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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

Janeiro 25, 2023

imsilva

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Quando o avô lembra e conta...

Dos sete irmãos, sendo eu o rapaz mais velho no meio de 5 raparigas ( o mais novo também era um rapaz), o meu pai apertava mais comigo.

Aos 10 anos parti uma janela com uma pedra quando andava na brincadeira, tirou-me da escola e pôs-me a trabalhar para a pagar. Estava na quarta classe e não pude concluí-la. Acabei por fazê-lo em adulto, já depois de casado.

Pouco mais tarde, ajudava na serventia das obras, magro como eu era e com uma hérnia que só foi operada em adulto, carregava baldes de areia da praia para as obras.

O meu pai, que era pedreiro, parecia não se importar, parecia não ligar nenhuma aos filhos. Saía do trabalho e ficava na conversa na taberna, a beber copos de três com os amigos. Quando chegava a casa ficávamos calados que nem ratos com medo dele. Não nos batia, mas tinhamos-lhe um respeito tremendo. O carinho não se via em lado algum, não fosse a minha mãe a tratar disso, não saberiamos o que era.

Mas, quando fui à inspeção para ir à tropa, à chegada passei pela taberna onde ele costumava estar (por ficar a caminho de casa), e ele ao ver-me passar perguntou-me - Então? - e eu respondi-lhe que tinha ficado livre. Vi-lhe o brilho dos olhos ao dizer - Ainda bem!. Saiu da taberna e fez o caminho para casa comigo. Eu não estava habituado a andar ao lado dele. Ao fundo vimos a minha mãe à janela e ele gritou-lhe ao longe - O teu menino ficou livre!

Foi o momento de carinho que tive do meu pai. A alegria e satisfação que demostrou por não haver o perigo de eu ir para alguma guerra.

 

Este jovem, hoje, celebra os seus 88 anos.

O Natal é amor!

O meu conto de Natal

Dezembro 12, 2022

imsilva

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Abri a cortina e espreitei pela janela, havia um manto branco que cobria telhados, carros, árvores e os passeios onde o povo caminhava com extremo cuidado para não escorregar e passar por trabalhos que ninguém precisava.

A neve sempre foi uma das minhas coisas preferidas, apesar de fria, era linda e mostrava que nem tudo precisa de ser faustoso. As coisas simples podem ser maravilhosas.

Nesse dia tinha uma viagem preparada até ao orfanato, onde sempre que podia, passava algum tempo com as crianças que ali viviam, as crianças que por um motivo ou por outro, careciam de família, de colo, de aconchego, basicamente de amor familiar. Notava que todos os que trabalhavam ou , como eu, se voluntariavam para dar assistência a estes miúdos, faziam-no sempre com o coração a transbordar. Mas, nitidamente não era suficiente. Não era um, eram muitos, e era difícil que a atenção dada fosse bastante para se sentirem como num lar, onde poderiam ser acarinhados por pai, por mãe, por avós ou irmãos.

Era véspera de Natal e a promessa era diversão, brincadeiras e, muito importante, um teatrinho que estava a ser preparado há algum tempo e que teria o seu apogeu nesse dia.

Cheguei e imediatamente chamou-me a atenção não ver o Rui, que quando eu chegava vinha logo dar-me um grande abraço. O Rui era um menino de 7 anos, a que eu me tinha afeiçoado particularmente, e que tinha ido ali parar, por a mãe ter alguns problemas psíquicos, o pai ser desconhecido e o resto da família não ter ficado muito interessada nele.

Perguntei à D. Marília por ele, ao que me respondeu que o Rui nessa noite tinha tido febre e que tinha ficado no quarto até ver se melhorava. Subi ao piso dos quartos, e dirigi-me ao quarto que Rui partilhava com outros meninos, e lá estava ele encolhido dentro de lençóis e cobertores, com duas rosetas na cara e os olhos com mais brilho do que seria desejável. Fiz-lhe um pouco de companhia, li-lhe uma história e depois de ter novamente tomado o medicamento que ajudava a baixar a febre, deixei-o e fui ajudar os outros meninos nos afazeres que em ânsias esperavam à tanto tempo. Alguém tinha ficado com o Rui, que com o ar mais triste deste mundo, aceitou não poder fazer parte dos festejos.

Estava sozinha por opção, era assim que me sentia bem, e ainda não tinha aparecido alguém que me fizesse mudar de ideias. Não sabia se por isso, ou por realmente haver um grande entendimento entre mim e o pequeno Rui, estávamos muito ligados e a minha preocupação por ele era grande.

Cheguei a casa depois de ter acompanhado a alegria da criançada nas festas da véspera de Natal, e de me ter despedido do Rui, percebendo que havia melhoras. 

