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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

18.09.20

Parabéns Mãe


imsilva

 

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Mãe

Hoje fazes 85 anos.

Há sempre uma grande reunião familiar neste dia. Todos juntos, filhos, netos e bisnetos, somos 26.

Ultrapassamos uma fase em que ficamos em confinamento, sem abraços, sem beijinhos, sem visitas. No entretanto fomos devagarinho, e fomos convivendo com conta peso e medida. Tanto tu como o pai já recebem (de vez em quando) um abraço e um beijinho que tanta falta fazem.

Estamos a entrar numa nova fase (que não é melhor) e temos medo. Medo por vocês, não por nós.

Hoje não nos devíamos reunir.  Vamos ver como será, ainda está a ser estudado. Os tempos são estranhos, mandam na nossa vida com um estalar de dedos. E é dificil entender as mudanças de hábitos enraizados, hábitos que nunca imaginamos que poderiam ser alterados por forças exteriores.

Mãe

Sei que não vais viver mais 85 anos (nem eu mais 59), mas continuamos a precisar de ti, e sabemos que tens todas as capacidades e condições para mais uns quantos, e nós vamos zelar por isso, para que sejam com qualidade.

Que tenhas um dia (e os outros dias também) muito feliz.

 

Estas são para ti, o beijinho vai mais de aqui a pouco.

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17.08.20

Será fé ?


imsilva

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Não sei se houve alguma ocasião em que a procissão da Nossa Sra. da Boa Viagem não tenha acontecido, mas este ano de 2020 não aconteceu.

Senti falta, senti que a vila este ano está incompleta, senti o vazio de algo que foi sempre o máximo dos máximos, as ruas e todos os cantinhos pura e simplesmente a abarrotar.

Quem por hábito, trazia o carro para o centro, neste dia não trazia, vinha a pé. Já sabia de antemão que não teria onde o estacionar. Encontrar-nos com quem nos queríamos encontrar, muitas vezes era impossivel, outras vezes um verdadeiro acaso.

Este ano há um défice no mês de Agosto, não houve luzes no mar, não houve os apitos dos barcos à partida e à chegada da imagem à praia, não houve a espera pelo fogo de artifício, que por vezes demorava, outras vezes não se chegava a ver por causa do nevoeiro.

Existe uma coisa tão pequena que nem se vê, mas tão grande que alterou o que (pensávamos nós) ser inalterável.

Senti-me triste por não ter havido a procissão da Nossa Sra. da Boa Viagem.

Senti que não há o direito de se mudar algo tão enraizado nos costumes dum povo, e isso não tem nada a ver com fé.

Quando a canção que se canta enquanto se acompanha a imagem, diz  " faz com que a guerra se acabe na terra" não havia quem não se arrepiasse e não acreditasse no pedido que toda aquela gente fazia nesse momento. E não sei se isso tem a ver só com fé.

É um povo que tem esperança, que se tem que agarrar a algo mais do que aos tostões que se contam, sempre na ilusão de ser mais do que se pensava, e que não vão poder homenagear aquela figura minúscula, tão colectivamente amada, tão colectivamente festejada. 

Todos se vão lembrar do ano em que a Santa não saiu à rua, o ano em que não houve festa, o ano em que todos ficaram mais tristes e mais pobres na sua efusiva religiosidade anual.