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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

16.02.22

Felicidade

7º tema de 52


imsilva

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                                                                                                           A primeira camélia

Esta é a 7° semana do desafio da Ana de Deus. O tema desta semana é a "felicidade"  e esta é a minha participação.

 

Felicidade

Perguntou-me o vento; O que te faz feliz?

- As tuas caricias mornas, os aromas do mar que trazes até mim, os aromas das flores que espalhas e nos fazes chegar aos sentidos.

Perguntou-me a terra; O que te faz feliz?

- Sentir que estás aí, que vives, que respiras, que renasces a cada dia.

Perguntou-me o sol; O que te faz feliz?

- A tua luz, quando no frio me aqueces, quando iluminas a vida para que tudo pareça melhor.

Perguntou-me a água; O que te faz feliz?

A tua frescura quando me matas a sede, quando refrescas e ajudas a reiniciar a terra, quando nos lavas o corpo de cansaços e pó.

Perguntou-me o amor; O que te faz feliz?

- Quando te sinto num olhar, num gesto. Quando o abraço acalma o coração e tudo fica bem. Quando pairas na atmosfera, e te sentimos a rondar as emoções.

Perguntou-me o tempo; O que te faz feliz?

Poder abraçar e beijar os meus. Ouvi-los falar das suas coisas, e saber que estão bem. Ficar a levitar com um livro, acompanhada pelos meus pensamentos.Sentir que por mim passas, que estás aí, que ainda estás aí, e que espero ter-te por mais tempo, a ti que és o tempo.

21.02.20

desafio de escrita dos pássaros #2.4

A net na terra


imsilva

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O Sr. Manel tinha os seus terrenos quase todos semeados, e bem semeados. Era uma satisfação ver os carreiros de favas, ervilhas, couves, todas as arvorezinhas de tomate com o belo do vermelho. As alfaces eram as melhores daqueles lados, lindas, luzidias, grandes e sem as lesmas parvas que atacam os nossos canteiros. 

Era um orgulho para o Sr.Manel e para a D.Engrácia, os elogios que recebiam, e as belas vendas que faziam quando levavam as suas cestas cheias de maravilhosos exemplos de tudo quanto a terra pode dar, ao mercado da cidade.

Mas ainda havia uma pequena parcela de terra, para experimentar um novo legume de que tinham ouvido falar, e que como pessoas abertas e curiosas que eram, estavam prontos a tentar que resultasse nos seus terrenos.

As dúvidas em relação ao tema eram tantas, que decidiram consultar o tal de Google, de que tanto ouviam falar. Tiveram sérias dificuldades a tentar saber o que pretendiam, em parte por não saberem muito bem o que isso seria, e por outro lado ao terem que se habituar ao tal de Google, com o qual não estavam familiarizados.

Passaram longos serões agarrados ao computador, oferecido por um dos filhos no último Natal. O normal seria estarem a ver a novela das 9, mas a curiosidade e o entusiasmo prevaleciam, e todos os momentos eram poucos para a investigação.

Viram e estudaram os mais variados artigos sobre o assunto, até havia vários a falar em "Permacultura" palavra de que nunca tinham ouvido falar, mas que acreditavam ser o que eles próprios faziam, que era cultivar o mais naturalmente possível, sem pesticidas, nem artifícios que obrigassem os produtos a crescerem mais depressa do que deveriam.

Depois de algumas noites de pesquisa exaustiva, de muitas anotações, e de algumas dores de cabeça, chegaram a algumas conclusões, que por sua vez levaram a algumas decisões.

Num Domingo de permeio, o Sr.Manel vai ao café do sítio, e na conversa com os seus pares, contou as novidades e o que estava prestes a fazer. Estava por lá o Sr.Damião, que sempre se tinha sentido o sabichão das redondezas, e com as melhores máquinas para mexer as terras, e que ao ouvir as palavras do Manel, soltou um - O Google está errado! - o que não caiu nada bem. O Sr.Manel com um grunhido virou costas, e dirigiu-se para casa, já a sonhar com o momento em que chaparia na cara do Damião os resultados do seu futuro trabalho. 

30.08.19

Era uma vez...

Um planeta


imsilva

Era uma vez (não há muitos anos atrás) um planeta onde alguém falava em clima, em desperdício, em oxigénio, em dióxido de carbono, em ozono e em buracos no tal ozono, e avisavam as pessoas que habitavam esse planeta, sobre alterações e mudanças que poderiam ser drásticas para os próprios. As pessoas do planeta, olhavam à sua volta e encolhiam os ombros, porque não viam nada de anormal. Coitadas! 

Eu também ouvi qualquer coisa sobre o assunto, e depois comecei a ver lixo a aparecer por todo o lado, comecei a ver os oceanos a sofrer, as estações a ficarem sem tino, o gelo a derreter e as águas a galgar, o fogo a ganhar e o ar a perder, e comecei a ficar com medo, o que está a acontecer?

Ninguém me avisou que eu ía "ver", ninguém me disse que eu ía assistir de bancada ao "apocalipse". E há quem diga, "isto é tudo por causa dos homens que andaram lá por cima pelo espaço" Quem sabe? A sabedoria popular tem tantas vezes razão...

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