Antes de me deitar, algo me incomodava, não sabia identificar o quê, era uma ansiedade que não me deixava, como se tivesse de fazer uma coisa importante, como se estivesse a esquecer-me de algo...e percebi! Liguei para o orfanato e perguntei à D. Marília pelo estado do Rui, respondeu-me que a febre tinha baixado completamente e que parecia bastante mais animado. Num impulso, perguntei se haveria alguma hipótese de levar o pequeno a passar o dia de Natal a casa dos meus pais, onde me esperavam os meus irmãos e sobrinhos. D. Marília, com notório contentamento na voz, respondeu-me que claro que sim, que não poderia imaginar melhor prenda de Natal para o Rui.

Quando o fui buscar, os nossos olhares reflectiam emoções e esperança, Foi uma viagem feita a dois, com sorrisos de orelha a orelha, com confiança em algo maior, que apesar de não conseguirmos identificar, sabíamos que era algo bom, algo que marcaria a nossa vida e com certeza o nosso futuro.

Agosto 03, 2022

imsilva

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A gente podia poder costurar o tempo,
Bordando em cima dos erros
Para que eles sumissem.
Costurar as pessoas
Que gostamos pertinho.
Costurar os domingos,
Um mais perto do outro.
Costurar o amor verdadeiro no peito
De quem a gente ama.
Costurar a verdade
Na boca dos seres.
Costurar a saudade
No fundo de um baú
Para que ela
De lá não fuja.
Costurar a auto estima bem alto,
Pra que nunca ela caia.
Costurar o perdão na alma
E a bondade na mão.
Costurar o bem no bem
E o bem sobre o mal.
Costurar a saúde na enfermidade
E a felicidade em todo lugar ...

(Janaína Cavallin--)

Pessoas de quem tenho saudades

12° tema de 52 semanasde 2022

Março 23, 2022

imsilva

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Esta manhã, não sei bem porquê, lembrei-me de uma pessoa que não vejo há alguns anos, e de repente vi-me rodeada de lembranças de outras tantas, que depois de terem cruzado o meu caminho, por um motivo ou por outro deixei de ver. Algumas, infelizmente nunca mais verei, mas outras, porque simplesmente a vida levou-as por outro caminho e não deixaram como contactá-las. É um belo conjunto de pessoas das mais variadas idades e gêneros.

Esta pessoa que me levou a estes pensamentos, não era perfeita (como ninguém é) mas era interessante e inteligente, e foi alguém que eu gostei de conhecer, e durante os anos em que privamos, tivemos conversas interessantes, não que concordassemos em tudo (e ainda bem) mas aportou-me conhecimentos e bons momentos de convivio.

Infelizmente, como já referi, a vida dá voltas que nem a inteligência consegue controlar e neste momento não sei nada dela, nem encontro quem saiba.

E pronto, isto levou-me ao velho sentimento português, à saudade, saudade de tanta gente com que me cruzei, gente que me orgulho de ter conhecido, gente que me fez bem, gente de quem eu gostei ( que continuo a gostar) e que espero tenham gostado também de mim. Obrigado por terem existido.

Beijinhos meus amigos.

                                   ❤

 

 

Este texto foi escrito e publicado há uns anos, e achei que fazia todo o sentido neste desafio. Portanto esta é a minha participação no desafio da Ana de Deus

Amizades do coração

8º tema de 52 semanas de 2022

Fevereiro 23, 2022

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Amizades de coração

Clarinha era muito amiga da Aninhas, de coração. 

Quando Aninhas começou a aceitar os convites para sair do Francisco, por quem a Clarinha estava perdidamente apaixonada, o coração partiu-se, e lá foi a amizade à vida.

Lembram-se com certeza destas amizades, destas inconstâncias da idade, destas injustiças que assistiam tantos jovens.

Hoje, com o passar dos anos, percebemos melhor o que são amizades do coração. Acredito que ainda existam casos destes, mesmo em idades mais avançadas, mas não quero falar dessas, quero falar das que eu sinto, com a minha idade, com a minha percepção, do alto dos direitos que eu própria criei na minha vida.

Podem ser altos, baixos, gordos, magros, ricos, pobres, mulheres, homens, podem ser recentes ou muito antigos, mas se são meus amigos, estão no meu coração.

Posso não lhes ligar no Natal, ou no seu aniversário, e vice-versa, podem morar longe ou perto, mas eu sei que quando os encontrar vou sorrir-lhes com vontade, com carinho e com verdade, e que vamos dar-nos um grande e apertado abraço.

Não me interessam os seus defeitos, tenho amigos que nunca na vida casaria com eles, mas adoro-os na mesma. Respeito-os pelo que são, pelo que foram, e se um dia ficarem em maus lençóis eu vou estar lá, com a mão estendida para o que necessitarem. Como digo, a maioria não vejo há muito tempo, mas podem ter a certeza que isso não interessa nada, porque são os meus amigos de coração. 

 

Participação no desafio da Ana de Deus

   

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