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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

Morar em si mesmo

Está tudo bem!

Maio 12, 2023

imsilva

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Eu moro em mim mesma, onde não há espaço para o não necessário, onde não apetece abrir a janela, para não entrarem os ecos da vida.

OK. Deve de ser da idade, cada vez se tem menos paciência, mais vontade de ser deixada em paz, e depois saem coisas destas! Mas, tudo bem! Está tudo bem! 

 Esta capacidade de sorrir e dizer que está tudo bem, é qualquer coisa. Uma aptidão inata a qualquer mulher que se preze.

Quem diria? Cumprimentamos com um sorriso, perguntamos; está tudo bem? e respondemos  tudo bem, obrigada.

Se está ou não está, não interessa nada porque não damos explicações, nem ninguém tem algo a ver com isso.ˋ

Às vezes nada está bem, podem ser coisas grandes ou pequenas, não interessa o tamanho. Se são   importantes? tavez não, a nossa alma é que é muito delicada.   

Abril 28, 2023

imsilva

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No último post, deixei um pequeno texto de Osho sobre estar sozinho, e prometi que haveríamos de falar disso, e aqui estou!

Com seis décadas de vida, e sem nunca ter vivido sozinha, os anseios por ficar comigo a sós, são muitos. Diria mais, creio que está a ser uma necessidade premente.

Ficar sozinho é algo tão belo! Ninguém invadindo seu espaço, ninguém o tratando mal. Você em paz para ser você mesmo e deixando que os outros sejam como são.

Estas são as palavras que Osho escreveu e que eu subscrevo de alma e coração. 

Poderão dizer "tira uma semana, vai para algum lado sozinha, ninguém vai morrer por isso" e eu digo, é verdade, é tão simples que até chateia. Mas, por qualquer razão não o é. O que é, é a vida a impor-se, são responsabilidades de várias ordens, são questões morais que nunca deixariam esta cabecinha tranquila a usufruir de calma e paz no coração. As exigências do dia a dia, tanto emocionais como profissionais chamam e não permitiriam sossego e mente em branco.

Gosto de ficar em casa sozinha, mas isso não é mais do que umas horas, poderá ser o dia inteiro, mas não mais. Mas, digo eu, será que conseguiria ficar sozinha durante muito tempo? Não sei, nunca experimentei. Tirando o tempo em hospitais, com o nascimento das crias, e com os 10 dias de internamento com uma encefalite, que não pode contar porque de sossego não tem nada, nunca estive completamente sozinha. Daí ficar a dúvida, não começaria a panicar ao fim de dois dias? Gostava de tirar as dúvidas, e ficar a saber como é, (des)controlar os meus segundos, os meus momentos, tirar o relógio e seguir o meu coração, a minha necessidade.

Hei-de o fazer, não sei quando, provavelmente terão as constelações que se conjugar nos lugares certos e no tempo certo, mas sei que terei de o fazer para bem da minha sanidade mental. 

Deve de haver por aí tanta gente a chamar-me parva, a perguntar-se se estarei bem da cabeça por ter este desejo tão simples e que aparenta tanta dificuldade da minha parte. Mas, como diz o povo, cada um sabe de si, e eu sei que este não é o momento. 

 

Fevereiro 08, 2023

imsilva

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E é por aqui que andam os meus pensamentos.

Cada vez mais, preciso menos de convívios e pessoas a quem devo uma conversa de circunstância.

Cada vez mais, prezo o meu cantinho, o meu sossego, o meu silêncio. Isto apesar de por vezes ter a casa cheia, o que não quer dizer que não me saiba bem, desde que o sossego regresse.

Dizem que a idade traz estas manias, pois se assim for, eu já lá estou, na "idade"!

Passado e presente

Mini-conto

Janeiro 04, 2023

imsilva

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Enroscou-se no sofá, o mais perto da lareira possível. As festas estavam a acabar e ela sentia-se contente com o facto.

Teimosamente, enfeitara a casa quase como antigamente. Queria tentar não perder o espírito, mas, estava difícil. Gostava do verde, do vermelho e dos brancos flocos de neve que representavam o Natal, mas perguntava-se a si própria se teria a coragem de o fazer novamente no próximo ano. 

Quando é que tinha começado a sentir que já pouco sentido fazia? Quando a grande família começou a ficar mais pequena? Quando o seu próprio núcleo familiar se afastou por força das circunstâncias?

