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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

Fevereiro 10, 2023

imsilva

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"De nome Mário, o avô desta história colhe laranjas e lê poesia. Fora carteiro e marinheiro. O neto descreve-o assim: " O meu avô era muito grande e muito alto. Tinha braços tão longos que um dia lhe perguntei se poderiam dar a volta ao mundo".
Respondia a tudo o que o neto lhe perguntava, exceto no dia em que em que evitou dizer-lhe o que tinha feito em África.: " A esta pergunta o meu avô não respondeu logo. Guardou devagar o mapa entre as páginas de um livro. Olhava para mim, ainda mais sério que do que o costume, quando me disse que em África não tinham feito nada de bom. "
Com o avançar do tempo, o menino crescia e o avô parecia encolher.
"Antigamente, o cadeirão não tinha espaço para tanto avô, mas agora parecia engoli-lo quase por inteiro."
Disse-me que todos os avós são minguantes porque todos os netos são crescentes e é nesse cruzamento que se encontram tão bem."

Daniela Leitão. O avô minguante. Ilustração Cristina Silva. Edição Planeta de Livros Portugal para Pingo Doce.

In. Guia Crianças blogues.publico.pt/letrapequena

Março 04, 2022

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O meu pai faz barcos pequenos em madeira à imagem dos reais das nossas praias. Teve COVID na semana passada, e como, felizmente estava bem, foi para a sua oficina trabalhar nos seus barquinhos.

Conselho do meu neto mais novo (5 anos) numa chamada em que soube o que o bisavô estava a fazer; - Avô, não podes estar a mexer nos barcos, porque depois vais oferecê-los às pessoas e pegas-lhes o COVID!

Desafio "Arte e inspiração" #6

Diferentes infâncias

Outubro 20, 2021

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                                                           O sobreiro - Rei D. Carlos de Bragança 

O avô contava ao neto as vezes que tinha esfolado as pernas a trepar àquela árvore. Até lhe contou, à laia de segredo, que era por isso que ela estava vergada e ela própria esfolada também. Era da quantidade de vezes que os miúdos subiam para os seus ramos. Mas, que tinha a certeza que também estava vergada pela tristeza que sentia por já não haver crianças que a quisessem trepar. Sentia, com toda a certeza, falta do calor dos seus braços e pernas, dos seus gritos de entusiasmo quando conseguiam chegar lá acima.

O avô perguntou ao neto se queria experimentar, o neto olhou para os ramos da árvore e não se sentiu muito seguro de que seria uma coisa correcta, nem era algo que  alguma vez tivesse feito ou que desejasse fazer, olhou para as suas calças e pensou no que a sua mãe diria se as esfolasse, para além da ansiedade que a ideia lhe provocava.

O avô, adivinhando os pensamentos do neto, teve pena das crianças que nunca saberiam o que era a liberdade de subir a uma árvore, e de esfolar um joelho que arderia como tudo, mas que daria tanto prestígio. Não tendo coragem de desafiar o neto para tal experiência,  mais por medo dos pais do que por outra coisa, deu a mão ao neto e voltando as costas ao secular sobreiro, continuaram o passeio pela bela e calma paisagem de uma pacata aldeia, tão longe e tão perto da buliçosa cidade onde as crianças não trepavam às árvores. 

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

Julho 28, 2021

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Nino Chakvetadze

 

DIZ O AVÔ

Tens cabelos brancos.
Mas porquê, avô?
Caiu muita neve
na estrada onde vou.

Tens rugas na face.
Mas porquê, avô?
Bateu muito sol
na estrada onde vou.

Tens olhos baços.
Mas porquê, avô?
Pousou nevoeiro
na estrada onde vou.

Tens calos nas mãos.
Mas porquê, avô?
Parti muita pedra
na estrada onde vou.

Tens coração grande.
Mas porquê, avô?
Nele mora a gente
que por mim passou.


LUÍSA DUCLA SOARES, in A CAVALO NO TEMPO 

 

 

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