Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

14.05.21

30 minutos de espera...


imsilva

20210514_085008.jpg

O que podem fazer 30 minutos de espera.

Já lá tinha estado quando os meus pais foram vacinados, mas desta vez, sozinha, tive tempo de ver, e vi um pavilhão desportivo com uma parede repleta de cabines de vacinação e cadeiras espalhadas pelo resto do espaço, com a devida distância de segurança e pensei; que raio de coisa esta!

Estamos a assistir a uma vacinação em massa a nível mundial (ok. eu sei que não é bem assim, mas isso são contas de outro rosário) como nunca foi feita.

O que é isto? Em pleno século XXI, estamos a ser completamente comandados (bem ou mal) por um pequeno vírus ( e por entidades) que nos dão volta à vida, que nos proíbe de fazer-mos aquilo que queremos, que nos retira os afectos, e que nos obriga a usar uma máscara que nos tapa a expressão, o sorriso e a alface que ficou nos dentes.

Depois de levar a minha dose, sentei-me numa das cadeiras espalhadas pelo espaço e olhei à minha volta. Vi pessoas a olhar par os seus pequenos ecrãs de telemóvel, um a olhar para o tecto e outra a ler um livro. Também levei um, mas não chegou a sair da mala, o que tinha à minha volta era mais interessante. Atraída pelo movimento do senta-levanta, dediquei-me à observação de pessoas, de seres humanos que como cordeiros, seguiam instruções e levavam com a substância que dizem que pode travar esta pandemia.

Foi aí que pensei e ponderei no inusitado da situação e o que podem fazer 30 minutos de espera.

09.04.21

Desafio cartas de correio


imsilva

22054239_mcBat.jpeg.jpg

 

 

Caros primos, destino e futuro:

Serve esta para vos admoestar, e pedir-vos encarecidamente que vos apiedeis de nós seres humanos incautos e ignorantes, a quem parece que gostam de enganar e de dar falsas esperanças.

Todos vos cantam, todos têm uma fé inabalável em vocês, e tantas vezes não são mais do que desilusão, tudo o que ninguém esperava, e aí, são as pragas que vos rogam, as maldições que as vozes destilam em vosso nome.

Mesmo assim tenho que reconhecer que, às vezes, também se sabem portar bem, e conseguem trazer alegria e felicidade a umas quantas almas, não tantas como seria desejável, mas enfim...antes pouco do que nada, não é?

Nestes últimos tempos têm sido do mais sacaninha que pode haver. Não sei se têm vergonha, mas deviam. Andam constantemente a trocar-nos as voltas, nós esperamos isto e vocês dão-nos aquilo, nós pedimos (e com jeitinho) frito, e vocês dão-nos cozido...assim não dá!

Não tarda nada vão começar as manifestações, as rebeliões, e se alguém pensar em vos destituir, não se admirem, não se queixem se toda a gente aderir. E espero que seja sem qualquer tipo de subsídio ou compensação.

Bom, depois deste recado ou chamada de atenção, (porque poderiam até estar tão absorvidos por tanta porcaria que fazem, que ainda não tivessem reparado nos resultados) espero sinceramente que mudem de estratégia, que consigam controlar os vossos ímpetos, e que passem a trabalhar em coisas mais positivas, com amor e carinho, em salutar cumplicidade.

Pensem em dar-nos um tempo sem correntes e grilhões, deixem-nos abraçar e beijar, permitam-nos usufruir de dias tranquilos sem medos e receios. Gostaríamos de viver o nosso mundo com todas as suas particularidades sem ameaças ou máscaras a tapar-nos os sorrisos.

Acabo esta missiva com a grande esperança (que é uma palavra tão bonita) de me terem dado ouvidos e que rapidamente encontrem a estratégia para por tudo no sítio, e que nos próximos tempos as coisas passem a ser bem mais normais.

Alguém desesperado.

 

Texto escrito no âmbito do desafio cartas de correio 

26.03.21

As cores da vida


imsilva

f32a707c877b9b4ba329bcaf9583952e.jpg

 

Aviso: As cores e a tranquilidade da ilustração são pura e simplesmente para contrastar com as cores e inquietude do texto.

 

Quantos sonhos estão a ser trucidados por esta pandemia?

Quantas mentes se estão a dissolver neste confinamento?

Receio que bastantes mais do que julgamos. 

Vidas em suspenso à espera que o amanhã seja hoje, sem têmpera para esperar o que está para vir e que nunca mais chega.

O raciocínio perde-se no meio das dúvidas e dos medos. No meio da inércia, porque há inércia, porque há realmente vidas paradas que não encontram o botão de reiniciar.

Eu sei que muita gente não deixou de trabalhar e com mais ou menos medo, a sua vida segue practicamente igual, mas há os que pararam completamente, e chegamos a um ponto em que as coisas surgem com cores e sons muito escuros.

Pertenço aos que pararam completamente, mas com a capacidade de aguentar e esperar pacientemente. Mas muitos outros estão a perder essas capacidades, e estão a entrar no campo do desespero. Não me refiro só ao problema monetário, mas aos problemas emocionais que estão a ganhar terreno e a ficar difíceis.

