Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

27.08.21

Um pedaço da minha vida


imsilva

20201230_080939.jpg

 

Quando o pensamento se esvai, e o cansaço impera

Quando a mente se nega a funcionar

A esperança faz a sua  aparição e nos canta uma canção de embalar.

Os dias estão magníficos!

Limpos e luminosos.  

É o Agosto a despedir-se, o verão a acabar.

Desde sempre que o Verão para mim foi sinónimo de trabalho. Desde os meus 13 anos que a época balnear foi de trabalho. Estudava de inverno, e trabalhava no Verão. 

Já casada e com 3 filhos, o meu marido trabalhava na restauração e eu numa loja, com dias diferentes de folga, quando chegava o mês de Maio era uma neura que me entrava e que eu não entendia. Depois percebi que era a época em que o meu marido passava a estar mais tempo fora de casa, em que os nossos horários se desencontravam completamente e isso mexia com o meu sistema nervoso.

Os meus últimos 2 anos de trabalho na loja, foram anos de crises de ansiedade e ataques de pânico. Foram 2 anos de ansiolíticos que foram resolvidos quando mudei de trabalho e passei a trabalhar com o meu marido.

Com os miúdos já crescidos e com a ajuda da minha mãe, essa mudança foi possível. Se assim não fosse, creio que o casamento não teria sobrevivido, cheguei a dizer ao meu marido " em Maio sais de casa e voltas em Outubro" Coitado, sofreu comigo, não fui fácil de aturar nessa altura.

Hoje pensei em sentar-me a escrever alguma coisa (tinha saudades) e saiu isto. Um desabafo da vida, uma vida como tantas outras com altos e baixos e contratempos que se vão resolvendo melhor ou pior, conforme as hipóteses que nos aparecem à frente.

Talvez, resumindo, não se pode desistir. Temos de ir à procura das soluções e mesmo parecendo que não estão lá, acreditar que é possível, que as vamos encontrar e seguir o caminho.

O Verão está a acabar, e eu vou voltar a uma vida mais normal, com tempo para escrever, ler, ver os meus netos mais vezes, passear e gozar de tempos livres.

Sejam felizes, assim ou assado, encontrem o caminho para lá, porque o sol nasce todos os dias!

12.02.21

Abraços e beijinhos precisam-se!


imsilva

8dbb8bf385f2cf85b1744a656b96fb8c.jpg

 

Na quarta-feira, na RTP, na entrevista de Vitor Gonçalves ao Psiquiatra e Psicoterapeuta Vitor Cotovio, sobre saúde mental, (se possível vejam), falou-se de algo que eu ainda não tinha ouvido, mas já tinha pensado.

Alguém perguntou aos idosos que isolaram nos lares sem visitas, sem carinhos familiares, aqueles que deixamos em casa sozinhos porque havia aí um vírus à solta, aqueles que entendemos (sim, eu também) que ficariam melhor sem os nossos beijos e abraços, se era isso que preferiam? Creio que não.

Os meus pais apesar de terem a sua idadezinha, estão muito bem, e foi-lhes explicado o que se estava a passar, e que seria melhor restringirmos as nossas visitas e os nossos afectos. No 1º confinamento foi mais moderado, os beijinhos foram deixados para trás, mas havia os abracinhos e algumas refeições feitas em conjunto. Em Setembro a minha mãe fez anos e recusou a ideia de não irmos todos jantar como é habitual nestas alturas. Consciente da época que estamos a viver, foi a decisão tomada, apesar do suposto risco que poderíamos (poderiam) correr. No Natal reduzimos o nº mas juntamo-nos, seria impensável os meus pais passarem sozinhos essa festa. 

Veio o Janeiro e o "estado da nação" obrigou-nos a outros cuidados. Não perguntamos, mas falamos de como teria que ser para que ninguém fosse parar ao hospital. O meu pai entretanto fez anos e com máscara, sem afectos físicos, sem almoço nem jantar de celebração, fui lá a casa para conectar a família em vídeo chamada e podermos de alguma maneira estar com ele nesse dia. Foi muito duro.

E se lhes perguntasse directamente se não se importam de viver assim, se prefeririam correr o risco e ter a companhia que sempre tiveram antes? Somos muitos e sempre houve alguém a almoçar lá em casa por um motivo ou por outro ( muitas vezes por nenhum).

