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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

03.11.21

Desafio "Arte e inspiração" #8

Caras e corações


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Ilustração de moda  -  Almada Negreiros 

 

Quem vê caras não vê corações.

Quem os vê todos bonitos e aperaltados não imagina o que está por detrás. 

Este casal não é o que parece, ou talvez sim, são os maiores traficantes que possam imaginar. Conseguem enganar o padre da freguesia, não que seja muito difícil, e ludibriar o mais inteligente dos mafiosos.

A sua fama vai longe, mas ninguém os conhece, só sabem que existem.

Se aqui os denuncio, é só para que não se fiquem a rir. Agora já todos lhes conhecem os focinhos!

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento.

Desculpem! Foi o que se arranjou, só para não falhar esta semana 🤭

27.10.21

Arte e inspiração #7

Aquele beijo...


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                                     "O beijo"  -  Gustav Klimt

 

Aquele beijo...

Quantos anos passaram?

Quantos dias aconteceram a seguir?

Quantos mais beijos demos depois desse?

Como podem ser tão doces os lábios de alguém?

Depois daquele beijo, os sorrisos ficaram presos nos nossos rostos, e o brilho das estrelas nos nossos olhos. A perspectiva do amanhã ganhou outra cor, a expectativa do que poderia vir a seguir impôs- se nos nossas mentes, nos nossos desejos. 

Um simples beijo...é tanto!

Num simples beijo podemos pôr a alma, os sentidos, e a ânsia de algo grande que não sabemos descrever.

 Num simples beijo pode-se resumir o universo, quando ainda não sabemos que o universo é muito mais. 

Mas...aquele beijo,  foi o início de todos os outros que vieram e de todos os outros que ainda virão. 

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

 

 

 

13.10.21

Desafio "Arte e inspiração" #5

Limbo


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El sueño, Frida Khalo (1940)

De olhos fechados,  sonhei contigo. Miravas-me de um modo que eu não conseguia decifrar.  Pensei se seria amor ou se seria rancor, mas era com certeza um olhar intenso, um olhar perturbante.

Quis acordar, mas as pálpebras pesavam, não as comandava, não me obedeciam.

Senti-me a pairar algures numa outra dimensão, e com vontade de lá ficar. 

Foi quando o meu corpo estremeceu fortemente,  como se um choque eléctrico o tivesse percorrido. Senti o ar a invadir os meus pulmões e acabei por abrir os olhos, um sentimento de medo se apoderou de mim.

Ao abrir os olhos compreendi.

Afinal não eras a morte, mas sim a vida a chamar-me de volta.

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

 

06.10.21

Desafio "Arte e inspiração" #4

Ela


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40 anos - Fátima Mano

 

Era o mundo dela, onde se podia perder e encontrar                                                                                  Onde ninguém podia transpor a barreira de intimidade do seu "eu" eterno e maldito

Era a ilusão vívida por cansaço, por abandono da verdade dos outros                                                   onde só a dela era validada, com a volúpia a pairar sobre os sonhos e a transmutar a realidade

Era o mundo dela, e não quereria outro...

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

30.07.21

Desafio dos pássaros # 3.7

Um negacionista, um padre e o Gustavo santos entram num bar.


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Um negacionista entra num bar e imediatamente grita : Eu não sou um ser humano, sou um extra-terrestre e vim cá para vos destruir a todos! - Oh Manel, dá-me aí um whisky primeiro para aquecer.

O empregado, com cara de desconfiado, serve a bebida e pensa que deveria mudar de emprego.

Um padre entra no mesmo bar, e esbaforido pede um copo de vinho ao mesmo tempo que pede ajuda porque (diz ele)  é perseguido pelo demónio.

O empregado, com cara de parvo, serve a bebida e pensa que decididamente tem de mudar de emprego.

O Gustavo Santos entra no mesmo bar, e com um sorriso de orelha a orelha, anuncia que se vai candidatar à presidência da Republica, enquanto pede um absinto.

O empregado não serve a bebida e tirando o avental, declara que o trabalho naquele bar acaba ali.

 

Depois de ter faltado algumas semanas, tinha de me despedir deste desafio, por isso aqui a está a minha última participação nesta 3° temporada do Desafio de escrita dos passaros

 

 

 

 

04.06.21

Desafio dos pássaros # 3.3

"Não aguento mais contigo" - afirmou enquanto o atirava para longe.


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Ler, por vezes faz doer.

