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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

27.08.21

Um pedaço da minha vida


imsilva

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Quando o pensamento se esvai, e o cansaço impera

Quando a mente se nega a funcionar

A esperança faz a sua  aparição e nos canta uma canção de embalar.

Os dias estão magníficos!

Limpos e luminosos.  

É o Agosto a despedir-se, o verão a acabar.

Desde sempre que o Verão para mim foi sinónimo de trabalho. Desde os meus 13 anos que a época balnear foi de trabalho. Estudava de inverno, e trabalhava no Verão. 

Já casada e com 3 filhos, o meu marido trabalhava na restauração e eu numa loja, com dias diferentes de folga, quando chegava o mês de Maio era uma neura que me entrava e que eu não entendia. Depois percebi que era a época em que o meu marido passava a estar mais tempo fora de casa, em que os nossos horários se desencontravam completamente e isso mexia com o meu sistema nervoso.

Os meus últimos 2 anos de trabalho na loja, foram anos de crises de ansiedade e ataques de pânico. Foram 2 anos de ansiolíticos que foram resolvidos quando mudei de trabalho e passei a trabalhar com o meu marido.

Com os miúdos já crescidos e com a ajuda da minha mãe, essa mudança foi possível. Se assim não fosse, creio que o casamento não teria sobrevivido, cheguei a dizer ao meu marido " em Maio sais de casa e voltas em Outubro" Coitado, sofreu comigo, não fui fácil de aturar nessa altura.

Hoje pensei em sentar-me a escrever alguma coisa (tinha saudades) e saiu isto. Um desabafo da vida, uma vida como tantas outras com altos e baixos e contratempos que se vão resolvendo melhor ou pior, conforme as hipóteses que nos aparecem à frente.

Talvez, resumindo, não se pode desistir. Temos de ir à procura das soluções e mesmo parecendo que não estão lá, acreditar que é possível, que as vamos encontrar e seguir o caminho.

O Verão está a acabar, e eu vou voltar a uma vida mais normal, com tempo para escrever, ler, ver os meus netos mais vezes, passear e gozar de tempos livres.

Sejam felizes, assim ou assado, encontrem o caminho para lá, porque o sol nasce todos os dias!

09.06.21

Algumas das melhores coisas da vida...são de graça! I


imsilva

Praia

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Uma visão de irrequietude ou de mansidão,  conforme as emoções das ondas do mar.

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Uma imensidão de grãos de areia, com que podemos fazer castelos, não de sonhos, mas para sonhar.

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E onde podemos relaxar e depositar o nosso cansaço, deixando as marcas do caminho que já percorremos.

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E onde podemos encontrar coisas tão bonitas como esta.

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Sejam felizes!🌝

01.06.21

Dia Mundial da criança


imsilva

       

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             O Mundo dos contos de fadas

Era uma vez uma menina que encontrou um livro mágico. Era dourado e tinha um cadeado.

A caminho de casa, lembrou-se que tinha uma chave que talvez servisse. 

Estava escrito no livro  "País dos contos de fadas" Uau - disse a menina.

Ela abriu e entrou no livro, e quando entrou, viu uns três porquinhos a brincar às escondidas, uma menina com um capuz vermelho e sete cabritinhos escondidos. Era tudo maluco!

A menina falou com todos e perguntou como sair dali, e um dos cabritinhos disse que tinha de ir falar com o feiticeiro de Oz. Foi pelos tijolos amarelos, e depois a Doroty encontrou pelo caminho um rei que lhe disse que o caminho era para a direita. Ela assim fez e quando chegou ao castelo perguntou ao guarda que lhe respondeu  -  A menina tem um livro dourado com um cadeado? Sim - disse ela. -  É simples, era só abrir o livro e tirares as páginas, menos a que tu abriste. - respondeu-lhe o guarda.

Ela assim fez, e viu que não era verdade. Era um sonho.  Fim.

Martim Barreiro, 7 anos.

 

O Martim este fim de semana perguntou-me se eu queria que ele escrevesse para o meu blog, eu respondi-lhe que claro que queria. A folha ficou em cima da mesa, e eu há pouco, quando pensei que não tinha nada para publicar sobre o dia da criança, os olhos bateram na folha escrita por ele. O rapaz vem poucas vezes mas, quando vem dá frutos. Nada melhor que uma história escrita por uma criança, para celebrar este dia.

 

19.05.21

Gavetas


imsilva

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Gavetas de memórias sem cor

Gavetas de recordações esfumadas

Gavetas de sensações quentes

Gavetas de boas gargalhadas e de tristes lágrimas

Guardam as minhas camisolas e as minhas ilusões

Guardam os meus anéis e as minhas histórias

Guardam os meus sonhos, os que desapareceram nas esquinas do tempo,

e os que guardei com o maior dos recatos, para ninguém cobiçar

Guardam as imagens que a retina guardou e o coração rejeitou

Guardam alegrias e tristezas do que se perdeu no caminho

Guardam esperanças, desejos, anseios e sentimentos de amor, ainda por usar

E guardam uns pozinhos de felicidade, pelo sim pelo não

As minhas gavetas estão cheias do que não quero largar

17.03.21

Amarelo

Vamos pintar com palavras ? # 9


imsilva

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Aniversário

Abriu os olhos e percebeu a claridade que entrava no quarto, olhando para a janela viu um pedaço de céu muito azul, e ficou contente por ter um belo dia de sol no dia do seu aniversário.

