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pessoas e coisas da vida

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24.03.22

Histórias da vida real - I - Maria

Porque todos somos feitos de histórias.


imsilva

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Maria reformou-se.

Maria chegou à idade da reforma e reformou-se. Maria queria fazer companhia ao marido aposentado por imposição há uns anos atrás, e com alguns problemas de saúde, apesar de muito activo.

Maria, a rapariga mais velha de 7 irmãos, e que com a morte prematura da mãe teve de ajudar a criar os irmãos mais novos, sendo ela também muito jovem.

Maria tem um coração do tamanho do mundo, sempre pronta a ajudar o próximo.

Maria não tem filhos, uma dor nunca superada. Maria tem sobrinhos por quem se desvela.

Maria tem paixão pelo seu marido, e durante os seus problemas de saúde (renais) foi um forte suporte, sem nunca abdicar da luta e conseguindo uma estabilidade que se traduziu numa vida cuidada e normalizada.

O marido de Maria adoece gravemente 15 dias depois de Maria se reformar.

O marido de Maria está entubado e ligado a uma máquina.

O marido de Maria morreu.

Maria reformou-se, e ficou sozinha.

24.11.21

A vida depois de...


imsilva

 

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Ao ler um post do nosso vizinho pacotinhos de noção  fiquei com vontade de desabafar a minha frustração sobre o assunto.

Ainda há pouco falava com o meu marido sobre como vamos fazer este inverno. Temos um negócio, e no verão quando o trabalho nos escraviza, prometemos que no Inverno vai ser diferente, que vamos fechar à noite ou vamos ter mais dias de folga. Queremos ter vida, queremos ter tempo para nós, para fazer algo que nos dê prazer e paz, que nos faça sorrir e relaxar.

Todos os anos a conversa é a mesma e acabamos por não mudar nada, acabamos por ter um inverno com pouco tempo livre, e quando damos por isso estamos na primavera e começa a euforia do verão novamente sem termos modificado o "modus operandi".

Não há condições para o cidadão comum se reformar quando ainda tem energia e saúde para viver, para não ter obrigações e horários que ocupam a maior parte do dia. E quando fazemos contas para tentar perceber quanto poderemos vir a receber nessa altura, pomos as mãos na cabeça e percebemos que teremos ainda uns bons anos de trabalho pela frente.

Não temos condições de reforma decente e como diz o nosso vizinho, será que quando conseguirmos chegar lá, ainda estaremos cá?

E quando vemos as condições que as reformas prematuras de políticos e cargos de chefia em administrações, (algumas fraudulentas) têm, apetece enrolarmo-nos num canto e começar a chorar.