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pessoas e coisas da vida

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23.02.22

Amizades do coração

8º tema de 52 semanas de 2022


imsilva

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Amizades de coração

Clarinha era muito amiga da Aninhas, de coração. 

Quando Aninhas começou a aceitar os convites para sair do Francisco, por quem a Clarinha estava perdidamente apaixonada, o coração partiu-se, e lá foi a amizade à vida.

Lembram-se com certeza destas amizades, destas inconstâncias da idade, destas injustiças que assistiam tantos jovens.

Hoje, com o passar dos anos, percebemos melhor o que são amizades do coração. Acredito que ainda existam casos destes, mesmo em idades mais avançadas, mas não quero falar dessas, quero falar das que eu sinto, com a minha idade, com a minha percepção, do alto dos direitos que eu própria criei na minha vida.

Podem ser altos, baixos, gordos, magros, ricos, pobres, mulheres, homens, podem ser recentes ou muito antigos, mas se são meus amigos, estão no meu coração.

Posso não lhes ligar no Natal, ou no seu aniversário, e vice-versa, podem morar longe ou perto, mas eu sei que quando os encontrar vou sorrir-lhes com vontade, com carinho e com verdade, e que vamos dar-nos um grande e apertado abraço.

Não me interessam os seus defeitos, tenho amigos que nunca na vida casaria com eles, mas adoro-os na mesma. Respeito-os pelo que são, pelo que foram, e se um dia ficarem em maus lençóis eu vou estar lá, com a mão estendida para o que necessitarem. Como digo, a maioria não vejo há muito tempo, mas podem ter a certeza que isso não interessa nada, porque são os meus amigos de coração. 

 

Participação no desafio da Ana de Deus

   

30.10.20

Desafio passa-palavra #6 Cartas

Memórias


imsilva

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Juntavamo-nos na nossa casa, alguns eram familiares, outros simplesmente amigos.

Grandes noitadas de roda das cartas, dos amendoins, de um copo de cerveja ou de um cálice de Porto.

Era uma miríade de jogos, mas o que dava mais gozo, era a "lerpa".

A minha irmã era a maluca que se mandava de cabeça, o meu primo o inocente que perdia sempre, a minha mãe a que fazia todos recuar quando dizia que ia a jogo, porque ficávamos logo a saber que tinha o às. E os amigos deliravam com todas as características envolvidas. De vez em quando ainda falam daquelas noites.

Ao relembrar essas noitadas sinto uma dorzinha na alma, ao pensar que hoje já não seria assim. Hoje não podemos reunir-nos, tocarmos todos nas mesmas cartas, gargalharmos nas caras uns dos outros.

Em que é que o ser humano vai-se transformar depois de tudo isto passar? Seremos capazes de conviver como fazíamos antes? Estará a morrer a espontaneidade com que se dava um abraço ou um beijo a um amigo?

Medo, muito medo, do mundo em que os meus netos vão crescer.

Medo, muito medo, do mundo em que vamos viver daqui para a frente. 

 

Este texto tem o patrocínio da Mula e da Mel