Lembrava-se de Natais passados com um baque no coração. Os filhos em casa entusiasmados com os mais pequenos pormenores, o marido que a reboque deles, até vestia camisolas com renas, e ela própria, vivia aqueles dias com um sorriso permanente no rosto.

Mas, o tempo passa. Os filhos procuram o seu caminho, o seu mundo, que por vezes fica a muitos quilómetros de distância, e a idade destrói células e faculdades por vezes cedo demais, aos que ficam ao nosso lado, como ao seu marido, que por vezes nem sabia quem ela era. 

Assim era a sua vida agora. Os filhos longe e o seu marido, com um princípio de demência . O companheiro de tantas alegrias e arrelias, já não lhe fazia a companhia a que se habituara. Era alguém que ela não reconhecia, mas que tinha as feições dele, da pessoa que tanto lhe dera, que tanto a incentivara e ajudara a crescer como ser humano ao longo dos anos.

O relógio fazia o tic-tac próprio, sem grandes alaridos, só o suficiente para não esquecermos que o tempo corre sem contemplações.

Olhou à sua volta, amanhã tiraria as caixas dos enfeites da arrecadação e cuidadosamente os arrumaria, como sempre tinha feito, mas hoje, surpreendentemente, gostou do que viu. Sentiu-se confortável e a relaxar. Tentou agarrar esse momento, já eram tão poucos...

Pegou no livro que repousava na pequena mesa de apoio, abriu-o e começou a ler na página onde o tinha deixado há duas noites. Sentiu alguma dificuldade em se concentrar ao princípio, mas ao fim de alguns minutos em que sentia a mente a fugir para outros sítios, conseguiu embrenhar-se na sua leitura e aí pode usufruir de um serão noutro mundo, noutras paragens, noutras vidas, onde ela não estava.

 

Novembro 21, 2022

imsilva

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Ora, a solidão, ainda vai ter de aprender muito para saber o que isso é, Sempre vivi só, Também eu, mas a solidão não é viver só, a solidão é não sermos capazes de fazer companhia a alguém ou a alguma coisa que está dentro de nós, a solidão não é uma árvore no meio duma planície onde só ela esteja, é a distância entre a seiva profunda e a casca, entre a folha e a raiz, Você está a tresvariar, tudo quanto menciona está ligado entre si, aí não há nenhuma solidão, Deixemos a árvore, olhe para dentro de si e veja a solidão, Como disse o outro, solitário andar por entre a gente, Pior do que isso, solitário estar onde nem nós próprios estamos.

José Saramago, "O Ano da Morte de Ricardo Reis"
Pintura de Sergio Clemente

Biblioteca Municipal de Beja - José Saramago

Verde escuro

Vamos pintar com palavras? #4

Fevereiro 10, 2021

imsilva

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Numa janela verde escuro

 

Debruçada na janela já descascada onde se viam ainda os laivos verdes escuros da cor original, olhava o mundo, a vida, o que já tinha passado, o que acontecia e talvez imaginasse o que lá viria. Ou talvez simplesmente, olhasse.

Sozinha vivia os dias que andavam com tão pouco andamento, que por vezes acreditava que nem tinham passado.

As marcas da sua cara tisnada, que não conseguia dizer a idade, e das suas mãos de quase couro, contavam histórias sem fim, provavelmente não muito felizes, mas já passadas. Histórias que só podiam ser adivinhadas, porque ninguém as conhecia.

Não se conhecia alguém que as tivesse ouvido, não se via alguém que parasse para dar ou receber uma palavra  ou para dois dedos de conversa fiada entre vizinhos. O seu olhar não o permitia.

Ninguém recordava companhia alguma naquela casa que fora sempre tão sozinha. Ninguém recordava a 1º vez que ali a viram, possivelmente há tanto tempo, que os que hoje passam naquela rua, nem teriam ainda nascido.

Mas viam-na ali à janela, como se o ar lhe faltasse lá dentro, e tivesse de o ir buscar lá fora, à janela, aquela janela com a tinta já descascada onde se viam ainda os laivos verdes escuros da tinta original, que dava para a vida, para o mundo, onde ela ficava a olhar todos os dias, ao mesmo tempo que, quem sabe, recordava as histórias que mais ninguém conhecia.

 

Texto no âmbito do Desafio caixa de lapis de cor

Livro dos contos de natal do Blog

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