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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

O homem do mar

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Janeiro 09, 2026

imsilva

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Recentemente, este senhor foi implantado no nosso largo das ribas que dá para a praia dos pescadores.

A homenagem aos homens desta terra, que enfrentaram as agruras do mar para sustentaram as famílias, para que houvesse pão nas mesas.

A Ericeira foi uma terra onde se pedia fiado no inverno, e pagava-se no Verão. Hoje, felizmente já se ganha a vida das mais variadas maneiras. O comércio espandiu-se e a vila vive de muitas outras coisas.

Creio que esta homenagem ao homem de pele curtida pelo sol e pelo sal do mar, é merecida.

Conversas felinas

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Dezembro 19, 2025

imsilva

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A Angie e a Mallu encontraram-se no mesmo sofá e encetaram uma converseta.

- Já viste a árvore que puseram aqui na sala?

- Se já vi? Já mandei uns laços ao chão e ouvi ralhar, imagina se já vi.

- Eu nem me aproximei, acho aquilo muito colorido, um bocadito assustador.

- Claro, caramba, parece que tenho de te explicar tudo. Aquela árvore é uma árvore de Natal. Os humanos na época de Natal põem uma árvore dentro de casa e enfeitam-na com todas as coisas coloridas que encontram, depois pedem coisas, uns ao menino Jesus, outros ao Pai Natal, coisas essas que aparecem no dia 24 à noite.

- O quê? pedem coisas e elas aparecem? Ó pá, então temos de aproveitar! O que é que tu queres pedir? Eu vou pedir um arranhador maior e uns gafanhotos com que me deixem brincar, já que não me deixam com aqueles que eu arranjo no quintal.

- Eu já sei o que hei-de pedir também! Vou pedir para deixares de ser tão PARVA!!!

À espera...

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Dezembro 05, 2025

imsilva

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Já foram apanhar sol, já desempoeiraram e agora estão à espera. São grandes, médios e pequenos, alguns mesmo pequenininhos, e agora estão  à espera...

À espera de um sítio onde ficar este Natal. Pode ser um canto da sala ( se forem grandões) ou em cima de um móvel e a fazer companhia aos livros.

Todos os anos encontro o sítio certo para cada um deles (perto de trezentos), mas já não consigo essa proeza. Teria que tirar muitos livros das estantes, e alguém um dia disse-me que achava muito "scary"! Olhei o panorama com outros olhos e concordei. Passei só a pôr alguns, os mais giros, os que me diziam mais, e assim foi reduzida a minha exposição de Pais Natal.

Este ano ainda não comecei a espalhar, ainda estão à espera...

Novembro 21, 2025

imsilva

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Não sou de jogos de estratégia, mas hoje apanharam-me. Almoçarada com amigos e o sempre presente (para eles), jogo Catan, veio para desafiar os inocentes e ignorantes que não têm este hábito.

Só depois de estar no meio da brincadeira e das risadas é que percebemos que também precisamos disso. Nós, que passamos os dias no stress e na preocupação de 54 coisas ao mesmo tempo, descobrimos que podemos passar sem essas mesmas preocupações,  descontrair e fingir que as ditas cujas não existem, mesmo sabendo que amanhã estarão lá à nossa espera, sentadinhas à porta do quarto, a espera que abramos os olhos e nos espreguicemos.

Preciso, talvez precisemos todos de descontrair mais, de rir mais, de deixar 53 das preocupações,  e  ficar só com uma, a mais pequena, a mais leve, a que nos incomode menos. Isto só para não dizermos que não temos preocupações. Acredito que fica mal tal afirmação. 

Desmoronar

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Novembro 15, 2025

imsilva

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Quando com os netos brincamos a equilibrar cadeiras, para um dia conseguirem equilibrar acontecimentos, emoções, sentimentos baralhados a precisarem de uma estrutura forte para não desmoronarem.

