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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

14.09.22

Desafio "Arte e inspiração" V2 #1

A persistência da memória ou O dia em que o tempo findou


imsilva

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Espero e desespero

Espero por tempos que tragam tempo

Tempo para amar

Tempo para viver

E pergunto por onde andará o tempo...

Desespero por esse tempo

Que tarda em chegar

Que não sei se chegará a tempo

De me acalmar

Abri a janela da vida, e nada vi

Acabei por entender

Não havia tempo

Era o dia em que o tempo findou

 

A minha participação nesta reedição do desafio da Fátima Bento 

 

 

 

 

 

03.08.22

Costurar (Janaína Cavallin)


imsilva

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A gente podia poder costurar o tempo,
Bordando em cima dos erros
Para que eles sumissem.
Costurar as pessoas
Que gostamos pertinho.
Costurar os domingos,
Um mais perto do outro.
Costurar o amor verdadeiro no peito
De quem a gente ama.
Costurar a verdade
Na boca dos seres.
Costurar a saudade
No fundo de um baú
Para que ela
De lá não fuja.
Costurar a auto estima bem alto,
Pra que nunca ela caia.
Costurar o perdão na alma
E a bondade na mão.
Costurar o bem no bem
E o bem sobre o mal.
Costurar a saúde na enfermidade
E a felicidade em todo lugar ...

(Janaína Cavallin--)

13.05.22

Uma carta para alguém

52 semanas de 2022 - Tema 19


imsilva

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Nesta altura da minha vida, só poderia escrever uma carta para um "alguém".

 

Mãe

Escrevo-te esta carta para ver se me esclareces algumas coisas.

Onde andas, que não te vejo há alguns dias? Passei pelo cemitério e estava lá um sítio cheio de coroas de flores com uma placazinha com o teu nome e a tua fotografia, como é que aquilo foi lá parar? Não é só para as pessoas que morreram? Então, não entendo. Ainda fui à procura de algum responsável por isso, mas não encontrei ninguém. Continuei confusa.

Fui às compras e comprei o champô que tu gostas e as maças que pedes sempre, já lá estão em casa, onde o pai está sozinho porque tu te lembraste de ir passear. 

Volta depressa, estamos todos com saudades tuas, os teus netos também perguntam por ti.

Ah! A tua filha mais velha manda-te um teteréré, e um mando-te um beijinho daqueles repenicados como só nós sabemos dar.

 Isabel.

 

Os desafios da abelha

 

                                                                                

16.02.22

Felicidade

7º tema de 52


imsilva

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                                                                                                           A primeira camélia

Esta é a 7° semana do desafio da Ana de Deus. O tema desta semana é a "felicidade"  e esta é a minha participação.

 

Felicidade

Perguntou-me o vento; O que te faz feliz?

- As tuas caricias mornas, os aromas do mar que trazes até mim, os aromas das flores que espalhas e nos fazes chegar aos sentidos.

Perguntou-me a terra; O que te faz feliz?

- Sentir que estás aí, que vives, que respiras, que renasces a cada dia.

Perguntou-me o sol; O que te faz feliz?

- A tua luz, quando no frio me aqueces, quando iluminas a vida para que tudo pareça melhor.

Perguntou-me a água; O que te faz feliz?

A tua frescura quando me matas a sede, quando refrescas e ajudas a reiniciar a terra, quando nos lavas o corpo de cansaços e pó.

Perguntou-me o amor; O que te faz feliz?

- Quando te sinto num olhar, num gesto. Quando o abraço acalma o coração e tudo fica bem. Quando pairas na atmosfera, e te sentimos a rondar as emoções.

Perguntou-me o tempo; O que te faz feliz?

Poder abraçar e beijar os meus. Ouvi-los falar das suas coisas, e saber que estão bem. Ficar a levitar com um livro, acompanhada pelos meus pensamentos.Sentir que por mim passas, que estás aí, que ainda estás aí, e que espero ter-te por mais tempo, a ti que és o tempo.

20.08.21

O tempo de Rubem Alves


imsilva

 

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Resta quanto tempo? Não sei. O relógio da vida não tem ponteiros.
Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.

