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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

04.12.20

Pensamentos em palavras


imsilva

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Tenho saudades de escrever.

Têm-me faltado as palavras, por isso tenho recorrido às "palavras dos outros". Não que não sejam boas, mas eu gosto de pôr as "minhas palavras" e partilhá-las mas, não têm saído.

Tudo à minha volta (como à volta de muitos) tem andado muito cinzento, e cinzento só gosto do tempo em alguns dias de Inverno, em que ficamos dentro de portas, no quentinho, confortáveis no nosso sofá, com a nossa mantinha, a nossa caneca de chá e um livro, senão também pode ser um filme com drama amoroso suficiente para nos aquecer o coração.

Mas o cinzento que eu vejo à minha volta, é a falta de saúde da minha colecção de velharias (pais e sogra), para além do balancé em que o trabalho está, com o abre agora, fecha depois e paga as contas na mesma.

Enfim, creio que para o 2º motivo só resta esperar por melhores dias e ter esperança num futuro próximo.

Quanto ao 1º motivo, é mais complicado, porque ninguém rejuvenesce, todos envelhecemos e os anos passam inexoravelmente.

Está a ser uma época de preocupações. Já tinha escrito sobre como seria quando os meus velhos deixassem de ser tão independentes e viessem a precisar da nossa presença assídua e cuidados.

É o que está a acontecer, apesar de ainda serem minimamente autónomos, sentimos que a nossa presença tem de ser diária. O estado anímico está em baixo, estão a sentir-se "velhos" e não estão a aceitar este novo viver. Ainda por cima parecem um baralho de cartas, a desmoronar uns a seguir aos outros.

Não vou falar de como é ter um trabalho e ter estas preocupações em cima porque creio que todos sabem qualquer coisa sobre isso.

E quando formos nós...?

Quem diria que ia sair um texto deste tamanho, quando dizia eu que me faltavam as palavras?

Apesar de que eu creio que isto são mais pensamentos do que palavras.

 

28.08.20

Dia de vento


imsilva

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Quando o vento se levanta e passa por aqui, peço-lhe que leve consigo os meus pensamentos, as minhas inquietudes e as minhas preocupações.

Mas ele diz-me sempre que só pode levar as folhas, o fumo, o nevoeiro e o ar cansado.

Por vezes, apanha no caminho algum passarinho mais desprevenido, que assustado, volteia no ar até encontrar o seu rumo novamente.

Também gosta de levar chapéus, vários chapéus, de sol, de chuva,ou os que periclitantemente se equilibram nas cabeças de alguns incautos que não acreditam na sua força.

Quando se cansa destes afazeres e brincadeiras, desaparece, e deixa-me os meus pensamentos, as minhas inquietudes e as minhas preocupações tal como estavam, e eu fico zangada por ele não me ter feito caso.