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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

24.11.21

A vida depois de...


imsilva

 

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Ao ler um post do nosso vizinho pacotinhos de noção  fiquei com vontade de desabafar a minha frustração sobre o assunto.

Ainda há pouco falava com o meu marido sobre como vamos fazer este inverno. Temos um negócio, e no verão quando o trabalho nos escraviza, prometemos que no Inverno vai ser diferente, que vamos fechar à noite ou vamos ter mais dias de folga. Queremos ter vida, queremos ter tempo para nós, para fazer algo que nos dê prazer e paz, que nos faça sorrir e relaxar.

Todos os anos a conversa é a mesma e acabamos por não mudar nada, acabamos por ter um inverno com pouco tempo livre, e quando damos por isso estamos na primavera e começa a euforia do verão novamente sem termos modificado o "modus operandi".

Não há condições para o cidadão comum se reformar quando ainda tem energia e saúde para viver, para não ter obrigações e horários que ocupam a maior parte do dia. E quando fazemos contas para tentar perceber quanto poderemos vir a receber nessa altura, pomos as mãos na cabeça e percebemos que teremos ainda uns bons anos de trabalho pela frente.

Não temos condições de reforma decente e como diz o nosso vizinho, será que quando conseguirmos chegar lá, ainda estaremos cá?

E quando vemos as condições que as reformas prematuras de políticos e cargos de chefia em administrações, (algumas fraudulentas) têm, apetece enrolarmo-nos num canto e começar a chorar.

27.08.21

Um pedaço da minha vida


imsilva

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Quando o pensamento se esvai, e o cansaço impera

Quando a mente se nega a funcionar

A esperança faz a sua  aparição e nos canta uma canção de embalar.

Os dias estão magníficos!

Limpos e luminosos.  

É o Agosto a despedir-se, o verão a acabar.

Desde sempre que o Verão para mim foi sinónimo de trabalho. Desde os meus 13 anos que a época balnear foi de trabalho. Estudava de inverno, e trabalhava no Verão. 

Já casada e com 3 filhos, o meu marido trabalhava na restauração e eu numa loja, com dias diferentes de folga, quando chegava o mês de Maio era uma neura que me entrava e que eu não entendia. Depois percebi que era a época em que o meu marido passava a estar mais tempo fora de casa, em que os nossos horários se desencontravam completamente e isso mexia com o meu sistema nervoso.

Os meus últimos 2 anos de trabalho na loja, foram anos de crises de ansiedade e ataques de pânico. Foram 2 anos de ansiolíticos que foram resolvidos quando mudei de trabalho e passei a trabalhar com o meu marido.

Com os miúdos já crescidos e com a ajuda da minha mãe, essa mudança foi possível. Se assim não fosse, creio que o casamento não teria sobrevivido, cheguei a dizer ao meu marido " em Maio sais de casa e voltas em Outubro" Coitado, sofreu comigo, não fui fácil de aturar nessa altura.

Hoje pensei em sentar-me a escrever alguma coisa (tinha saudades) e saiu isto. Um desabafo da vida, uma vida como tantas outras com altos e baixos e contratempos que se vão resolvendo melhor ou pior, conforme as hipóteses que nos aparecem à frente.

Talvez, resumindo, não se pode desistir. Temos de ir à procura das soluções e mesmo parecendo que não estão lá, acreditar que é possível, que as vamos encontrar e seguir o caminho.

O Verão está a acabar, e eu vou voltar a uma vida mais normal, com tempo para escrever, ler, ver os meus netos mais vezes, passear e gozar de tempos livres.

Sejam felizes, assim ou assado, encontrem o caminho para lá, porque o sol nasce todos os dias!

02.07.21

Filosofias de aprendizes da vida.


imsilva

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Quando escrevi  Parar? Como?  foi quando morreu a Maria João Abreu.  Na altura todos diziam que o cansaço que ela tinha , era um sinal de que devia parar, que estava a entrar na exaustão.

Entretanto, a Marta escreveu este maravilhoso post A subida e completou-o quando eu escrevi Quando a vida muda...