Tenho medo de perguntar, porque sei como pensam. Provavelmente diriam que já não têm assim tanto tempo de vida, como para desperdiçar sozinhos em casa a implicar um com o outro, sem aquela família maluca à volta deles. Tenho medo que tenham razão. 

Há pouco vi um pequeno texto que dizia que os avós têm que esperar pelos "abraços quentinhos". Que se deseja que os números de óbitos por covid, desçam a zero. E eu espero que não seja só aí que eles possam ser abraçados, porque se assim for, muitos desses avós não chegarão a receber esses abraços.

18.09.20

Parabéns Mãe


imsilva

 

20190730_174637.jpg

Mãe

Hoje fazes 85 anos.

Há sempre uma grande reunião familiar neste dia. Todos juntos, filhos, netos e bisnetos, somos 26.

Ultrapassamos uma fase em que ficamos em confinamento, sem abraços, sem beijinhos, sem visitas. No entretanto fomos devagarinho, e fomos convivendo com conta peso e medida. Tanto tu como o pai já recebem (de vez em quando) um abraço e um beijinho que tanta falta fazem.

Estamos a entrar numa nova fase (que não é melhor) e temos medo. Medo por vocês, não por nós.

Hoje não nos devíamos reunir.  Vamos ver como será, ainda está a ser estudado. Os tempos são estranhos, mandam na nossa vida com um estalar de dedos. E é dificil entender as mudanças de hábitos enraizados, hábitos que nunca imaginamos que poderiam ser alterados por forças exteriores.

Mãe

Sei que não vais viver mais 85 anos (nem eu mais 59), mas continuamos a precisar de ti, e sabemos que tens todas as capacidades e condições para mais uns quantos, e nós vamos zelar por isso, para que sejam com qualidade.

Que tenhas um dia (e os outros dias também) muito feliz.

 

Estas são para ti, o beijinho vai mais de aqui a pouco.

20190506_123456.jpg

 

 

 

22.11.19

desafio de escrita dos pássaros #11

Momentos familiares


imsilva

8945f6e2a1e839bfd2d45735598d6d5f.jpg

A Tininha, com a fralda a transbordar de caca bem cheirosa que se farta, chora. Chora? não, grita!

O Chiquinho bate com o carrinho vermelho dos bombeiros no radiador, só para ouvir o maravilhoso barulho que faz. Música para os seus ouvidos.

A Ritinha põe o som da sua aparelhagem mais alto, para se sobrepôr a todos os outros barulhos já existentes naquela casa. Tem os fones avariados.

O Tareco, armado em homem (gato) aranha, anda por cima dos móveis mais altos, e volta e meia lá cai qualquer coisa ao chão onde se estilhaça, uma moldura com a fotografia de casamento dos papás, um jarro com duas rosas, uma taça de vidro (essa oferecida pela tia Amélia, a dona vai agradecer).

A Mica gane e esconde-se por baixo de mesas e cadeiras, assustada com o nível acústico que tomou conta da casa. A cadela vem de um canil, onde foi adoptada pela família, depois de maus tratos e abandono pelos antigos donos.

A mãe, ao telefone com a melhor amiga, queixa-se de não conseguir tomar um banho sossegada, e que está a centímetros de se passar completamente dos carretos.

O pai diz que vai para a garagem tratar da mota, porque se não sai daquela casa de malucos, não se responsabiliza pelos seus actos e quem vai ficar maluco é ele, e também já não falta muito para isso.

Ouve-se a campainha da porta (não sei como é que ouviram) e a mãe, ainda de telefone ao ouvido vai abrir. Um carteiro de olhar assustado, entrega uma encomenda e sai a correr, esbaforido, sem perceber o que se passa naquela casa, que ultrapassa longamente os decibéis permitidos por lei.

Da cozinha surge uma fumarada, que rapidamente alastra ao resto das dependências da casa, e que põe toda a gente aos gritos (mais ainda) e com olhos lacrimejantes. Esqueceram-se das torradas na torradeira, que tem o automático avariado, e agora são fatias de carvão.

E eu no meu poleiro, elevo os meus trinados a patamares nunca antes alcançados, só porque sim, não quero ser diferente dos outros.

Atenção! Isto não é todos os dias assim. Hoje é que saiu um bocadinhos dos eixos, que os meus donos até são porreirinhos e normalmente conseguem ter tudo sob controle.

Palavra de canário!