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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

25.08.21

As três palavras...


imsilva

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“Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.
Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe no que ainda não existe.”

Wislawa Szymborska, in 𝘈𝘴 𝘵𝘳ê𝘴 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢𝘴 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘯𝘩𝘢𝘴 (Polónia, 1923-2012)
Imagem de Catrin Welz-Stein (Alemanha, 1972)

09.04.21

Desafio cartas de correio


imsilva

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Caros primos, destino e futuro:

Serve esta para vos admoestar, e pedir-vos encarecidamente que vos apiedeis de nós seres humanos incautos e ignorantes, a quem parece que gostam de enganar e de dar falsas esperanças.

Todos vos cantam, todos têm uma fé inabalável em vocês, e tantas vezes não são mais do que desilusão, tudo o que ninguém esperava, e aí, são as pragas que vos rogam, as maldições que as vozes destilam em vosso nome.

Mesmo assim tenho que reconhecer que, às vezes, também se sabem portar bem, e conseguem trazer alegria e felicidade a umas quantas almas, não tantas como seria desejável, mas enfim...antes pouco do que nada, não é?

Nestes últimos tempos têm sido do mais sacaninha que pode haver. Não sei se têm vergonha, mas deviam. Andam constantemente a trocar-nos as voltas, nós esperamos isto e vocês dão-nos aquilo, nós pedimos (e com jeitinho) frito, e vocês dão-nos cozido...assim não dá!

Não tarda nada vão começar as manifestações, as rebeliões, e se alguém pensar em vos destituir, não se admirem, não se queixem se toda a gente aderir. E espero que seja sem qualquer tipo de subsídio ou compensação.

Bom, depois deste recado ou chamada de atenção, (porque poderiam até estar tão absorvidos por tanta porcaria que fazem, que ainda não tivessem reparado nos resultados) espero sinceramente que mudem de estratégia, que consigam controlar os vossos ímpetos, e que passem a trabalhar em coisas mais positivas, com amor e carinho, em salutar cumplicidade.

Pensem em dar-nos um tempo sem correntes e grilhões, deixem-nos abraçar e beijar, permitam-nos usufruir de dias tranquilos sem medos e receios. Gostaríamos de viver o nosso mundo com todas as suas particularidades sem ameaças ou máscaras a tapar-nos os sorrisos.

Acabo esta missiva com a grande esperança (que é uma palavra tão bonita) de me terem dado ouvidos e que rapidamente encontrem a estratégia para por tudo no sítio, e que nos próximos tempos as coisas passem a ser bem mais normais.

Alguém desesperado.

 

Texto escrito no âmbito do desafio cartas de correio 

27.04.20

Andamento em tempos anormais


imsilva

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Muito andamos na vida, e muito esperamos ainda andar. Mas em que termos e condições?

" Não são tempos normais" frase corriqueira de todos os dias, mas a cada dia que passa, fica mais e mais notório o significado, e mais doloroso também.

Medo da doença? Mais medo do depois, dos reflexos que ficarão nas nossas vidas, medo do desconhecido que "este algo" nos quer impingir, medo do durante, do espaço-tempo até podermos dizer "já passou".

Não era assim que a nossa vida estava planeada, não foi nada disto que nos ensinaram em pequenos, nem na escola nem em casa. Não há referências para sabermos que armas devemos usar.

Tenho a alma vestida de escuro. As manhãs são as mais complicadas, quando depois de acordar, levo com uma bofetada na cara quando me lembro. Não ando triste, mas tudo me enche os olhos de água.

Estou muito bem em casa, tanto que até receio a volta ao trabalho e a tudo o que isso implica, apesar de saber que se não voltamos depressa a coisa pode ficar realmente feia.

Saudades? Muitas! Dos pais, dos filhos, dos netos, (ai, ui, dói), e de uma dúzia de pessoas mais, não mais do que isso. Talvez o resultado de lidar com muita gente durante toda a minha vida, boa gente e apesar de ser no plano profissional, alguns passaram ao nível da amizade, mas também fez com que agora saiba apreciar o sossego.

Uma última coisa, a morte, a estúpida morte. A minha mais do que sincera compaixão por todos os que estão a passar pela despedida dos seus entes queridos. Morreram alguns familiares meus nestes últimos tempos, nenhum com Covid19. Tanto a família do meu marido como a minha, somos pessoas de nos reunirmos nos velórios e funerais. Somos unidos e estamos lá nessas alturas, e agora nada. O último foi há dois dias, e pelas palavras do meu marido que passou no cemitério nessa altura, foi terrorífico. Os senhores da funerária estavam vestidos com fatos de ficção cintífica com direito a máscaras daquelas com tubo para receber ar. Como é que se poderão sentir os familiares (sózinhos) que se despedem assim do seu marido e do seu pai, com pessoas que parecem saídas de um filme. Não tenho mais que comentar.

20.01.20

Poemas meus #1


imsilva

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Referi num outro post, uns poemas do meu tempo de adolescente. E acrescentei que se perdesse a vergonha publicava alguns. Pois bem, perdi a vergonha toda e aqui está o 1° de 5, a serem publicados durante está semana . Sejam bonzinhos, que a adolescência é uma época conturbada. 

Este, vai ser publicado na folha original.

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