Ora, toda a gente sabe que as palavras são como as cerejas, como as opiniões, como os comentários, atrás de uns, vêm outros.

Daí o meu comentário ao texto da Marta se ter transformado em post.

Todos nós trilhamos caminhos, subimos algumas montanhas, com mais ou menos custo, e na maioria das situações com a obrigação as costas. Quantos de nós diremos um dia ; "Tenho que parar, estou esgotado, esta semana não contem comigo a tempo inteiro.?"

Quantos de nós poderemos dizer isso um dia?

Eu fui obrigada a parar, e sinceramente correu bem. Passaram sem mim, alguém se esforçou mais para isso acontecer, mas o certo é que foi possível.

Mas, se eu não tivesse ido parar ao hospital, teria tido a coragem de dizer ; não contém comigo esta semana? Não, não o teria feito, simplesmente porque não sabemos quando estamos a pisar o risco. Porque cansaço e nervos é o pão de cada dia no trabalho que nos dá o ganha pão para vivermos com um mínimo de dignidade.

Se foi o cansaço que me levou a parar? Quem sabe? Provavelmente não...Foi um vírus, dizem eles. Para além de  as teorias da conspiração dizerem que poderá ter sido uma sequela da vacina, tomada 4 dias antes.

De qualquer das maneiras, deveríamos cuidar-nos, deveríamos olhar mais para nós próprios, deveríamos saber que não somos invencíveis, e que mesmo sabendo lutar deveríamos saber parar, inspirar, expirar, e sentirmos o sangue que nos percorre as veias, como um bem precioso que deve de ser cuidado.

Ah! É tão bom escrever baboseiras...O último paragrafo deve de ser de uma novela alienígena, só pode!

Cuidem-se! Mais asssim ou mais assado, mas que seja da melhor maneira possível.  

 

 

08.01.21

Uma casa, uma vida


imsilva

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A lareira estava apagada, triste, cinzenta, e o frio entrava pelas frinchas da porta e da janela.

Mas não se podia gastar a pouca lenha que havia e que tão necessária era à hora da janta, em que se cozia umas batatas e umas couves sobreviventes das geadas que ocorriam naquela altura do ano.

A casa era pequenina, só com duas habitações, a cozinha onde estava a mesa em que tudo acontecia, e o quarto com duas camas  onde todos se conseguiam aninhar, os pais e os três filhos.

O Natal tinha passado sem que dele dessem conta. Não havia festividades que entrassem naquele frio lar, onde tudo era escasso.

Nem sempre tinha sido assim, o pai sempre tinha trabalhado, ou nisto ou naquilo, os vizinhos chamavam-no para vários serviços a que ele acudia prazeroso. A mãe ajudava as senhoras das casas grandes nos seus afazeres domésticos, e nos tratamentos da roupa.

Mas agora, não havia quase vizinhos, restavam o Sr. Aurélio e a D.Gertrudes que se recusavam  a ir para casa dos filhos, e deixarem as suas raízes e a casa onde tinham criado os seus cinco filhos, mas que não deixaram de lhes dizer que eles sendo muito mais novos deveriam deixar a aldeia e ir em busca de outra vida, que a idade era outra coisa e enquanto os dois fossem vivos não tinham ensejo de sair para lado algum, que quando um faltasse, talvez...

Também as casas grandes já jaziam fechadas, embrulhadas em hera e outras ervas trepadeiras que quase tapavam as fachadas.

Os últimos tempos tinham sido conturbados. Ouviram falar de revoluções, de cravos e de mudanças de governantes, de reformas agrárias e de cooperativas, mas disso eles pouco ou nada percebiam. Só sabiam que as pessoas tinham deixado as suas vidas lá na terra, e tinham corrido atrás de promessas de melhores vidas nas cidades. Alguns havia que pareciam fugir de alguma coisa. Segundo diziam, lá na cidade era tudo mais fácil, que tudo estava à distância de dois passos.

Mas eles não quiseram sair do seu canto, da terra que amavam. Temiam as multidões, as modernices de que ouviam falar mas que não entendiam.