Será suficiente para a sua vida? Com certeza que não, mas se servir para perceberem que mesmo com muita vontade e sacrifio as coisas podem desmoronar e não é por isso que devemos desistir,  já valeu a pena. 

A vizinhança

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Novembro 07, 2025

imsilva

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A D. Clotilde estava a par de tudo, tudinho, o que acontecia pela Rua da Esperança. Conhecia de ginjeira toda a vizinhança e todos os cadilhos que por lá aconteciam.

O Sr. Aurélio corria com quem se aproximasse da sua casa, fossem carteiros, testemunhas de Jeová, vendedores da banha da cobra ou os que tanto insistiam na mudança da empresa da electricidade, nem que isso fizesse com que não pagasse, ou até os que recorrentemente batiam à porta para que assinasse a televisão por cabo de que todos falavam, menos ele, que não queria mais do que a televisão que tinha. A D. Clotilde de tudo isso sabia.

A D. Margarida depois de ficar viúva, queixava-se da solidão, dos achaques na saúde, da falta dos filhos que nunca teve, e ia tratando de todos os gatos que lhe apareciam à porta. A D. Clotilde de tudo isso sabia.

O casal ao lado, com 4 filhos ainda pequenos, andavam sempre carregados de compras, o que é perfeitamente válido com tantas bocas a alimentar, e a tentar que os petizes não gritassem tanto enquanto olhavam à volta para ver se os vizinhos estavam à vista a fazer cara de quem não gosta. A D. Clotilde de tudo isso sabia.

Ainda havia o casal da ponta que de vez em quando se ouvia na rua inteira. Já não sabia quem gritava mais, se ele, se ela, era uma competição desenfreada. Os vizinhos, com muita diplomacia, já tinham tentado chamar a atenção para o desassossego que isso provocava, uma vez que ninguém tem nada que saber dos problemas que cada um tem em casa. No dia em que se percebesse alguma coisa mais pesada, teriam que intervir mesmo.

A D. Clotilde de tudo isso sabia, e assim seguia com a sua vidinha, que não era mais que vigiar esta pequena rua. Era a sua novela da manhã, da tarde, e por vezes do inicio da noite. Quando ia para a cama, imaginava aqueles lares e o seguimento das aventuras que de dia dava conta. A D. Clotilde vivera anos a tomar conta dos pais, primeiro do pai quando teve o AVC, e mais tarde da mãe quando o amigo Alzheimer foi entrando sorrateiramente nas suas vidas. Logicamente a D. Clotide não soube o que era ter vida própria, e agora já era tarde para rectificar as falhas que isso provocou no seu "eu". Antes de adormecer, pensava se no dia seguinte iria haver alguma novidade na Rua da Esperança e desejava que o dia depressa chegasse. 

No fim da ponte

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Outubro 24, 2025

imsilva

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Andamos por ruas e pontes da vida, na espera de encontrar algo de significativo no fim delas. Queremos melhor, e nem sempre preparados para o pior.

O caminho tem momentos felizes e outros duros com pedras e árvores tombadas no sítio onde teríamos que passar. Mas, vamos ultrapassando, umas vezes com ajuda, outras com a força de vontade de quem sabe estar sozinho.

No fim, vale a travessia, a beleza da paisagem, as flores colhidas que resistem entre os pedregulhos, a sabedoria recolhida no caminho, sabendo que fizemos o possível para lá chegar com o mínimo de sequelas.

A menina que queria voar

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Outubro 17, 2025

imsilva

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Era uma vez uma menina, triste como a noite. Sentia como um vazio a preencher-lhe o peito, os olhos pediam mais, o que tinham à vista não chegava. Até as palavras eram insuficientes, não existiam fontes que lhe fornecem-se mais. E a menina vivia na expectativa, na esperança que algo viesse ao seu encontro. Queria o que não conhecia, o que não tinha, o que não sabia. E naquele lugar longínquo, separado do mundo pelo mundo, aconteciam os sonhos, as ânsias do viver, do acreditar que havia mais. 

Era uma vez uma menina que queria voar. 

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