(Rubem Alves---)

 

 

 

 

 

09.07.21

Só queria sonhar


imsilva

 

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Encostei a minha cabeça à almofada e fechei os olhos

Queria adormecer, queria descansar

Chamei as fadas e os duendes dos sonhos para me ajudarem

Queria dormir a sorrir, sonhar com coisas bonitas e doces

Mas já não sabia como...

No tempo ficou a capacidade das coisas boas, das coisas felizes

No tempo ficou a simplicidade da vida, a clareza da água

Com o tempo veio a tristeza, o ribombar do trovão

As cores embaciadas, as imagens desfocadas

Com o tempo veio a desconexão, as insônias e a incompreensão 

Era isto que nos esperava no fim do caminho?

Era isto que mereciamos?

Não! Vamos encontrar as lentes mágicas,

Vamos pedir aos sonhos de criança que voltem

Vamos sentir o sol, a brisa e a chuva no rosto

Vamos insistir na vida...

Quero dormir a sorrir e sonhar com um novo dia

 

11.03.21

Respira - Palvras de Vanessa Januário


imsilva

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Respira

O tempo não tem tempo.
Não se filtra nem se importa. Podes pedir-lhe para ficar, mas ele explode em cores, em sentimentos e caminhos e corre...corre sem nunca voltar.
Não chores pelo tempo.
Ele da-te definição, constrói-te o rosto e faz-te crescer o corpo. Preenche-te as rugas com sabedoria, os braços com oportunidades e o peito com sensações.
Conta pelos dedos os segundos... pára e volta a contar. Sim...o tempo passou. E não peças ao tempo para que altere o seu passo. Ele não corre nem repousa. Mantém o seu ritmo sentido. O que muda não é o sentido do tempo, mas a forma como cada um o sente. Se o tempo te der asas voa, se o tempo te der carinho abraça, se o tempo te der oportunidade, olha a tua volta e valoriza as pessoas que estão a teu lado...nesse momento não estás a perder tempo, estás a assistir a mais bela metamorfose dos sentimentos. Quando não tiveres tempo para respirar, percebes que o tempo é finito apenas na infinidade daquilo que és capaz de sentir...o amor.

" A vida não tem tempo e o tempo nunca terá prazo... respira, vive"
Vanessa Januário#letrasdepapel

02.10.20

A casa

Saudade


imsilva

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Lembra-se da casa, de quando era pequena. Uma casa de tijolo, de janelas com portadas azuis e na porta um batente em forma de punho.

Que saudades...

Lá dentro as paredes estavam pintadas de um verde "seco" e as janelas, que ela se lembrava de ver o avô de vez em quando de roda delas a raspar e a pintar, eram brancas. As cortinas eram às flores, côr de rosa e vermelhas com muitas folhas de várias verdes, entre eles o tal verde "seco". E como alegravam a casa. Nessas mesmas janelas, lembrava-se de encima de um banco, espreitar para as casas do outro lado da rua, e de ver a senhora do cão a tratar do jardim e das magnificas rosas que lá tinha.

Por baixo das escadas que davam para o 1º andar, havia um espaço maravilhoso onde gostava de passar o tempo. Levava um cobertor, punha-o no chão, e era lá que lia um livro,  que pintava desenhos ou que vestia e despia as bonecas com as roupas que a avó lhes fazia.

No Inverno acendiam a lareira e sentava-se ao colo do avô para ouvir as suas histórias. A avó tinha sempre bolinhos e bolachas que fazia no grande forno da cozinha, e que deixava a casa a cheirar maravilhosamente bem. 

Que saudades...

Hoje a casa já não cheira a bolos, os avós já não estão lá há uns anos, e ela já não é pequena.

Hoje ela está à cabeceira da avó, que depois de muitos anos de luta e de dar amor e atenção a toda a gente, vive os seus últimos momentos.

E ela com saudades de tudo o que viveu naquela casa, e com quem o viveu, pensa em lá voltar, pensa que tem de vê-la porque...quem sabe?

 

Texto escrito no âmbito deste Desafio