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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

03.09.21

Quero escrever...


imsilva

Quero escrever uma carta, uma nota, um decreto, um recado, um simples bilhete.

Qualquer coisa que me diga algo a mim, que signifique que estou aqui, existindo através das palavras, através de emoções, pensamentos e desejos gravados num papel.

Que diga algo a alguém, que ajude, que alente, que marque a sua vida com palavras amigas capazes de fazer a diferença.

Quero escrever...qualquer coisa. 

 

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25.08.21

As três palavras...


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“Quando pronuncio a palavra Futuro,
a primeira sílaba já pertence ao passado.
Quando pronuncio a palavra Silêncio,
destruo-o.
Quando pronuncio a palavra Nada,
crio algo que não cabe no que ainda não existe.”

Wislawa Szymborska, in 𝘈𝘴 𝘵𝘳ê𝘴 𝘱𝘢𝘭𝘢𝘷𝘳𝘢𝘴 𝘮𝘢𝘪𝘴 𝘦𝘴𝘵𝘳𝘢𝘯𝘩𝘢𝘴 (Polónia, 1923-2012)
Imagem de Catrin Welz-Stein (Alemanha, 1972)

04.08.21

O silêncio de António Lobo Antunes


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Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas cosas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. (...) Frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas.

António Lobo Antunes

14.07.21

As palavras de Frida Kahlo


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Frida Kahlo disse ao marido: "Não estou a pedir para você me beijar, nem que me desculpe quando acho que você está errado. Nem mesmo vou pedir que você me abrace quando eu mais precisar. Não peço que me diga como sou bonita, mesmo que seja mentira, nem me escreva nada de bonito. Nem vou pedir que me ligue para me contar como foi o seu dia, nem que me diga que sente a minha falta. Não peço que me agradeça por tudo que faço por você, nem que se importe comigo quando a minha alma estiver deprimida e, claro, não vou pedir que você me apoie nas minhas decisões. Não vou nem mesmo pedir que você me ouça quando tenho mil histórias para te contar. Não vou te pedir para fazer nada, nem mesmo para estar ao meu lado para sempre.
Porque se eu tiver que te pedir, não quero mais. ”

27.04.21

As palavras de Whitman


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"Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco,
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre."

Walt Whitman  1819 - 1892

20.04.21

A ilha de José Jorge Letria


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"Um velho poeta sem abrigo, daqueles que passeiam os versos entre canteiros de jardins tristes enquanto dão migalhas de pão aos pardais, ao ser perguntado sobre a existência da Ilha das Palavras, disse-me:
-Todos os poetas já a visitaram, pelo menos em sonhos.
-Mas se essa Ilha das Palavras realmente existe, onde é que fica?
-Mesmo que eu tivesse um mapa aqui à mão, teria muita dificuldade em responder-te, porque essa Ilha, sendo feita só de palavras , existe no mar da imaginação, no centro do Arquipélago das coisas sem nome.
- Eu próprio me tornei poeta depois dessa viagem e nunca mais deixei de o ser, porque um poeta nunca deixa de ser poeta, do mesmo modo que um anjo nunca deixa de ser anjo e uma ave do paraíso nunca deixa de ser uma ave do paraíso".

José Jorge Letria, A Ilha das Palavras.

13.04.21

Palavras pequenas


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- Mãe.
- Sim.
- Porque é que as palavras céu e mar são tão pequenas se o céu e o mar são tão grandes?
- Deixa-me responder-te com outra pergunta: porque é que as palavras pai e mãe são tão pequenas se o amor que o pai e a mãe sentem por ti é tão grande?
- Já percebi, mãe. Não interessa o tamanho das palavras, mas o que nelas cabe.

lado.a.lado
By Biblioteca José Saramago
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30.03.21

As poesia de Maria do Rosário Pedreira


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Óleo s/ tela, por © Erica Hopper

 

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA, in O CANTO DO VENTO NOS CIPRESTES (Gótica Ed., 2001), in POESIA REUNIDA (Quetzal, 2012)

 

Pudesse eu morrer hoje como tu me morreste nessa noite — 

e deitar-me na terra; e ter uma cama de pedra branca e 

um cobertor de estrelas; e não ouvir senão o rumor das ervas 

que despontam de noite, e os passos diminutos dos insectos, 

e o canto do vento nos ciprestes; e não ter medo das sombras, 

nem das aves negras nos meus braços de mármore, 

nem de te ter perdido — não ter medo de nada. Pudesse 

 

eu fechar os olhos neste instante e esquecer-me de tudo — 

das tuas mãos tão frias quando estendi as minhas nessa noite; 

de não teres dito a única palavra que me faria salvar-te, mesmo 

deixando que eu perguntasse tudo; de teres insultado a vida 

e chamado pela morte para me mostrares que o teu corpo

já tinha desistido, que ias matar-te em mim e que era 

tarde para eu pensar em devolver-te os dias que roubara. Pudesse 

 

eu cair num sono gelado como o teu e deixar de sentir a dor, 

a dor incomparável de te ver acordado em tudo o que escrevi — 

porque foi pelo poema que me amaste, o poema foi sempre 

o que valeu a pena (o mais eram os gestos que não cabiam 

nas mãos, os morangos a que o verão obrigou); e pudesse 

 

eu deixar de escrever nesta manhã, o dia treme na linha 

dos telhados, a vida hesita tanto, e pudesse eu morrer, 

mas ouço-te a respirar no meu poema. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

25.03.21

As palavras de Sophia


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Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.
________
Sophia de Mello Breyner Andresen
(6 de novembro de 1919 - 2 de julho de 2004)