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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

18.05.21

Um gatinho para o Tão


imsilva

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Para um menino de olhar malandro, de coração doce e super-herói do meu coração, no seu 5° aniversário ❤

 

Era uma vez um gatinho que tinha perdido o sono. A mãe do gatinho foi procurar o sono do gatinho para naquela noite o gatinho fazer ó ó...
A mãe gatinha foi à floresta perguntar pelo soninho do gatinho mas os animais estavam todos a dormir e não a puderam ajudar.
No dia seguinte, a mãe gatinha foi à escola procurar o soninho do gatinho, mas todos os meninos estavam a aprender e não a puderam ajudar.
A mãe gatinha fez as malas e foi a um país muito distante procurar o soninho do gatinho, mas nesse país os gatinhos estavam sempre acordados...
A mãe gatinha regressou e foi a um poço muito fundo. Espreitou. O poço era muito escuro. Será que o soninho do gatinho estava lá no fundo, também ele a fazer ó ó no escuro? Talvez não. O soninho tem medo de poços.
A mãe gatinha regressou a casa e disse ao gatinho que não tinha encontrado o seu soninho.
O gatinho disse:
- Mãe, o meu soninho está contigo. Não é preciso procurares. Se me deres um abraço, consigo dormir...
Então mãe gatinha e gatinho abraçaram-se e logo apareceu o soninho numa estrela que olhava para eles na janela do quarto...

Gilda Nunes Barata, O gatinho que perdeu o sono.

30.04.21

O amor...sempre.


imsilva

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Esta não é uma história triste, é uma história de amor totalmente dedicada à nossa abelhinha, em mais um desafio que lançou. 

Para ti abelhinha Ana.

 

Quando a Lídia completou um aninho, recebeu uma gatinha Scottish.

E as duas cresceram lado a lado. A gatinha seguia a criança para todo o lado, e apesar dos esforços dos pais para que o animal dormisse na sua própria cama, era escusado, dormir era na cama da Lídia.

Ao longo de 18 anos o amor cresceu e quando Lídia foi para a faculdade, a gata quase que deixou de comer, valia-lhe os fins de semana em que a dona voltava para casa.

18 anos para um gato é já uma vida longa e o fim teria de chegar.

Depois de uma semana em que notoriamente a gata não estava bem, em que o veterinário já nada mais podia fazer por ela, chegou o fim de semana e com ele a volta de Lídia a casa.

Quando se apercebeu do estado da sua gatinha, ficou desolada e tentou que ficasse o mais cómoda possível.

A gatinha acabou por morrer nos braços da sua dona, da sua amiga, com quem tinha passado todos aqueles anos.

Ao perceber que a gata já não respirava, Lídia pôs a mão na boca para calar o grito que a sua alma queria soltar. Por mais que soubesse que estava prestes a acontecer, não se sentiu preparada. Mas Lídia sabia que a sua gata tinha sido amada e bem tratada todos aqueles anos. Restava-lhe infinitas e bonitas recordações, nada mais podia pedir.

 

13.04.21

Palavras pequenas


imsilva

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- Mãe.
- Sim.
- Porque é que as palavras céu e mar são tão pequenas se o céu e o mar são tão grandes?
- Deixa-me responder-te com outra pergunta: porque é que as palavras pai e mãe são tão pequenas se o amor que o pai e a mãe sentem por ti é tão grande?
- Já percebi, mãe. Não interessa o tamanho das palavras, mas o que nelas cabe.

lado.a.lado
By Biblioteca José Saramago
Ilustração_maja_lindberg

01.04.21

Os vários tons de vermelho


imsilva

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Ontem foi o dia de escrever sobre o Vermelho

E facilmente cheguei à conclusão de que o vermelho serve para tudo o que existe, para todos os sentimentos que nos enchem os sentidos, sejam eles positivos ou negativos. 

O vermelho é a cor da vida, a cor das emoções.

O vermelho é amor e raiva, é conquista e derrota, é alegria e tristeza,  é força e delicadeza, é luta, é violência, é beleza, é coração.

Sempre gostei de vermelho, da energia que emana desta cor, da garra que transmite, da positividade que inspira. 

Por outro lado, é a imagem da dor e do sofrimento, e como poderá ser isso se é uma cor tão bonita, com tanto carisma?

É uma cor a que ninguém consegue ficar indiferente, pode-se amar ou odiar mas nunca será uma cor neutra que não afecte o ser humano.

E será sempre com o vermelho que olharemos para as coisas más, o sangue que se verte numa contenda ou os olhos raiados de quem está em fúria. Até a altivez eu vejo em vermelho.

Para acabar prefiro olhar para as coisas boas, o Natal, as variadas flores que nos encantam, as deliciosas frutas de Verão, um fofo cachecol, e como todos dizem, a paixão, tudo num bonito tom de vermelho.

 

 

24.03.21

Verde claro

Vamos pintar com palavras? # 10


imsilva

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Verde água 

Era a cor daquele lago 

Lembras-te?

Teremos sido felizes naquele lago?

