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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

17.11.21

Sucata de Alice Vieira


imsilva

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Sucata

o que levam das nossas vidas
as coisas velhas que deitamos fora porque
as casas são pequenas e os objectos
envelhecem agora mais depressa
do que nós

nas velhas casas
os lençóis de linho e as arcas de cânfora
e os serviços de chá onde se via
uma chinesa no fundo das chávenas
que um tio avô
tinha trazido de Cantão
sobreviviam sempre a todos os mortos
e passavam de cama para cama
e de sala para sala
e de mesa para mesa
e eram sempre os mesmos
e nós tão outros

mas agora tudo é feito
para morrer depressa e
sem deixar mágoa nem vestígio

e que fazem dentro das nossas vidas
gravadores de fita máquinas de escrever
cassettes onde aprisionámos
histórias momentos e rostos
que julgávamos eternos
e que pensávamos rever
a vida inteira

--o senhor da sucata estava feliz
agradeceu muitas vezes
enquanto amontoava tudo
deixando a minha casa
subitamente maior

(ou muito mais pequena
conforme o ponto de vista)"

Alice Vieira, Olha-me Como Quem Chove.

12.11.21

Idade, Anos, Vida


imsilva

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 Quando acumulamos idade, anos, vida, sentimos o peso das vivências, da aprendizagem que fizemos ao longo do caminho, a montanha russa de sentimentos de que nunca mais descemos.

Até o olhar se modifica, passamos a olhar com mais condescendência, com mais compreensão, com muito mais paciência.

Aprendemos a não dar tantas opiniões, algo que fazíamos mais a miude, e aprendemos a respeitar o que os mais novos julgam que sabem, dando-lhes espaço para perceberem que nós já passamos por isso e já sabemos mais qualquer coisa.

Se pararmos para pensar um pouco no assunto, só nos podemos orgulhar do percurso feito. Já passaram esses anos todos? Como é que eu cheguei até aqui? Mas...eu sinto-me ainda uma adolescente à espera de mais alguma coisa!

A eterna insatisfação do ser humano, queremos sempre mais, apesar de não sabermos o quê. Mas se pararmos a olhar a nossa história, vemos muito mais, vemos experiências que hoje nem sabemos como passamos por elas, vemos que aquilo que hoje somos só pode ser graças ao que ficou para trás, mas que se encontra escondido num canto do nosso ser.

A idade, os anos, a vida, uma oferta preciosa que convêm aproveitar da melhor maneira possível.

28.02.21

O meu sitio, o meu canto


imsilva

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Chegar pelo lado Norte, é ter uma vista linda pela frente, casario e o perfil do mar.

Chegar pelo lado Sul, é ter mais uma vista íncrivel, o Hotel dentro do espaço do mar, mais casario e mais...mar.

Chegar pelo lado Este, é ter outra vista fantástica, os telhados do casario e um espelho de mar infinito mesmo à frente.

Chegar pelo lado Oeste, é chegar pelo próprio mar, de preferência de barco, (a nado é capaz de não dar muito jeito), e tentem imaginar a vista.

É verdade, seja de que lado for que se chegue a este sítio, a vista é sempre linda, e o ponto fulcral é e será sempre o mar.

Neste caso, o imenso Oceano Atlântico com todo o esplendor, sejam dias de águas calmas de côr azul, seja nos dias de águas mais zangadas de côr de chumbo. 

Algo que faz parte, e não se abdica, é o cheiro a maresia, a algas, e até o teimoso nevoeiro que se aprende a amar (às vezes).

De entre as 1047 praias que temos, tenho que ressaltar os nomes originalissimos de Praia do Sul, Praia do Norte ou Praia dos Pescadores.

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Neste sítio pode-se passear por todo o lado, por ruas, ruelas, travessas e becos, todos os cantinhos são belos, todos com os seus recantos e segredos. Ao virar de uma esquina encontramos uma pequena escadaria, virando outra esquina encontramos uma fonte ou um cruzeiro com a sua inevitável praçeta, algumas vezes não passa de uma pracinha, mas sempre com um passado e a gritar história em cada pedaço de pedra de que é composto.

Além da igreja mor, deparamo-nos com algumas belas capelas espalhadas estrategicamente por vários espaços.

 

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E é ir passeando e olhando algumas das fachadas das casas em azulejos, ou como a maioria delas, pintadas de branco com barras azuis.

Também existem as casas que choram, desprezadas por herdeiros que não se entendem, ou por donos que nunca mais se viram. A essas apetece pegar ao colo e dar miminhos, ao mesmo tempo que imaginamos o que poderíamos fazer com elas, como poderiam fácilmente transformarem-se num aconchegante lar.

Nas ruas vemos os nomes tipicamente portugueses e existentes em tantos lugares, cidades e aldeias, Rua 5 de Outubro, Praça da República, Rua de baixo ou Rua do Norte.

E depois temos as nossas gentes, as nossas figuras "castiças". Quando uma desaparece é como se se fechasse uma rua, é o fim de uma história, é menos uma pedra na calçada, numa das ruas tortas deste sítio.

Se quiserem por cá passar, prometo receber-vos de braços abertos e um cafezinho

 

Este texto nasceu de um belo desafio de Cristina Aveiro

  

 

 

 

20.11.20

Aventura a duas mãos 59/7


imsilva

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Rodrigo, Sónia, as chaves e um tesouro 

Era uma vez 2 amigos que a caminho da escola (onde aprendiam sempre muitas coisas), encontraram uma chave dourada e prateada.

Ficaram muito espantados, porque na chave estava um recado que dizia "Para abrir um tesouro", e atrás tinha uma pista, "Encontra a árvore mais alta do jardim"

Olharam um para o outro e o Rodrigo teve uma ideia - Vamos à procura da árvore - A Sónia disse logo que sim, mas só podia ser quando saíssem das aulas.

Às 15,30, quando saíram da escola, foram a correr para o jardim que ficava atrás da casa do Rodrigo.

Olhando para cima, procuraram a àrvore mais alta. Quando a encontraram a Sónia descobriu outra pista num ramo baixinho da àrvore.

O Rodrigo leu a pista que dizia " Encontra a pedra em forma de urso ao pé do lago"

Correram para o lago e procuraram a pedra. Foi fácil encontrá-la, porque parecia mesmo um urso.

 E lá descobriram um papel com uma nova pista que dizia, " Atrás desta pedra, existe uma gruta escondida. Lá dentro está o tesouro, mas tenham atenção porque tem 3 fechaduras e a gruta tem muitas chaves lá dentro. Têm que descobrir quais serão as outras duas chaves que abrirão o tesouro"

E então eles foram procurar, deram a volta à pedra e viram a entrada da gruta onde entraram de seguida e encontraram uma caixa linda com desenhos de àrvores. Depois o Rodrigo encontrou as chaves que lá estavam, que serviriam nas fechaduras da caixa do tesouro.

Depois de muitas tentativas, lá conseguiram as 2 chaves que abriam a caixa, e com a que tinham encontrado a caminho da escola, abriram o tesouro.

E o que é que acham que estava dentro da caixa do tesouro?

Moedas douradas de chocolate!!!

Nham, nham...

 

 

Convidei o meu neto (7 anos) para criar uma história comigo, disse imediatamente que sim. E nasceu esta aventura. As ideias saíam en catadupa, de tal forma, que tive que lhe dizer " tem calma, deixa-me arrumar esta ideia que já segues"  A ilustração também é de sua autoria.