Espreguiçou-se com vontade e sentiu a gata ao seu lado a fazer o mesmo. Agarrou-a e deu-lhe os miminhos habituais como o maior carinho do mundo, nunca tinha imaginado apaixonar-se assim por um animal, mas aconteceu e hoje sentia-a como a sua melhor companhia.

Pensou no alinhamento do dia, tinha combinado almoçar com os pais e os avós, e vendo os ponteiros do relógio da sua mesa de cabeceira, decidiu sair da cama e tomar um demorado banho se imersão. Quando voltou para o quarto, escolheu o que iria vestir, não sem pensar que a sua mãe tinha razão quando implicava com o seu guarda roupa que só tinha peças super prácticas, e onde segundo ela, faltavam as peças que qualquer jovem adulta com alguma vaidade gostaria de vestir. De repente lembrou-se de um vestido amarelo com pequenas florzinha brancas, que a sua mãe um dia a tinha convencido a comprar, e que ela até tinha gostado acabando por adquirir. Procurou-o no canto do armário e vestindo-o, olhou para o espelho da parede que lhe dava uma imagem dos pés à cabeça, e gostou do que viu. Ficando decidido que seria aquela a sua fatiota para aquele dia, desceu para tomar o pequeno almoço e encontrou na pequena mesa da cozinha um envelope acompanhado pelo mais lindo ramo de túlipas que já vira. O namorado tinha saído muito cedo de casa, mas antes tinha-lhe preparado este pequeno mimo. Leu a mensagem que ele lhe deixara com um sorriso na cara, e pegando no belo ramo para o pôr em água, pensou na sorte que tinha, um namorado que adorava e uma família com que se sentia realmente feliz.

Depois de tomar o pequeno almoço, arrumou a cozinha a pensar que apesar de tudo o que se passava no mundo, ela estava bem, os seus estavam bem, e fazendo mais uma festa à gata, deu mais uma vista de olhos às suas flores, apreciando o amarelo das suas bonitas pétalas e saiu de casa, sentindo que este seria um bom dia.

 

Hoje a minha filha faz anos, e inspirou-me para este texto que mistura muito pouca ficção e muito de realidade.

Parabéns Maria. Sê feliz, porque tu mereces. ❤

 

Texto no âmbito do Desafio caixa de lapis de cor

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24.02.21

Côr de laranja

Vamos pintar com palavras? # 6


imsilva

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E veio um anjo e deu uma pincelada

E veio outro e outra pincelada deu

E os pincéis eram feitos de sonhos e desejos escondidos

E as tintas de amores, de flores e de lindos pensamentos

À medida que as pinceladas iam acontecendo,

As cores iam-se formando, quentes, acolhedoras, envolventes,

E as almas que assistiam, iam sentindo o poder e a força que delas emanavam,

Iam sentindo sentimentos poderosos de gratidão,

De compaixão e de cumplicidade com o ar, com a água, com o fogo e com a terra

E os sorrisos nasciam e soltavam-se nos ventos que vinham de muito longe

Só para testemunharem aquele fenómeno de colorido e felicidade

E quem passava por ali parava para assistir, respirando um novo ar,

E até quem andava perdido pelo mundo, se reencontrava naquele momento que marca um fim,

com um recomeço prometido, numas novas pinceladas prometidas no tempo

Pinceladas que dizem, ser cor de laranja

 

Texto no âmbito Desafio caixa de lapis de cor

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05.02.21

Não é egoísmo, é opção


imsilva

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Num filme alguém perguntava a outro se tinha filhos. A pessoa respondeu que não, que era demasiado egoísta para isso. O primeiro disse que ter filhos era um acto muito mais egoísta.

Não creio que algum dos dois tivesse razão, não creio que seja uma questão de egoísmo, mas sim de opção.

Tão feliz pode ser um como o outro. Terão vidas diferentes certamente, experiências que sendo igualmente enriquecedoras, não terão muito em comum.

Em tempos acreditei que ter filhos fazia parte, não como obrigação, mas por vocação. Era para mim difícil entender que alguém poderia não querer ter filhos. Hoje entendo que o mundo mudou, que filhos podem não fazer parte da equação.

Noutras gerações vivia-se para ter descendência, ou para ter mão de obra, ou para ter a quem deixar o espólio, curiosa a distância entre estes dois motivos.

Na minha experiência, desejei ter filhos desde que me lembro de ser gente. Imaginava um rancho deles, e empregadas para tratar da roupa, para limpar ranho, para por a chucha durante a noite. 

Tive três filhos, a terceira veio clandestina, creio que foi a minha vontade escondida, como disse o meu marido, e então entendi que a vida real não tem a ver com a imaginação, que não quereria outra pessoa a limpar ranho, a por a chucha durante a noite (quer dizer...) a apaziguá-los durante os pesadelos nocturnos, ou a dar-lhes um beijinho no dói dói que fizeram enquanto andavam desarvorados a correr, quando já tinha dito que não queria correrias.

