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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

Novembro 04, 2022

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JOSÉ LUÍS OUTONO, in ENREDOS & OUTROS MARES (Ed. Esgotadas, 2021)

PREOCUPADO

Preocupado com tanto, que não entendo porquê.
Humanos, que não são humanos,
atitudes que são sinónimo de irresponsabilidades,
e o mundo cai.
Não chega este viver pandémico,
e o fogo também crepita.
As razões naturais são mínimas,
a vigilância antecipada ronda o nulo,
e tudo acontece.
Preocupado.
Gostaria tanto de ver, sentir, e saudar
o único calor da felicidade humana
mas até ele, o Sol pergunta porquê,
e está preocupado!
Até quando pergunta o lado da razão?
Deixa-te de histórias diz o lado oposto,
gritando que liberdade é um grito sem limites,
sempre que amanhece!

 

 

Outubro 30, 2020

imsilva

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Juntavamo-nos na nossa casa, alguns eram familiares, outros simplesmente amigos.

Grandes noitadas de roda das cartas, dos amendoins, de um copo de cerveja ou de um cálice de Porto.

Era uma miríade de jogos, mas o que dava mais gozo, era a "lerpa".

A minha irmã era a maluca que se mandava de cabeça, o meu primo o inocente que perdia sempre, a minha mãe a que fazia todos recuar quando dizia que ia a jogo, porque ficávamos logo a saber que tinha o às. E os amigos deliravam com todas as características envolvidas. De vez em quando ainda falam daquelas noites.

Ao relembrar essas noitadas sinto uma dorzinha na alma, ao pensar que hoje já não seria assim. Hoje não podemos reunir-nos, tocarmos todos nas mesmas cartas, gargalharmos nas caras uns dos outros.

Em que é que o ser humano vai-se transformar depois de tudo isto passar? Seremos capazes de conviver como fazíamos antes? Estará a morrer a espontaneidade com que se dava um abraço ou um beijo a um amigo?

Medo, muito medo, do mundo em que os meus netos vão crescer.

Medo, muito medo, do mundo em que vamos viver daqui para a frente. 

 

Este texto tem o patrocínio da Mula e da Mel

Agosto 21, 2020

imsilva

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E aqui estamos, no admirável mundo novo, no ponto nunca imaginado.

Máscara no rosto, sorriso escondido, incógnito, e olhar estupefacto a interrogar o mundo.

Agora somos todos iguais, com o mesmo medo, ou quase, já nos cuidados, não tanto, e os hábitos em mutação e a enraizarem-se rápidamente.

As crianças habituadas é a parte gira. Viva as máscaras! Bendita a ignorância que serve para brincar aos heróis com liberdade.

O novo aroma a alcool gel entranhado nas narinas, e nos poros de todo o corpo.  Alcool diferente daquele que destilavamos na minha juventude.

Entretanto vamos habituando-nos à distância física, aos não cumprimentos, a uma certa frialdade que em nada condiz com a nossa condição de latinos. 

O isolamento vai cercando pessoas que não o merecem, e que pode ser o despoletar de doenças e males que poderiam ser evitados.

Mas o mundo pula e avança, aceitamos e vamos por lá, por onde nos dizem que devemos ir, e como sempre, adaptamo-nos.

Somos mesmo boa gente.

 

 

Março 17, 2020

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A minha filha faz hoje anos, vive a 1 km. da minha casa, e tenho que lhe dar os parabéns pelo telefone???

Em casa dos meus pais, que felizmente após um conturbado fim de 2019, já se encontram em condições de estar sozinhos, vou lá só quando muito necessário, sempre com medo de os encontrar caídos com a cabeça partida, e cacos de louça pelo chão. Isto, porque ao fim de 65 anos de casados, e hábitos antigos de implicarem um com o outro, não sei como vão conseguir estar em isolamento, os dois sozinhos, 24 horas por dia.

Há uma frase conhecida, "Parem o mundo que eu quero descer"  Eu estou a ver o mundo a parar, só não sei como descer. A maneira que me surge, não será a mais desejável.

Janeiro 24, 2020

imsilva

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                       "MUNDO DESTINADO"

Alguém nasceu

algures no mundo

preparado para melhorá-lo ou destruí-lo

destinado a amá-lo ou a odiá-lo

e para o mundo será indiferente

porque seguirá o seu destino impassível

sem olhar para trás

sem dizer adeus

sem lágrimas por tudo 

o que deixa derramado a seus pés

sem alegria por aquilo que surgiu

sem carinho por aquilo que um dia foi seu

e que no fundo continuará sendo

por a mais ninguém poder pertencer

e eu choro

porque existe algo grandioso

que não se apercebe da sua grandiosidade

que é o princípio e origem

de toda e qualquer existência

fora e dentro destas paredes imaginárias

às quais não se conhecem limites

para além daqueles

que o bicho-homem-coisa-nada dá

e quando alguém morrer

para o mundo será indiferente

 

Foi um enorme prazer, partilhar estes tesourinhos com vocês. Estavam guardados num baú de memórias importantes para qualquer crescimento, e no meu foram muito importantes, foram palavras muito sentidas na època e foi interessantissimo trazê-las à luz dos vossos olhos e opiniões. Obrigada pela atenção que lhes prestaram.

 

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