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pessoas e coisas da vida

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11.06.19

Os nossos velhotes


imsilva

 

 

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Desculpem, os nossos velhinhos, idosos, usados, anciãos, enfim o que lhes quiserem chamar.

O que podemos fazer quando aqueles que foram a nossa referência, de trabalho, de energia, de resoluções, de pessoas, aqueles de quem dependíamos, passam a ser dependentes de nós? Quando os vemos perder a energia, as resoluções, quando vemos que já não conseguem sozinhas viver no seu canto, entre as suas coisas, nos seus domínios que sempre dominaram tão bem? Quando estamos com o nosso tempo ocupado com o trabalho, muitas vezes dando ainda uma ajuda aos descendentes, e vemos como os nossos ascendentes precisam de nós? Como fazer?

Não há fórmulas mágicas, nem soluções perfeitas, cada um vai ter que resolver à sua maneira, e não vai ser à maneira da prima ou do vizinho do lado. Mas é assustador!

Eles merecem o nosso melhor, por todos os motivos e mais alguns, viveram conforme puderam e os deixaram, lutaram, sofreram, celebraram, deram o que tinham e o que não tinham para nos criarem, e alguns, muito pouco descansaram (porque não sabiam que podiam descansar).

Alguns de nós deram alegrias e satisfações, outros deram preocupações, e outros ainda verdadeiros desgostos, mas eles continuaram de pé, sem desistir, e a fazer tudo o que podiam para continuar a viver, muitas vezes sabe Deus como!

Estou-me a referir, a uma certa geração, porque os futuros “velhotes” já souberam e tiveram a oportunidade de viver de outra maneira, sem os apertos e amarguras de outros tempos, mas não sem as preocupações e os desgostos, que esses são transversais no tempo.

Estou a falar da geração dos meus pais, que cresceram e viveram em meios onde não aprenderam a relaxar e a apreciar a vida à volta, alguns ainda conseguiram fazê-lo, mas mais tarde (porque não sabiam que o podiam fazer) .Estou a falar das pessoas que agora têm 80 ou 90 anos.

E quando faltar o comando, como vamos fazer?. Será que vamos ter a disponibilidade que eles tiveram quando tomaram conta de nós? Dificilmente. A situação, por muito que tentem comparar, não tem qualquer tipo de comparação. Uma criança não é um “velho”, mudar uma fralda a um bebé, não é mudar uma fralda a um “velho”. Desculpem-me os mais sensíveis, mas a realidade é essa, mesmo sendo os nossos “velhotes”.

Sinceramente, tenho medo, muito medo, não quero vê-los dependentes, nem quero imaginar tal situação, tenho medo de a não saber resolver, e falhar-lhes.

Quando chegar o momento, vai ser uma das nossas responsabilidades, e não vamos poder descartá-la, nem a eles.

 

 

 

3 comentários

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    imsilva

    14.06.19

    Os meus pais dizem que querem ir para um lar, eu acho que o dizem só para não nos cairem em cima. Gostaria que os lares fossem melhores, que pudessem ser extensões das suas casas, mas não são. E os que são razoáveis são caríssimos. Mudar- lhes as fraldas, creio que vai ser mais difícil para eles do que para mim. É triste que no fim de uma vida activa, a dignidade seja afectada dessa maneira. É o que sinto em relação aos meus pais. O futuro vai decidir como vai ser.
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    Bla bla bla

    14.06.19

    O lar da minha bisavó era muito bom sem ser caro, mas não era em Lisboa... A parte das fraldas é sempre pior para os velhotes sim, temos na cabeça que não é dignificante mas faz parte da vida.
    Sei que é uma preocupação grande, percebo perfeitamente, mas o facto dessa preocupação existir é sinal de que são importantes e que chegada a altura agirás como tal.
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