Não aguento mais contigo! - afirmou enquanto o atirava para longe. Claro que imediatamente se arrependeu, ainda para mais o livro nem sequer era seu, e convinha entregá-lo em condições.

A sua tia tinha-lo emprestado, dizendo que tinha a certeza que iria gostar muito de o ler. Mas o jovem não se lembrava de ter chorado tanto a ler um livro, aliás, ele nem se lembrava de alguma vez ter chorado a ler fosse aquilo que fosse.

Nem compreendia porque é que lhe tinha tocado tanto aquela história, já tinha lido "O meu pé de laranja lima" que tinha adorado, mas esta sequela da história de Zézé tinha sido muito forte e sensível, ao ponto de no momento em que terminou de ler a última frase, ter arremessado o livro para longe.

O "Vamos aquecer o sol" fala de amor, carinho, saudade, companheirismo, fantasia e coração, principalmente de coração, e Maurice, Adão e Monpti apoderam-se dos nossos sentidos e entram num cantinho das nossas memórias, onde se instalam confortavelmente, decididos a nunca de lá sair.

Então Maurice partira da minha vida. Usara o mesmo expediente de Adão. Viera  como um sonho e partira em outro sonho. Porque tudo devia partir na vida? Simplesmente Zézé, porque nascer é partir. Partir desde a primeira hora começada. Desde o primeiro momento respirado. E você não pode lutar contra a dura realidade da vida.

Quando por fim entregou o livro à tia, foi claro e conciso - Nem penses em emprestar-me mais algum livro, fartei-me de chorar com este, isso não se faz. Livros teus, nunca mais!

 

Desculpa sobrinho, gosto muito de ti na mesma.

 

21.05.21

Desafio dos pássaros # 3.2

Afinal havia outro ... fogão


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Lola

Há vidas fecundadas em dias de maus espíritos, como a de Lola.

Ninguém sabia o verdadeiro nome, ficou Lola porque em tempos teria andado por terras de Espanha, e quando voltou, foi assim que lhe passaram a chamar.

Desde a violência a que assistiu em casa dos pais, ao trabalho que teve durante 4 anos e que depois de uma falência a deixou desempregada e grávida de um colega que se pôs a milhas, Lola nunca teve um bom espírito que a acompanhasse.

O pai quando soube da gravidez, expulsou-a de casa. Sem outra família a quem recorrer, sem amizades que a pudessem acudir, Lola esteve num abrigo para futuras mães em dificuldades, onde por norma entregavam os filhos para adopção. Lola não foi excepção. Algo que recordaria para sempre com dor.

A vida nunca lhe tinha dado as melhores companhias, ela também nunca as tinha sabido escolher, e assim acabou por viver com uns e com outros, nenhum deles tendo sido alguém que lhe desse algo positivo.

Quando ouviu falar de um trabalho em Espanha, arranjou coragem e foi. Esteve lá 2 anos e já foi demasiado. Foi explorada, mal tratada e assim que conseguiu, voltou para Portugal com menos amor próprio do que nunca.

Lola era uma mulher frágil, nunca alguém lhe tinha dado valor algum.

Ao fim de muitos anos, Lola vivia numa barraca de um bairro de barracas, que a Segurança Social visitava de vez em quando. Ao verem o estado mental em que ela se encontrava, e não conseguindo convencê-la a ir para uma instituição, decidiram tirar-lhe do seu espaço as coisas que consideraram perigosas, como por exemplo, o fogão. Pediram apoio às instituições devidas e forneciam-lhe 2 refeições por dia, entregues à porta.

Até aquele dia...

As pessoas que viviam naquele bairro, acordaram com o cheiro intenso a fumo que entrava por todas as frinchas das janelas e portas, e viram o clarão alaranjado lá fora. A barraca de Lola estava em chamas, e lá dentro aquela pessoa que nunca na vida tinha tido amor ou algo que se parecesse com uma vida digna.

 

P.S. A peritagem concluiu que o incêndio tinha sido causado por um pequeno fogão de campismo. 

 

07.05.21

Desafio de escrita 3.0 - Tema 1

Foi o que ouvi


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Ouvi a vida rolar e a acontecer. Alguém me disse que ia ser fácil para todos, que os sorrisos iriam soltar-se quais pardais ao fim da tarde. Que tudo estava bem, que tudo estava no sítio. Que parvoíce...

Alguém disse que a bondade andava à solta, sem rédeas nem empecilhos. Que todos os homens seriam felizes, sem angustias nem tristezas. Que imaginação...

Afinal quem fala não sabe o que diz, quem fala diz o que lhe apetece, o que provavelmente queria que fosse...mas não é. Que tristeza...

Vejo ao longe as nuvens a passar, e muitas cores, azuis, brancos, cinzentos, e o dourado do rei sol. e isso é a vida, a que conhecemos, a que amamos, não a que nos contam, a que ouvimos algures. E que bonita que ela é...

 

Texto no âmbito do novo Desafio dos pássaros Desta vez a 3 ° temporada. Quem se quiser atrever, espreite.

09.03.21

O melhor ano da minha vida


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Será possível termos um melhor ano?

Para fazer este exercício, terei de separar as águas.

Creio haver os melhores momentos da nossa vida, quando concretizámos aquela viagem, quando casamos com o nosso amor, quando conseguimos aquele objectivo que tanto ansiávamos, quando nascem os filhos, e tenho na memória pedaços de felicidade tão simples como uma deslocação de carro, já noite, com os filhos a dormir no banco de trás, e sentir que estava tudo bem, tudo no sítio em que devia estar.

Mas se tiver que escolher um ano, talvez escolha o ano do namoro (que sério, foi só um). 

O ano em que tudo parece possível, em que o coração parece que rebenta, em que o sorriso na cara é constante, em que todos os sonhos do mundo parecem estar ali à mão.

Depois tornámo-nos adultos com responsabilidades, com preocupações, mesmo que intervaladas pelos melhores momentos do mundo, e fica para trás aquela bela altura em que não há inquietações que nos toquem, que nos incomodem, porque éramos livres, porque nos achávamos invencíveis e donos das nossas vontades. 

Sim, definitivamente, (não me crucifiquem) o ano de namoro!

 

Este texto faz parte de mais um desafio de escrita da nossa abelhinha Ana de Deus

28.02.21

O meu sitio, o meu canto


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Chegar pelo lado Norte, é ter uma vista linda pela frente, casario e o perfil do mar.

Chegar pelo lado Sul, é ter mais uma vista íncrivel, o Hotel dentro do espaço do mar, mais casario e mais...mar.

Chegar pelo lado Este, é ter outra vista fantástica, os telhados do casario e um espelho de mar infinito mesmo à frente.

Chegar pelo lado Oeste, é chegar pelo próprio mar, de preferência de barco, (a nado é capaz de não dar muito jeito), e tentem imaginar a vista.

É verdade, seja de que lado for que se chegue a este sítio, a vista é sempre linda, e o ponto fulcral é e será sempre o mar.

Neste caso, o imenso Oceano Atlântico com todo o esplendor, sejam dias de águas calmas de côr azul, seja nos dias de águas mais zangadas de côr de chumbo. 

Algo que faz parte, e não se abdica, é o cheiro a maresia, a algas, e até o teimoso nevoeiro que se aprende a amar (às vezes).

De entre as 1047 praias que temos, tenho que ressaltar os nomes originalissimos de Praia do Sul, Praia do Norte ou Praia dos Pescadores.

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Neste sítio pode-se passear por todo o lado, por ruas, ruelas, travessas e becos, todos os cantinhos são belos, todos com os seus recantos e segredos. Ao virar de uma esquina encontramos uma pequena escadaria, virando outra esquina encontramos uma fonte ou um cruzeiro com a sua inevitável praçeta, algumas vezes não passa de uma pracinha, mas sempre com um passado e a gritar história em cada pedaço de pedra de que é composto.

Além da igreja mor, deparamo-nos com algumas belas capelas espalhadas estrategicamente por vários espaços.

 

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E é ir passeando e olhando algumas das fachadas das casas em azulejos, ou como a maioria delas, pintadas de branco com barras azuis.

Também existem as casas que choram, desprezadas por herdeiros que não se entendem, ou por donos que nunca mais se viram. A essas apetece pegar ao colo e dar miminhos, ao mesmo tempo que imaginamos o que poderíamos fazer com elas, como poderiam fácilmente transformarem-se num aconchegante lar.

Nas ruas vemos os nomes tipicamente portugueses e existentes em tantos lugares, cidades e aldeias, Rua 5 de Outubro, Praça da República, Rua de baixo ou Rua do Norte.

E depois temos as nossas gentes, as nossas figuras "castiças". Quando uma desaparece é como se se fechasse uma rua, é o fim de uma história, é menos uma pedra na calçada, numa das ruas tortas deste sítio.

Se quiserem por cá passar, prometo receber-vos de braços abertos e um cafezinho

 

Este texto nasceu de um belo desafio de Cristina Aveiro