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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

23.05.22

"Para sempre" de José Fanha


imsilva

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Eu gostava de acordar em cada dia e ter a minha mãe a meu lado. E o meu pai. E a minha avó. E todas as pessoas de quem gosto.
Mas alguns já se foram embora. Para sempre. E isso deixa-me confuso. Porque para sempre é mesmo muito tempo.
Eu consigo perceber o que é uma hora. Percebo dez minutos. Percebo dez segundos que é uma medida do tempo que uma pessoa começa a dizer e já passou. E percebo um dia ou uma semana. Mas para sempre é tão difícil de perceber...
Um dia, o meu pai foi-se embora para sempre. E eu esqueci-me de lhe dizer uma coisa. Nem sei bem que coisa era. Só sei que esta coisa que eu queria dizer ficou-me entalada na garganta. Para sempre.

José Fanha. In. Diário Inventado de Um Menino Já Crescido.

Ilustração de João Fanha

 

25.04.21

25 de Abril por José Fanha


imsilva

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" O grande símbolo do 25 de abril, é o cravo. E que melhor símbolo para uma revolução pacífica do que esta linda flor que, ainda por cima, é vermelha e verde, as cores da bandeira nacional? O que talvez nem toda a gente saiba é a origem dos cravos colocados no cano das armas dos soldados que fizeram o 25 de abril.
A história é bonita e simples:
Uma senhora trabalhava numa empresa que ia comemorar um ano de atividade no dia 25 de abril. Tinham-na mandado comprar muitos cravos para a festa de aniversário. Nesse mesmo dia, pela manhã, quando a senhora chegou à empresa, já a revolução estava na rua e os patrões disseram-lhe para levar os cravos, pois, se ficassem ali, murchavam.
A senhora trouxe consigo um grande molho de cravos e, quando encontrou os chaimites a subir para o Carmo, perguntou a um soldado:
- Vocês estão aqui a fazer o quê?
Eles explicaram que iam prender o Marcelo Caetano.
E um soldado perguntou:
- A senhora, não tem um cigarrinho?
- Não tenho cigarros, mas tenho cravos - disse a senhora.
E foi dando os cravos aos soldados, que os puseram nos canos das armas. Depois, disso, muitos cravos apareceram.
Muita gente foi buscar cravos e os soldados ficavam todos felizes por trazerem o sinal de alegria na lapela. E no cano das armas. "

José Fanha. Era uma vez o 25 de abril.
Abigail Ascenso - ilustração