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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

05.11.21

O dia (parte II)

O compromisso


imsilva

 

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            O dia (parte I)

A minha filha tem uma aliança nova no dedo.

Um símbolo de uma das escolhas  que temos de fazer na vida. Um compromisso assumido no desejo de uma vida em conjunto, para o bem ou para o mal, na saúde ou na doença, na riqueza ou na pobreza, na alegria ou na tristeza.

No desejo de fazer um caminho acompanhada, de poder agarrar numa mão sempre que necessitar, no desejo de consolar e ser consolada sempre que preciso for. No desejo de partilhar alegrias, orgulhos, preocupações, e a vontade de ajudar os dois seres que deles nasceram, e que ambos querem que sejam felizes para todo o sempre e mais além.

Da minha parte, e com certeza da parte de todos os que os amam, que assim seja. Que o caminho seja o mais direito possível, que os desvios sejam só para admirarem juntos a paisagem por onde passam. Que as pedras que encontrarem sejam para irem construindo  uma fortaleza, e que seja forte para durar até ao fim das suas  vidas. Que os sorrisos e o amor não lhes falte, mesmo nos momentos menos bons, pois serão uma ajuda preciosa para levantarem os muros que caírem. 

Por favor, sejam felizes e aproveitem tudo o que a vida vos pode oferecer.

 

29.10.21

Ainda..."o beijo"


imsilva

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Um beijo...

Senta-se numa esplanada, com um café à frente. Tinha tido uma conversa telefónica desagradável com a pessoa que supostamente se teria de sentir melhor, amando e a ser amada

Espraia os olhos pela paisagem que tem à frente, uma beira-mar com o sol a caminhar na água, e dá pela presença de duas pessoas aparentemente de idade respeitável, sentadas num banco não muito longe de onde ela própria está. Não ouvindo o que dizem, apercebe-se muito bem das suas expressões e gestos e tudo leva a crer que há muita atenção e carinho nos olhares.

Está encantada com os cabelos brancos do casal, com a echarpe em tons salmão da senhora, e a mão do senhor entrelaçada na dela.

E é quando acontece algo que lhe traz as lágrimas aos olhos, o senhor inclina-se em direção à companheira e delicadamente junta os seus lábios aos dela, onde ficam por um momento que parece eterno, tal a intensidade dos sentimentos transmitida.

E ela deseja um dia também ser beijada assim.

 

 

 

 

27.10.21

Arte e inspiração #7

Aquele beijo...


imsilva

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                                     "O beijo"  -  Gustav Klimt

 

Aquele beijo...

Quantos anos passaram?

Quantos dias aconteceram a seguir?

Quantos mais beijos demos depois desse?

Como podem ser tão doces os lábios de alguém?

Depois daquele beijo, os sorrisos ficaram presos nos nossos rostos, e o brilho das estrelas nos nossos olhos. A perspectiva do amanhã ganhou outra cor, a expectativa do que poderia vir a seguir impôs- se nos nossas mentes, nos nossos desejos. 

Um simples beijo...é tanto!

Num simples beijo podemos pôr a alma, os sentidos, e a ânsia de algo grande que não sabemos descrever.

 Num simples beijo pode-se resumir o universo, quando ainda não sabemos que o universo é muito mais. 

Mas...aquele beijo,  foi o início de todos os outros que vieram e de todos os outros que ainda virão. 

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

 

 

 

22.10.21

Mais de Fernando Pessoa


imsilva

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Loura e face que esfria
Cose, dobrada, à janela.
Se eu fosse outro pararia
E falaria com ela.

Mas seja o tempo ou o acaso
Seja a sorte interior,
Olho mas não faço caso
Ou não faz caso o amor.

Mas não me sai da memória
A janela e ela, e eu
Que se fora outro na história
Mas o outro nunca nasceu...

 

Fernando Pessoa

In Poesia 1931-1935 

Imagem: Momentary Glance by Morgan Weistling

06.08.21

Assim...


imsilva

 

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Ontem ouvi-te chorar, mas não me aproximei

esperei que parasses...mas não paravas

os soluços subiam de tom, assim como a minha aflição

ao ouvir-te chorar assim

Não chores, a vida já nos explicou que tudo se resolve

as angustias acabam por ir embora

é só dar-lhes um empurrão

é só demonstrar-lhes que não as queremos

que coisas melhores temos do que angustias assim

Temos o sol, a lua, as flores, toda a natureza só para ti

o amor daquela pessoa que tu nem imaginas, mas que está lá, à tua espera

Tantas coisas boas em que pensar, coisas boas para fazer

só tens de olhar e ver

 virar o rumo, e recusar as coisas que não são assim... 