E os filhos cresciam, e os pais começavam a perceber que o seu futuro talvez não estivesse ali, que estava na altura de irem para uma escola aprender algo mais do que os pais tinham aprendido. Que talvez se pudessem preparar para algo mais , sem ser a luta diária que a terra dava para se viver. Mas depressa esqueciam tais dilemas quando voltavam à labuta diária, por pouco que esta rendesse.

Ao fim do dia, depois da parca refeição, olhavam um para o outro. Não estando habituados a conversar sobre a vida, ou não sabendo como fazê-lo, tentavam adivinhar o que o outro sentia, e assim iam vivendo.  

Quando o filho mais pequeno apareceu uma manhã com febres altas e completamente prostrado, foi quando decidiram que ali não faziam nada, que ali ficariam todos enterrados se não tomassem as decisões certas, isto se não fosse já demasiado tarde.

E acabou por chegar o dia em que fecharam a porta de casa, e com a claridade do dia a surgir por detrás do monte, fizeram-se ao caminho com os seus poucos haveres, o coração encolhido e a alma aberta para o que a vida lhes quisesse ofertar na linha do horizonte que viam à sua frente.

03.08.20

Trabalhar em tempos pandémicos


imsilva

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Trabalhar em tempos de COVID é complicado.

Os clientes ou estão soltos de mais, ou com medo a mais, e isso para quem tem que lidar com todos eles é um bocadinho esquizofrénico.

Alguns quase que pedem por favor para tomar-mos decisões por eles, outros exigem coisas inexigíveis, e outros são pura e simplesmente parvos. Valha-nos os que sobram, os normais, que felizmente são em número razoável .

Veremos como se encontram os nossos neurónios no fim do verão.

21.07.20

Saudades deste cantinho


imsilva

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Tenho saudades de vos espreitar, de vos comentar, de saber de vocês.

A falta de tempo para andar por aquí, deve-se a muito trabalho. O pouco tempo designado como "livre" é escasso e por vezes até a vontade de saber o que se passa pelos blogs, é abafada pelo cansaço da mente.

Mas desistir, NUNCA! A fonte não pode secar!

Vou tentar espreitar mais, comentar mais e publicar alguma coisinha, só para não se esquecerem da minha existência.

Desejo que estejam a ter um óptimo verão.

01.06.20

A vida segue


imsilva

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Há mudanças na vida propositadas e as que nos obrigam a fazer, como estas por que todos estamos a passar, por causa dum mínimo e parvo vírus que nos virou a existência de pernas para o ar.

Uma das vantagens, é que ao fim de 7 anos fomos à praia em família. Trabalhos desencontrados é o que dá, quando uns podem, outros não. Depois do confinamento, ainda conseguimos esta proeza. Agora, já trabalhando a oportunidade foi-se.

Entretanto, o negócio abriu portas e a ansiedade foi mais que muita. Quem lida com público sabe que dependemos muito dele, se está bem disposto, se acordou com os pés de fora, se só está rabugento ou se é assim de nascença. Infelizmente levamos com eles, estejam eles como estiverem. Não digo mal dos clientes, falo só de alguns que felizmente são uma pequenina minoria. 

Numa crise como esta em que há milhentas regras para serem cumpridas, mais difícil é gerir os incautos, ou os que se julgam acima de qualquer lei ou regra que foram criadas só para os outros, não para eles.

Passei por um período terrível na preparação da reabertura. Visitei menos a blogosfera, não tive ânimo para comentários, escrevi os 2 últimos desafios dos pássaros porque foram desabafos passados ao papel, e refugiei-me no colo dos livros o que também deu publicações.

As coisas estão a tomar forma, já me sinto a normalizar e tive necessidade de escrever sobre o assunto, de registar esta fase neste diário de bordo, onde a minha vida tem sido gravada sem ter dado conta disso, foi mais uma consequência da abertura deste blog, ou desta minha característica de ser eu sem filtros nem histórias inventadas.

A vida segue, com vírus ou sem ele, ( seria tão bom) e como sempre o ser humano adapta-se, contorce-se, vira-se e continua.

