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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

27.04.21

As palavras de Whitman


imsilva

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"Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco,
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre."

Walt Whitman  1819 - 1892

20.04.21

A ilha de José Jorge Letria


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"Um velho poeta sem abrigo, daqueles que passeiam os versos entre canteiros de jardins tristes enquanto dão migalhas de pão aos pardais, ao ser perguntado sobre a existência da Ilha das Palavras, disse-me:
-Todos os poetas já a visitaram, pelo menos em sonhos.
-Mas se essa Ilha das Palavras realmente existe, onde é que fica?
-Mesmo que eu tivesse um mapa aqui à mão, teria muita dificuldade em responder-te, porque essa Ilha, sendo feita só de palavras , existe no mar da imaginação, no centro do Arquipélago das coisas sem nome.
- Eu próprio me tornei poeta depois dessa viagem e nunca mais deixei de o ser, porque um poeta nunca deixa de ser poeta, do mesmo modo que um anjo nunca deixa de ser anjo e uma ave do paraíso nunca deixa de ser uma ave do paraíso".

José Jorge Letria, A Ilha das Palavras.

13.04.21

Palavras pequenas


imsilva

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- Mãe.
- Sim.
- Porque é que as palavras céu e mar são tão pequenas se o céu e o mar são tão grandes?
- Deixa-me responder-te com outra pergunta: porque é que as palavras pai e mãe são tão pequenas se o amor que o pai e a mãe sentem por ti é tão grande?
- Já percebi, mãe. Não interessa o tamanho das palavras, mas o que nelas cabe.

lado.a.lado
By Biblioteca José Saramago
Ilustração_maja_lindberg

30.03.21

As poesia de Maria do Rosário Pedreira


imsilva

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Óleo s/ tela, por © Erica Hopper

 

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA, in O CANTO DO VENTO NOS CIPRESTES (Gótica Ed., 2001), in POESIA REUNIDA (Quetzal, 2012)

 

Pudesse eu morrer hoje como tu me morreste nessa noite — 

e deitar-me na terra; e ter uma cama de pedra branca e 

um cobertor de estrelas; e não ouvir senão o rumor das ervas 

que despontam de noite, e os passos diminutos dos insectos, 

e o canto do vento nos ciprestes; e não ter medo das sombras, 

nem das aves negras nos meus braços de mármore, 

nem de te ter perdido — não ter medo de nada. Pudesse 

 

eu fechar os olhos neste instante e esquecer-me de tudo — 

das tuas mãos tão frias quando estendi as minhas nessa noite; 

de não teres dito a única palavra que me faria salvar-te, mesmo 

deixando que eu perguntasse tudo; de teres insultado a vida 

e chamado pela morte para me mostrares que o teu corpo

já tinha desistido, que ias matar-te em mim e que era 

tarde para eu pensar em devolver-te os dias que roubara. Pudesse 

 

eu cair num sono gelado como o teu e deixar de sentir a dor, 

a dor incomparável de te ver acordado em tudo o que escrevi — 

porque foi pelo poema que me amaste, o poema foi sempre 

o que valeu a pena (o mais eram os gestos que não cabiam 

nas mãos, os morangos a que o verão obrigou); e pudesse 

 

eu deixar de escrever nesta manhã, o dia treme na linha 

dos telhados, a vida hesita tanto, e pudesse eu morrer, 

mas ouço-te a respirar no meu poema. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

25.03.21

As palavras de Sophia


imsilva

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Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
________
Sophia de Mello Breyner Andresen
(6 de novembro de 1919 - 2 de julho de 2004)

16.03.21

Retrato de mulher triste


imsilva

 

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RETRATO DE MULHER TRISTE

"Vestiu-se para um baile que não há.
Sentou-se com suas últimas jóias.
E olha para o lado, imóvel.

Está vendo os salões que se acabaram,
embala-se em valsas que não dançou,
levemente sorri para um homem.
O homem que não existiu.

Se alguém lhe disser que sonha,
levantará com desdém o arco das sobrancelhas,
Pois jamais se viveu com tanta plenitude.

Mas para falar de sua vida
tem de abaixar as quase infantis pestanas,
e esperar que se apaguem duas infinitas lágrimas."

Cecília Meireles, in "Poemas (1942-1959)"

25.02.21

As declarações de Chaplin


imsilva

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CHARLES CHAPLIN MORREU AOS 88 ANOS, DEIXOU 4 DECLARAÇÕES:

1 ... Nada é eterno neste
mundo, nem mesmo nossos problemas.
2 ... Gosto de andar na chuva, para que ninguém veja minhas lágrimas.
3 ... O dia mais desperdiçado da vida é o dia em que não rimos.
4 ... Os seis melhores médicos do mundo ...
1. Sol,
2. Descanso,
3. Exercício,
4. Dieta,
5. Autoestima
6. Amigos.

Se você ver a lua, verá a beleza de Deus.
Se você ver o sol, verá o poder de Deus.
Se você se olhar no espelho, verá a melhor criação de Deus.
Então, acredite.

Somos todos turistas, Deus é o nosso agente de viagens que já definiu os nossos roteiros, reservas e destinos.

A vida é apenas uma jornada!
Viva o presente !

14.02.21

As palavras de amor de Mário Soares em dia de S. Valentim


imsilva

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Para ti
Meu amor
Levanto a voz
No silêncio
Desta solidão em que me encontro
Sei que gostas de ouvir
A minha voz
Feita de palavras ternas e doces
Que invento para ti
Nos momentos calmos
Em que estamos sós
Sei que me ouves
Agora…
… uma vez mais
Apesar da distância
E do silêncio
Opera esse milagre
Simples
Como tudo o que é natural.

 

Poema de amor, escrito por MÁRIO SOARES a MARIA BARROSO, em 1962, quando se encontrava detido na prisão do Aljube.

 

11.02.21

A poesia de Rosa Lobato Faria


imsilva

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As pequenas palavras

De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
De todas as palavras escolhi dar.

De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólen, porque vento.
De todas as palavras escolhi mel.

De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.

E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.

Rosa Lobato Faria