Já falei destas coisas aqui, e também das dores quando crescem e ficam parvos aqui.

Mas hoje quero dar a mão à palmatória, e reconhecer que a vida pode passar por não ter filhos, por realizar tantas outras coisas, é só decidir quais os objectivos de vida, porque hoje acredito que há mais, muito mais, e que tudo é válido para ser feliz, é só encontrar o caminho para lá.

 

 

 

23.12.20

Que sejam Boas as Festas!


imsilva

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Que haja um bocadinho de amor, de conforto e de alegria em todas as casas, em todos os corações 

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Que haja esperança e optimismo para o novo ano que aí vem. 

Que seja o ano das soluções, da volta à normalidade.

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Que seja o ano do regresso dos afectos físicos, dos abraços, dos beijinhos, das mãos apertadas e tocadas sem receios.

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                    Feliz Natal, sejam felizes!

  

09.12.20

O meu conto de Natal


imsilva

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Esta é a minha participação no meu próprio  Desafio

 

Um pinheirinho feliz

 

Era pequenino, raquítico e com pouca folhagem.

Estava sózinho, nem sabia como tinha ido lá parar, os outros pinheiros estavam mais afastados.

Era pequenino e sonhava em ser maior e brilhar numa sala qualquer, de uma daquelas casas que se viam ao longe. Não sabia de onde lhe vinha aquela ideia, mas sabia que era uma ideia fixa.

Entretanto, numa daquelas casas que se viam ao longe, uma família pensava nas decorações de Natal daquele ano.

  -  Pai, quando vamos buscar a árvore de Natal?  -  perguntou o Pedro

  -  Depois do almoço podemos ir dar um passeio e ver se encontramos alguma que nos agrade  -  respondeu o pai

  -  Mas pai, não podemos cortar pinheiros assim sem mais nem menos  -  disse Andreia, a irmã mais velha do Pedro.

  -  É verdade, por isso vamos ali ao terreno do Sr. Eduardo que ofereceu para quem quiser poder escolher um pinheiro, porque precisa de limpar aquela terra para uma construção que precisa de levantar.

  -  Que bom!  -  responderam em uníssono o Pedro e a Andreia.

Depois de um bem disposto almoço, e da louça estar toda arrumada, a família vestiu casacos, cachecóis, gorros e dirigiram-se ao terreno do Sr. Eduardo.

Havia realmente umas quantas árvores, umas grandes, outras enormes que nem caberiam lá em casa, e todos procuraram aquela que seria a ideal.

Entretanto o Pedro que se tinha afastado um pouco, chamou-os muito entusiasmado.

  -  Pai, mãe, Andreia, venham cá!

Quando a família chegou ao pé dele, viram um pinheirinho e um entusiasmado Pedro de olhos brilhantes, a olhar para ele.

  -  Pai, não é lindo?

O pai e a mãe olharam um para o outro, depois para a pequena árvore e responderam que talvez fosse pequeno demais, já para não falar do feio que era sem quase folhagem alguma, mas isso não disseram em voz alta.

A Andreia deu uma volta ao pinheiro, franziu o nariz e olhou para o irmão.

  -  Ó Pedro, não achas que está um bocadinho despido demais? Onde vamos pendurar todos os nossos enfeites numa árvore assim?

  -  Não precisamos de pôr todos os enfeites, podemos pôr só os preferidos, aqueles mais importantes.  -  respondeu o petiz quase com lágrimas nos olhos  -  Por favor, vamos levar este...

Não entendendo o porquê, mas vendo o sentimento posto no pedido do Pedro, não houve coragem para o negar, e acabaram por levar o pinheirinho para casa.

Já colocada no canto da sala, a pobre árvore quase não ocupava espaço algum. Depois de colocarem um único jogo de luzes, o Pedro escolheu os enfeites que gostava mais, como por exemplo o urso e o esquilo brancos que a avó lhes tinha oferecido num ano, o duende verde que lhes tinha dado noutro, ou a fotografia de família numa pequena moldura que penduravam todos o anos.

O resultado ficou um pouco aquém do que era habitual, mas a felicidade do rapaz era tão grande que ninguém disse coisa alguma.

Quando se foram deitar o sorriso de Pedro dizia tudo.

No dia seguinte quando a família acordou, à medida que passavam à porta da sala, iam ficando especados à porta a olhar lá para dentro. 

Quando o Pedro, que foi o último a acordar os viu, ficou curioso com o que estaria a acontecer, e furando entre o pai e a mãe olhou lá para dentro e não acreditou no que via.

O pinheirinho estava lindíssimo, recheado de belos ramos com belas folhas pontiagudas verdíssimas.

Foi um mistério que ficou para a história daquela família, mas eu posso vos contar que aquilo não foi mais que a felicidade do pinheirinho ao ver realizado o seu desejo de brilhar numa sala qualquer, de uma daquelas casas que se viam ao longe.