Olhavamo-nos com sofreguidão 

Como se pudéssemos desaparecer se afastássemos o olhar um do outro

Teremos sido felizes lá , ou terá sido pura ilusão

Pura necessidade de agradar, de pensar que era aquilo 

Mas, aquilo o quê

O que pensamos ser inevitável 

A supressão do nosso eu 

Em prol do que se esperava de nós...

Hoje olho para ti com conforto, com confiança 

Mas, será com amor?

Sê meu amigo, meu camarada, meu companheiro

Mas...não o meu amor

09.03.21

O melhor ano da minha vida


imsilva

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Será possível termos um melhor ano?

Para fazer este exercício, terei de separar as águas.

Creio haver os melhores momentos da nossa vida, quando concretizámos aquela viagem, quando casamos com o nosso amor, quando conseguimos aquele objectivo que tanto ansiávamos, quando nascem os filhos, e tenho na memória pedaços de felicidade tão simples como uma deslocação de carro, já noite, com os filhos a dormir no banco de trás, e sentir que estava tudo bem, tudo no sítio em que devia estar.

Mas se tiver que escolher um ano, talvez escolha o ano do namoro (que sério, foi só um). 

O ano em que tudo parece possível, em que o coração parece que rebenta, em que o sorriso na cara é constante, em que todos os sonhos do mundo parecem estar ali à mão.

Depois tornámo-nos adultos com responsabilidades, com preocupações, mesmo que intervaladas pelos melhores momentos do mundo, e fica para trás aquela bela altura em que não há inquietações que nos toquem, que nos incomodem, porque éramos livres, porque nos achávamos invencíveis e donos das nossas vontades. 

Sim, definitivamente, (não me crucifiquem) o ano de namoro!

 

Este texto faz parte de mais um desafio de escrita da nossa abelhinha Ana de Deus

14.02.21

As palavras de amor de Mário Soares em dia de S. Valentim


imsilva

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Para ti
Meu amor
Levanto a voz
No silêncio
Desta solidão em que me encontro
Sei que gostas de ouvir
A minha voz
Feita de palavras ternas e doces
Que invento para ti
Nos momentos calmos
Em que estamos sós
Sei que me ouves
Agora…
… uma vez mais
Apesar da distância
E do silêncio
Opera esse milagre
Simples
Como tudo o que é natural.

 

Poema de amor, escrito por MÁRIO SOARES a MARIA BARROSO, em 1962, quando se encontrava detido na prisão do Aljube.

 

12.02.21

Abraços e beijinhos precisam-se!


imsilva

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Na quarta-feira, na RTP, na entrevista de Vitor Gonçalves ao Psiquiatra e Psicoterapeuta Vitor Cotovio, sobre saúde mental, (se possível vejam), falou-se de algo que eu ainda não tinha ouvido, mas já tinha pensado.

Alguém perguntou aos idosos que isolaram nos lares sem visitas, sem carinhos familiares, aqueles que deixamos em casa sozinhos porque havia aí um vírus à solta, aqueles que entendemos (sim, eu também) que ficariam melhor sem os nossos beijos e abraços, se era isso que preferiam? Creio que não.

Os meus pais apesar de terem a sua idadezinha, estão muito bem, e foi-lhes explicado o que se estava a passar, e que seria melhor restringirmos as nossas visitas e os nossos afectos. No 1º confinamento foi mais moderado, os beijinhos foram deixados para trás, mas havia os abracinhos e algumas refeições feitas em conjunto. Em Setembro a minha mãe fez anos e recusou a ideia de não irmos todos jantar como é habitual nestas alturas. Consciente da época que estamos a viver, foi a decisão tomada, apesar do suposto risco que poderíamos (poderiam) correr. No Natal reduzimos o nº mas juntamo-nos, seria impensável os meus pais passarem sozinhos essa festa. 

Veio o Janeiro e o "estado da nação" obrigou-nos a outros cuidados. Não perguntamos, mas falamos de como teria que ser para que ninguém fosse parar ao hospital. O meu pai entretanto fez anos e com máscara, sem afectos físicos, sem almoço nem jantar de celebração, fui lá a casa para conectar a família em vídeo chamada e podermos de alguma maneira estar com ele nesse dia. Foi muito duro.

E se lhes perguntasse directamente se não se importam de viver assim, se prefeririam correr o risco e ter a companhia que sempre tiveram antes? Somos muitos e sempre houve alguém a almoçar lá em casa por um motivo ou por outro ( muitas vezes por nenhum).

Tenho medo de perguntar, porque sei como pensam. Provavelmente diriam que já não têm assim tanto tempo de vida, como para desperdiçar sozinhos em casa a implicar um com o outro, sem aquela família maluca à volta deles. Tenho medo que tenham razão. 

Há pouco vi um pequeno texto que dizia que os avós têm que esperar pelos "abraços quentinhos". Que se deseja que os números de óbitos por covid, desçam a zero. E eu espero que não seja só aí que eles possam ser abraçados, porque se assim for, muitos desses avós não chegarão a receber esses abraços.