Depois de uma troca de mensagens com alguém muito próximo, tive que que vos trazer esta reflexão, mais como desabafo, porque fiquei preocupada. Isto é real, isto é o mundo neste momento, e não sei o que poderemos fazer...

05.03.21

O que aprendi com uma pandemia


imsilva

12e5c56504657c26f7a6397acba99861.jpg

 

O que eu aprendi neste ano que passou entre Março e Março.

Aprendi a viver com imprevistos.

Aprendi que afinal dá-se a volta e segue-se em frente.

Aprendi que somos fortes.

Estando eu num dos ramos mais afectados por esta pandemia, aprendi que não estando preparados, depressa nos preparamos para os cataclismos sociais desta vida.

Aprendi que nada é garantido, quando uma coisinha que nem se vê nos vira a existência de cabeça para baixo.

Aprendi (mentira, que eu já sabia) que estar em casa sem compromissos exteriores é muito bom. Logicamente que no contexto em que foi, não foi devidamente apreciado, mas...

Aprendi que aquilo que julgamos impossível, passa a possível enquanto o diabo esfrega o olho.

Aprendi a nunca dizer nunca.

Não posso dizer que tenha aprendido, porque já sabia, mas confirmo o que já referi várias vezes, não esperem melhorias no ser humano, quem era boa pessoa vai continuar a ser, e quem já não o era, não vai passar a sê-lo.

E creio que aprendemos todos, que não mandamos, que pouca importância temos, e que afinal não somos os donos disto tudo.

30.10.20

Desafio passa-palavra #6 Cartas

Memórias


imsilva

2faabc0963a067bc144f55ac8c381aa0.jpg

Juntavamo-nos na nossa casa, alguns eram familiares, outros simplesmente amigos.

Grandes noitadas de roda das cartas, dos amendoins, de um copo de cerveja ou de um cálice de Porto.

Era uma miríade de jogos, mas o que dava mais gozo, era a "lerpa".

A minha irmã era a maluca que se mandava de cabeça, o meu primo o inocente que perdia sempre, a minha mãe a que fazia todos recuar quando dizia que ia a jogo, porque ficávamos logo a saber que tinha o às. E os amigos deliravam com todas as características envolvidas. De vez em quando ainda falam daquelas noites.

Ao relembrar essas noitadas sinto uma dorzinha na alma, ao pensar que hoje já não seria assim. Hoje não podemos reunir-nos, tocarmos todos nas mesmas cartas, gargalharmos nas caras uns dos outros.

Em que é que o ser humano vai-se transformar depois de tudo isto passar? Seremos capazes de conviver como fazíamos antes? Estará a morrer a espontaneidade com que se dava um abraço ou um beijo a um amigo?

Medo, muito medo, do mundo em que os meus netos vão crescer.

Medo, muito medo, do mundo em que vamos viver daqui para a frente. 

 

Este texto tem o patrocínio da Mula e da Mel

18.09.20

Parabéns Mãe


imsilva

 

20190730_174637.jpg

Mãe

Hoje fazes 85 anos.

Há sempre uma grande reunião familiar neste dia. Todos juntos, filhos, netos e bisnetos, somos 26.

Ultrapassamos uma fase em que ficamos em confinamento, sem abraços, sem beijinhos, sem visitas. No entretanto fomos devagarinho, e fomos convivendo com conta peso e medida. Tanto tu como o pai já recebem (de vez em quando) um abraço e um beijinho que tanta falta fazem.

Estamos a entrar numa nova fase (que não é melhor) e temos medo. Medo por vocês, não por nós.

Hoje não nos devíamos reunir.  Vamos ver como será, ainda está a ser estudado. Os tempos são estranhos, mandam na nossa vida com um estalar de dedos. E é dificil entender as mudanças de hábitos enraizados, hábitos que nunca imaginamos que poderiam ser alterados por forças exteriores.

Mãe

Sei que não vais viver mais 85 anos (nem eu mais 59), mas continuamos a precisar de ti, e sabemos que tens todas as capacidades e condições para mais uns quantos, e nós vamos zelar por isso, para que sejam com qualidade.

Que tenhas um dia (e os outros dias também) muito feliz.

 

Estas são para ti, o beijinho vai mais de aqui a pouco.

20190506_123456.jpg

 

 

 

15.04.20

Direito a celebrações


imsilva

2541f530dbcf42657f4975d954f1d495.jpg

 

Na minha família, toda a gente decidiu nascer nestes meses que hoje são apelidados de malfadados (isto para ser simpática), eu inclusive, e isso leva-me a querer partilhar com vocês, algumas conclusões a que cheguei.

- Quando isto acabar, não vamos ter condições de começar a trabalhar tão depressa.

- Vamos ter que fazer jus às comemorações em atraso, uma por uma.

- Vamos ter que enfardar bolos de aniversário, uns atrás dos outros, e apagar as velas a que todos temos direito.

-Vamos ter que celebrar a vida por todo o alto.

- Os patrões que tenham paciência, que desculpem, mas não contem com o pessoal tão depressa.

- Este isolamento está a queimar-me os fusíveis todos. EU SOU PATROA!!!