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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

13.05.22

Uma carta para alguém

52 semanas de 2022 - Tema 19


imsilva

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Nesta altura da minha vida, só poderia escrever uma carta para um "alguém".

 

Mãe

Escrevo-te esta carta para ver se me esclareces algumas coisas.

Onde andas, que não te vejo há alguns dias? Passei pelo cemitério e estava lá um sítio cheio de coroas de flores com uma placazinha com o teu nome e a tua fotografia, como é que aquilo foi lá parar? Não é só para as pessoas que morreram? Então, não entendo. Ainda fui à procura de algum responsável por isso, mas não encontrei ninguém. Continuei confusa.

Fui às compras e comprei o champô que tu gostas e as maças que pedes sempre, já lá estão em casa, onde o pai está sozinho porque tu te lembraste de ir passear. 

Volta depressa, estamos todos com saudades tuas, os teus netos também perguntam por ti.

Ah! A tua filha mais velha manda-te um teteréré, e um mando-te um beijinho daqueles repenicados como só nós sabemos dar.

 Isabel.

 

Os desafios da abelha

 

                                                                                

04.05.22

Os meus últimos dias

52 semanas de 2022 / tema 18 Escreve sobre o teu dia


imsilva

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Andei desaparecida.

Passei por cá no dia da mãe, e deixei testemunho da nossa falta.

Hoje aproveitando o desafio da nossa Abelhinha Ana, vou escrever sobre os meus últimos dias, provavelmente não serão descrições maravilhosas de coisas boas mas serão testemunhos do que nos acontece por lei de vida e por muito que nos custe.

Entre o saber que íamos perder a nossa mãe e o perde-la vai um longo passo. Conseguimos enganar-nos a nós próprios, fingindo que é falso alarme e que não irá acontecer, pobres parvos.

Nestes dias passamos da dor ao ânimo constantemente. O meu pai precisa de nos ver inteiros, e não podemos defraudá-lo. Fomos (somos)uma família de ciganos, a casa esteve sempre cheia, almoços e jantares sempre com alguém a aparecer, mas como éramos sempre muitos, quando alguém aparecia a mais, nunca havia problema porque era só ir buscar mais um prato.

Talvez por não termos tido muito tempo para estarmos sozinhos, nestes últimos dias temos sentido algo a partir-se cá dentro cada vez que percebemos que não tornaremos a vê-la. Ontem passei pelo cemitério sozinha e ralhei com ela, perguntei-lhe o que estava a fazer ali, aquilo não era o seu sítio, o seu lugar era lá em casa, a receber-nos com o seu sorriso e a dizer - então filha?

Acordo a pensar nela, adormeço a pensar nela, e nela penso em todas as outras horas do dia. Assim têm sido os meus dias, dias em que me imagino dentro de um sonho mau do qual vou acordar em qualquer momento, até ao dia em que vou de nariz ao chão e aí talvez com a dor perceba que não estou a sonhar mas a viver uma triste realidade.

 

01.05.22

O caminho sem ti

Um dia da mãe agridoce


imsilva

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Está lá, o caminho, mas está escuro porque tu não estás.

Mas nós vamos continuar a caminhar, só que sem ti.

Vamos com certeza encontrar mais pedras no caminho,

vamos sentir falta do cheiro das flores,

e vamos continuar a caminhar, só que sem ti.

A paisagem mudou, falta-lhe um arco-iris

só a noite ficou mais bonita

há no firmamento uma estrela que brilha muito mais

e nós com um sorriso, olhamos para ela, só que sem ti,

porque é lá que estás tu, mãe.

 

Fernanda  18/9/1935 - 29/4/2022

07.03.19

Como ajudar?


imsilva

Estava aqui na dúvida se devia escrever este post, e pensei , toda a gente opina fortemente sobre o assunto que está na ordem do dia, e eu consigo vê-lo de outra perspectiva. Estamos com imagens de mulheres maltratadas por tudo quanto é sítio, mas será que aquelas que realmente estão com nódoas negras acham que isso faz alguma coisa por elas? Acreditam que falar disto noite e dia, criar dias de luto e pôr fotografias a fingir à direita e à esquerda, vai fazer com que alguém deixe de maltratar quem entende? Essas pessoas (sejam homens ou mulheres) vão continuar a fazer as coisas à sua maneira. Não creio ser dona da solução para resolver o problema, mas, creio que alertar , apoiar, ajudar quem possa sofrer este género de tratamentos ( sejam físicos ou psicológicos) faz muito mais sentido. Estarmos mais alertas para com as pessoas que nos rodeiam, ou que passam pela nossa vida, faz muito mais sentido. Estas pessoas têm família, amigos, vizinhos, vamos estar mais atentos, agir quando necessário,denunciar quando necessário, gritar quando necessário e dar com uma cadeira nos costados de alguém se necessário. Vamos ajudar as vítimas a enfrentar o problema, às vezes uma palavra de alguém que se preocupa pode fazer milagres. Não sei se será a solução, mas talvez seja mais efectivo do que o festival que para aí vai.

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