23.07.21

Pessoas


imsilva

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As pessoas sensíveis têm o coração sempre despenteado, a alma de cabeça para baixo, os olhos arregalados, uma lágrima prestes a cair, um sorriso pendurado nos lábios pronto a explodir.
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Vivem a flutuar sob as alegrias e tristezas da vida.
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Não são perfeitas, na verdade, às vezes são mesmo auto-destrutivas, pois respiram pelo peito, nunca pelos pulmões, vivem mil minutos por hora.
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Sabem sorrir por pouco, chorar por nada e parar maravilhadas diante de um arco-íris, sorrir a um gato, olhar para o mar e sentir nele um infinito de paz e de tormento.
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Sabem transformar areia em pó de estrelas, acender um sonho no escuro.
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Pessoas sensíveis sentam-se à margem à espera do momento certo para te dar aquele abraço que estavas à espera.
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Sabem ver além da aparência, mais do que um sorriso, uma lágrima, ver além da raiva, além da dor, porque vivem de coração.
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Silvana Stremiz

29.06.21

Velhos ao sol - Maria do Rosário Pedreira


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MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA, in POESIA REUNIDA (Quetzal, 2012)

Vamos ser velhos ao sol nos degraus
da casa; abrir a porta empenada de
tantos invernos e ver o frio soçobrar
no carvão das ruas; espreitar a horta
que o vizinho anda a tricotar e o vento
lhe desmancha de pirraça; deixar a

chaleira negra em redor do fogão para
um chá que nunca sabemos quando
será - porque a vida dos velhos é curta,
mas imensa; dizer as mesmas coisas
muitas vezes - por sermos velhos e por
serem verdade. Eu não quero ser velha

sozinha, mesmo ao sol, nem quero que
sejas velho com mais ninguém. Vamos
ser velhos juntos nos degraus da casa -

se a chaleira apitar, sossega, vou lá eu; não
atravesses a rua por uma sombra amiga,
trago-te o chá e um chapéu quando voltar.


Poster: Endless love, © Susan Delain

 

18.05.21

Um gatinho para o Tão


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Para um menino de olhar malandro, de coração doce e super-herói do meu coração, no seu 5° aniversário ❤

 

Era uma vez um gatinho que tinha perdido o sono. A mãe do gatinho foi procurar o sono do gatinho para naquela noite o gatinho fazer ó ó...
A mãe gatinha foi à floresta perguntar pelo soninho do gatinho mas os animais estavam todos a dormir e não a puderam ajudar.
No dia seguinte, a mãe gatinha foi à escola procurar o soninho do gatinho, mas todos os meninos estavam a aprender e não a puderam ajudar.
A mãe gatinha fez as malas e foi a um país muito distante procurar o soninho do gatinho, mas nesse país os gatinhos estavam sempre acordados...
A mãe gatinha regressou e foi a um poço muito fundo. Espreitou. O poço era muito escuro. Será que o soninho do gatinho estava lá no fundo, também ele a fazer ó ó no escuro? Talvez não. O soninho tem medo de poços.
A mãe gatinha regressou a casa e disse ao gatinho que não tinha encontrado o seu soninho.
O gatinho disse:
- Mãe, o meu soninho está contigo. Não é preciso procurares. Se me deres um abraço, consigo dormir...
Então mãe gatinha e gatinho abraçaram-se e logo apareceu o soninho numa estrela que olhava para eles na janela do quarto...

Gilda Nunes Barata, O gatinho que perdeu o sono.

30.04.21

O amor...sempre.


imsilva

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Esta não é uma história triste, é uma história de amor totalmente dedicada à nossa abelhinha, em mais um desafio que lançou. 

Para ti abelhinha Ana.

 

Quando a Lídia completou um aninho, recebeu uma gatinha Scottish.

E as duas cresceram lado a lado. A gatinha seguia a criança para todo o lado, e apesar dos esforços dos pais para que o animal dormisse na sua própria cama, era escusado, dormir era na cama da Lídia.

Ao longo de 18 anos o amor cresceu e quando Lídia foi para a faculdade, a gata quase que deixou de comer, valia-lhe os fins de semana em que a dona voltava para casa.

18 anos para um gato é já uma vida longa e o fim teria de chegar.

Depois de uma semana em que notoriamente a gata não estava bem, em que o veterinário já nada mais podia fazer por ela, chegou o fim de semana e com ele a volta de Lídia a casa.

Quando se apercebeu do estado da sua gatinha, ficou desolada e tentou que ficasse o mais cómoda possível.

A gatinha acabou por morrer nos braços da sua dona, da sua amiga, com quem tinha passado todos aqueles anos.

Ao perceber que a gata já não respirava, Lídia pôs a mão na boca para calar o grito que a sua alma queria soltar. Por mais que soubesse que estava prestes a acontecer, não se sentiu preparada. Mas Lídia sabia que a sua gata tinha sido amada e bem tratada todos aqueles anos. Restava-lhe infinitas e bonitas recordações, nada mais podia pedir.