só os preferidos, aqueles mais importantes.  -  respondeu o petiz quase com lágrimas nos olhos  -  Por favor, vamos levar este...

Não entendendo o porquê, mas vendo o sentimento posto no pedido do Pedro, não houve coragem para o negar, e acabaram por levar o pinheirinho para casa.

Já colocada no canto da sala, a pobre árvore quase não ocupava espaço algum. Depois de colocarem um único jogo de luzes, o Pedro escolheu os enfeites que gostava mais, como por exemplo o urso e o esquilo brancos que a avó lhes tinha oferecido num ano, o duende verde que lhes tinha dado noutro, ou a fotografia de família numa pequena moldura que penduravam todos o anos.

O resultado ficou um pouco aquém do que era habitual, mas a felicidade do rapaz era tão grande que ninguém disse coisa alguma.

Quando se foram deitar o sorriso de Pedro dizia tudo.

No dia seguinte quando a família acordou, à medida que passavam à porta da sala, iam ficando especados à porta a olhar lá para dentro. 

Quando o Pedro, que foi o último a acordar os viu, ficou curioso com o que estaria a acontecer, e furando entre o pai e a mãe olhou lá para dentro e não acreditou no que via.

O pinheirinho estava lindíssimo, recheado de belos ramos com belas folhas pontiagudas verdíssimas.

Foi um mistério que ficou para a história daquela família, mas eu posso vos contar que aquilo não foi mais que a felicidade do pinheirinho ao ver realizado o seu desejo de brilhar numa sala qualquer, de uma daquelas casas que se viam ao longe.

37 comentários

Comentar post

Pág. 1/2