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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

05.10.22

Desafio "Arte e inspiração" V2 #4

Dama em fuga


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                                                                A Dama de Shalott / The Lady off Shalott

                                                                                         de Jonh William Waterhouse

A surpresa da infelicidade

quando a mente a evoca

e de braços abertos, a liberta

É uma dama que por amor

no seu coração oprimido

o senso perdeu

e tresloucada partiu

em busca de nada

em busca de tudo

em busca do que deixou

no seu infinito e deslocado eu...

 

Participação no desafio da Fátima Bento

21.09.22

Desafio "Arte e inspiração" V2.0 - semana #2

Muito tempo, é para sempre?


imsilva

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                                                                        Young Mother Sewing, Mary Cassat

 

- Mãe, ficas comigo para sempre?

- Oh minha filha, ficarei muito tempo contigo.

- E muito tempo, é para sempre?

- É o tempo que for preciso para te proteger, para te mostrar as flores, para te ensinar a amar, para te ajudar a andar pelo mundo, e a viver o teus momentos.

- E quando eu souber isso tudo, vais-te embora?

- Sabes filha, nós não ficamos para todo o sempre, porque mais pessoas chegam todos os dias, e temos de lhes dar lugar. Mas, primeiro fazemos o nosso trabalho, e depois de feito, é mais fácil irmos e vocês seguirem o vosso caminho onde também ensinarão aos que chegarem, o que necessário for para que aprendam a ser felizes. É assim o ciclo da vida.

- Mas, mãe...eu não quero que tu vás! 

- Filha, só irei daqui a muito tempo, quando já não precisares de mim.

- Mãe, eu vou sempre precisar de ti!

 

Participação no desafio da Fátima Bento

14.09.22

Desafio "Arte e inspiração" V2 #1

A persistência da memória ou O dia em que o tempo findou


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Espero e desespero

Espero por tempos que tragam tempo

Tempo para amar

Tempo para viver

E pergunto por onde andará o tempo...

Desespero por esse tempo

Que tarda em chegar

Que não sei se chegará a tempo

De me acalmar

Abri a janela da vida, e nada vi

Acabei por entender

Não havia tempo

Era o dia em que o tempo findou

 

A minha participação nesta reedição do desafio da Fátima Bento 

 

 

 

 

 

10.11.21

Desafio "Arte e inspiração" #9

Cabelo e planetas


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Cara Sra.

Serve esta para a informar que o Sr. Américo Fontão Vargas da Mata, falecido em 28 de Outubro de 2021, deixou expresso que queria que ficasse na sua posse o quadro "Cabello perseguido por dos planetas" de Joan Miró.

Como tal, tomei a liberdade de lho enviar, uma vez que a sua residência não se encontra neste país.

Espero que aí chegue em perfeitas condições, e que o possa apreciar como o seu tio-avô apreciava.

 

Os meus mais sinceros pêsames.

Atenciosamente

Alberto Mota Queirós

 

Amália, estupefacta com a carta que tinha na mão, pensou no irmão do seu avô que teria visto em criança sem ter memória dos seus traços, e olhou a embalagem que tinha na frente, com a curiosidade em alta.

Cuidadosamente começou a tirar papel, plástico de bolhas, cartão e tudo o que tinha a proteger o trabalho de um tão grande artista como Joan Miró. Tinha conhecimento de alguns dos seus quadros e estava entusiasmada por ter um deles na sua parede da sala.

Quando, finalmente, conseguiu chegar ao âmago do embrulho, ficou um pouco baralhada e tentou pôr o quadro em posiçao correcta sem grande resultado. Olhou e olhou e pensou para os seus botões - Com tanto quadro que existe, tinha que me calhar este?

Felizmente o sofá de Amália era verde! Talvez não fosse assim tão mau...

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

29.09.21

Desafio "Arte e inspiração" #3

Desespero


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"O Grito" de Edvard Munch

 

Estava preso na garganta, no pensamento, no mais recôndito do seu ser, do seu subconsciente. 

Queria soltar-se, queria largar-se pelo mundo mas estava preso. 

Preso às convenções, preso às boas maneiras e à boa imagem de quem nada sofre, preso à ideia de que ninguém esperava isso dele.

Mas, quando já era impossível retê-lo, quando o soltou, o espírito também gritou e acabou a sorber o ar com sofreguidão, como se há muito lhe faltasse.

E com este grito, as pedras estremeceram, os pássaros silenciaram, o vento cessou... e o mundo chorou.

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento