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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

05.10.22

Desafio "Arte e inspiração" V2 #4

Dama em fuga


imsilva

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                                                                A Dama de Shalott / The Lady off Shalott

                                                                                         de Jonh William Waterhouse

A surpresa da infelicidade

quando a mente a evoca

e de braços abertos, a liberta

É uma dama que por amor

no seu coração oprimido

o senso perdeu

e tresloucada partiu

em busca de nada

em busca de tudo

em busca do que deixou

no seu infinito e deslocado eu...

 

Participação no desafio da Fátima Bento

29.09.22

Casamento, ou não...

Desafio das palavras sobre nós. semana #5


imsilva

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Ela está linda, mas não o sente. Sente-se à beira de um abismo.

Ela caminha com passos incertos, inseguros, passos que têm dificuldades em serem dados.

Ela crê que não terá coragem, apesar de ser a sua felicidade que está em jogo.

Ela sonha com uma simples hipótese de ter o seu sítio, o seu lugar e um amor que lhe dê companheirismo, amizade, uma mão que a ajude a subir montanhas ou a atravessar um rio. Ela sonha com um beijo a saber a mais, a saber a vida.

Ela sabe que o futuro não lhe sorri, ela julga saber que o amanhã não será dela. 

Ela para na sua caminhada pela nave, e deixa o seu olhar cair na figura que a espera.

Ela respira fundo, sentindo que o ar que entra não é suficiente. Ela sente que os seus pensamentos galgam barreiras e muros que julgava intransponíveis. Ela  acorda da letargia que a consome há muito tempo, e reage.

Ela olha, e o seu olhar diz tanto. Quem a mira percebe, reconhece o olhar de alguém que tomou uma decisão, e virando-se, pedindo desculpas silenciosamente, sem necessidade de palavras, dirige os seus passos no sentido contrário, apressados, decididos, sem qualquer dúvida ou medo.

Ela afinal sabe quem é, sabe o que quer e sabe o que não quer.

Ela sabe que não quer que a pisem, que a amarrem, que não olhem nos seus olhos, que não ouçam o que tem para dizer.

E ela sabe onde está o que quer, ela conhece o caminho que a pode levar até lá, e serenamente, confiante, é para lá que dirige os seus passos, desta vez sem coações ou constrangimentos. Desta vez com as suas certezas e desejos no comando.

Para trás fica o passado, fica o que ela não quer. 

 

Participação no desafio da Célia

22.09.22

Filhos!!!

Desafio das palavras sobre nós. Semana #4


imsilva

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 Quando vi o tema desta semana do desafio da Célia , lembrei-me deste texto que foi dos primeiros do meu blog, e já repescado de um outro que abri em 2012. Senti que tinha de o publicar, está lá tudo o que poderia escrever agora.

 

Tenho que desabafar!
Hoje vi um papá acabadinho de estrear. Tinha aquele sorriso apatetado com que ficamos ao falar dos nossos filhotes recém-nascidos, que aos nossos olhos são os melhores e os mais lindos do mundo (porque o são). Mas, ele não sabe o que o espera! Uma vida de medos e preocupações, de coisinhas deliciosas e bem cheirosas (mesmo), de orgulhos desmedidos (mesmo quando chegam à meta em último lugar), de momentos em que quase os mandamos pela janela, ou em que só nos apetece comê-los com beijos (mais tarde arrepender-nos-emos de não o ter feito). Enfim, uma montanha russa de emoções, que nem sempre é fácil de gerir, principalmente naquela fase em que se julgam os mais espertos, e  os mais inteligentes (muito mais que nós , pobres ignorantes que não sabem como chegaram até aqui sem a sua preciosa ajuda).Creio que sabem ao que me refiro, a terrível " Adolescência" que cada vez começa mais cedo e acaba mais tarde. Felizmente nem todos os filhos passam por ela da mesma maneira, mas deixa sempre alguma mossa.

Depois de termos filhos, não conseguimos imaginar-nos sem eles. A nossa vida seria tão vazia, que nem conseguimos visioná-la. Mas a vida é feita de muitas pessoas que por opção, não os têm , e por outras que querendo mesmo muito, não conseguem fisicamente concretizá-lo. Conheci e conheço algumas destas, e sente-se a desilusão nos seus olhos, nas suas palavras, e só aí é que realizamos a nossa felicidade, a nossa riqueza, o valor afectivo que representa uma casa com filhos. E quando encontra-mos um casal, que não os tendo, viaja e realiza muito mais facilmente os seus objectivos materiais, a inveja espreita, mas rapidamente lhe damos um pontapé, porque preferimos andar à rasca, não viajar, ter menos pares de sapatos, mas ter-mos aqueles seres que são parte de nós,que nasceram de nós..... desculpem, alguém consegue descrever o que são os "filhos"?

  Bom, vou tentar resumir, para não assustar os que podem estar a ponderar  criar uma família com mais de dois elementos. É o melhor que nos pode acontecer na vida, e é o que nos dá cabelos brancos, mas como passar sem eles? e como viver com eles?. Eu já encontrei uma solução, mas só para a próxima reencarnação. Eu vou ter filhos, mas aos dez anos vai tudo para adopção.

21.09.22

Desafio "Arte e inspiração" V2.0 - semana #2

Muito tempo, é para sempre?


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                                                                        Young Mother Sewing, Mary Cassat

 

- Mãe, ficas comigo para sempre?

- Oh minha filha, ficarei muito tempo contigo.

- E muito tempo, é para sempre?

- É o tempo que for preciso para te proteger, para te mostrar as flores, para te ensinar a amar, para te ajudar a andar pelo mundo, e a viver o teus momentos.

- E quando eu souber isso tudo, vais-te embora?

- Sabes filha, nós não ficamos para todo o sempre, porque mais pessoas chegam todos os dias, e temos de lhes dar lugar. Mas, primeiro fazemos o nosso trabalho, e depois de feito, é mais fácil irmos e vocês seguirem o vosso caminho onde também ensinarão aos que chegarem, o que necessário for para que aprendam a ser felizes. É assim o ciclo da vida.

- Mas, mãe...eu não quero que tu vás! 

- Filha, só irei daqui a muito tempo, quando já não precisares de mim.

- Mãe, eu vou sempre precisar de ti!

 

Participação no desafio da Fátima Bento

14.09.22

Desafio "Arte e inspiração" V2 #1

A persistência da memória ou O dia em que o tempo findou


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Espero e desespero

Espero por tempos que tragam tempo

Tempo para amar

Tempo para viver

E pergunto por onde andará o tempo...

Desespero por esse tempo

Que tarda em chegar

Que não sei se chegará a tempo

De me acalmar

Abri a janela da vida, e nada vi

Acabei por entender

Não havia tempo

Era o dia em que o tempo findou

 

A minha participação nesta reedição do desafio da Fátima Bento 

 

 

 

 

 

08.09.22

Azul

Desafio das palavras /Tema 2


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Azul

Dizem que a cor da calma

Dizem que a cor da tristeza

Dizem que a cor do céu

Dizem que a cor do mar

Eu digo que a cor da vida, de alegrias e tristezas

da natureza e do infinito

A cor de "tudo é possível"

A cor dos sonhos que nos afloram em tantos e variados tons de azul

E eu digo " Some times, I´m feeling so blue"

 

Desafio das palavras da Célia

02.09.22

Alma

Desafio das palavras


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Setembro traz-me um pouco mais de calma à minha vida, não muita, só um bocadinho, mas o suficiente para tentar estar um pouco mais por aqui, e dar corda à criatividade. Assim vou tentar ocupar a mente com palavras em desafios de escrita, preencher espaços brancos com frases e pensamentos meus, na esperança que a ALMA se sinta quentinha e aconchegada na manta das letras que saem do coração.

 

O mundo dos desafios está aí. Já temos os da Ana de Deus, a Fátima Bento vai continuar com o dos quadros e este é um novo desafio que a Celia lançou. Atrevam-se!

11.07.22

Os amantes


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MARIA JOÃO CANTINHO, in SÍLABAS DE ÁGUA (Ed. Ver o Verso, 2005)

OS AMANTES

Poderiam ter deixado tudo para trás de si
e tomar o último comboio da noite,
como anjos de Chagall,
que não conhecem senão a dança do amor.

Teriam, então, deslizado pelas sombras,
como figuras luminosas,
que se desenhavam no hálito da madrugada,
os corpos fundidos nos versos
que escreviam no coração um do outro.

Teriam sido felizes, deitados sobre a terra,
a olhar o céu, onde deslizavam animais feitos de algodão,
teriam esquecido os nomes um do outro,
para reaprender o apelo da água
e do sangue, o apelo da voz universal,
o canto derradeiro que os sonhava.

Era preciso ter esquecido tudo
O lugar onde se nasce,
a casa onde sempre se retorna,
era preciso ter esquecido tudo,
para reaprender esse enigma,
que se escrevia na flor do silêncio.

Poderiam ter esquecido tudo, para trás de si
e tomado o último comboio do tempo.


Óleo s/ tela : Deux Têtes À La Fenêtre, de Marc Chagall