04.07.19

Nós no estômago


imsilva

A caminho do trabalho esta manhã, a rádio falava de fundos comunitários e já apanhei a conversa a meio, quem falava era a Filipa Roseta, cabeça de lista do PSD por Lisboa. Dizia ela, que esses dinheiros estavam à disposição, e que era reprovável que não os utilizassem. Claro que haverá mais do que aquilo que aqui estou a expôr, mas onde eu quero chegar, é que já me estava a provocar nós no estômago, não quero saber! ou por outra, quero, mas não quero! 

Ontem o meu filho chamava a atenção para o problema que estava a ser levado pelo PAN à assembleia. Qualquer coisa relacionada com mais uma lei sobre as corridas de galgos. Não quero saber! isso são mais nós. 

Já falei disso no post "Politiquices", e agora volto a bater no ceguinho, (processem-me).

Eu vou para o trabalho, já com 2 ou 3 nós no estômago. Não sei como vai correr o dia, são muitos funcionários, cada um com as suas caracteristicas, tenho alguns elementos corrosivos, que não me perguntem porquê, mas não podem ser dispensados, e nunca sei qual é o dia em que um cliente que não dormiu bem, vai implicar com alguma coisa.

Ora, tudo o que não está sob a minha alçada, eu não quero! não preciso de mais nós, obrigada, os que tenho já são mais que suficientes, porque até já os sinto no cerebro. Só se servir para tirar umas férias forçadas num alto hospital, assim tipo hotel, ou se possível, por favor, num SPA (será que os médicos podem prescrever uns dias de descanso num SPA?). Se não for assim, então, NÂO QUERO!

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23.04.19

Altos e Baixos


imsilva

Pois é , ando aos altos e baixos. Vou começar pelos baixos, para poderem ficar para trás. Eu sempre gozei um bocadinho com o "sindrome do ninho vazio", estava desejosa que me largassem as saias, que me deixassem sossegada, que não precisasse de estar sempre preocupada com as crias, e qual não foi o meu espanto, quando me comecei a sentir com a neura, assim para o deprimida, e percebi que era da casa estar muito vazia e eu não andar a ralhar com alguém. Dahhh! Dei por isso  a meados de Dezembro, quando ainda não tinha feito nada com os enfeites de Natal, ( o que não era nada habitual, é sempre logo no princípio do mês), e eu sem vontade de sair do sofá e enervada com a situação. Comecei a mandar mensagens às crias, ameaçando-as com vender a casa e comprar uma pequena onde não houvesse lugar para elas. Nesse dia apareceu logo a mais nova para nos dar um carinho, e pôs-se logo a montar a árvore de Natal. Foi o motor de arranque, enfeitamos o resto da casa, o presépio, tirei alguns pais natal do armário (tenho mais de 300), e a coisa compôs-se. Curiosamente, foi nesse dia que resolvi reabrir o blog, (abri em 2012) e decidi fazer malha, que não fazia há anos. Fiz duas camisolas para o Natal, (e já está, matei as saudades e acabou-se a malha). Foi um boom que aconteceu naquele dia, e ficou marcado, apesar de os baixos darem um ar da sua graça de vez em quando. E agora os pontos altos. O nosso trabalho (meu e do meu marido) obriga-nos a muitas horas de serviço, principalmente, quando os outros se divertem,(quando, não onde, que não somos ginecologistas nem urologistas), ou seja fins de semana, feriados e férias em geral.(Nem vale a pena falar dos três dias da Páscoa). E aí é que algumas almas caridosas se lembram de nos levantar o astral, de nos lavar a alma, de nos deixar com um sorriso de orelha a orelha, ou seja de nos oferecerem uns dos momentos altos da nossa vida. Obrigada aqueles clientes maravilhosos que nos procuram só para nos agradecer o serviço, para nos dizer que ficaram encantados, que foi muito bom e que com certeza voltarão.(Não tentem sequer imaginar qual o nosso trabalho, ok? provavelmente não é que o que estão a pensar). São momentos como esses que justificam o tempo, a energia, a atenção que temos que ter sempre perante  o serviço prestado, para podermos ter este feedback. Eu costumo dizer que "justifica o aue ando aqui a fazer".

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