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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

A menina que queria voar

1 Foto, 1 Texto

Outubro 17, 2025

imsilva

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Era uma vez uma menina, triste como a noite. Sentia como um vazio a preencher-lhe o peito, os olhos pediam mais, o que tinham à vista não chegava. Até as palavras eram insuficientes, não existiam fontes que lhe fornecem-se mais. E a menina vivia na expectativa, na esperança que algo viesse ao seu encontro. Queria o que não conhecia, o que não tinha, o que não sabia. E naquele lugar longínquo, separado do mundo pelo mundo, aconteciam os sonhos, as ânsias do viver, do acreditar que havia mais. 

Era uma vez uma menina que queria voar. 

Gata em lareira fria

1 Foto, 1 Texto

Março 01, 2024

imsilva

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Este post estava destinado a ser algo poético inspirado pela bela Angie, que posando na lareira, obrigou-me a tirar esta fotografia. Mas, na vida nada está definido ou programado (por muito que pensemos que sim), e houve uma conversa que me deixou inquieta. 

O ser humano e as suas inquietudes, poderia ser o título, mas o que já estava programado pareceu-me o indicado para a foto e não quis mudar.

A vida é curta, hoje sei disso. Quando somos jovens não parece, mas à medida que os anos vão passando apercebemo-nos que é tudo muito rápido. A conclusão a que chego é que não vale a pena tantos sonhos e projectos, a vida dá-nos a volta com uma pinta bruta. Tentemos viver com calma, sem grandes alaridos, protegendo os nossos direitos à nossa quota parte de momentos felizes, à nossa dose de sonhos e desejos concretizáveis, e usufruindo da oferta de um sítio onde se vêm coisas lindas chamadas coisas da natureza. Creio haver poucas coisas mais perfeitas e que dêem tanta felicidade e bem estar como as estrelas, um pôr do sol, uma lua brilhante no meio de veludo escuro, um mar onde ondas se pavoneiam para a frente e para trás, um dia calmas e no outro zangadas, flores de milhentas cores, aromas e formas, árvores de diversos formatos e tamanhos que nos fornecem oxigénio, que ainda nos dão perspectivas de várias cores segundo a estação em que estamos. Todas estas coisas estão aí, ao alcance de quem quiser perder (ou ganhar) algum tempo a saborear. Não é difícil ter momentos felizes sem ter de ir às Maldivas ou ao Hawai.

Mas as mentes dos seres humanos não são todas iguais nem coisa que se pareça. Esqueçam a ideia de que compreendemos os problemas dos outros, que os nossos conselhos são bem vindos, e que conseguimos ver o panorama todo.

Pronto, creio que a gata em lareira fria até fica bem aqui. Porque é assim que algumas pessoas se sentem sem que possamos ajudar.

 

Março 24, 2023

imsilva

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Será a tristeza uma fraqueza? Ou será o condimento que dará à alma a força para tudo mais?

Será a impulsionadora para conseguirmos mais, ou será a derradeira pedra que nos afunda num poço?

Não creio que exista ser humano que não tenha a sua tristeza de estimação, aquela que em certos momentos acarinha e chama amiga, e noutras ocasiões, aquela a quem dá pontapés e manda embora aos gritos sem grandes resultados.

Mas, Srs. tudo com conta e medida. Faz parte da equação, é só fazer bem as contas e acaba por bater certo. É aquela que não nos deixa rejubilar em exagero, quando assim não convém, assim como é aquela que te ajuda a relativizar e a sentir que ainda há sentimentos bons a que nos aconchegamos, como se de um quente sol se tratasse.

Eu sinto-a como um velho casaco confortável, como a imagem no espelho com quem converso, e que conhecendo as minhas mágoas, me diz - Vai, vai descansada, eu guardo-as para ti, quando voltares vão estar à tua espera. Mas agora vai e esquece-as, por agora.

E eu, aproveito, e vou.

Há quem diga que ando "taciturna", talvez seja só a constatação do mundo que temos, quando já não somos tão jovens para andarmos com os amigos de borga, sem mais preocupações. É a constatação de que ao fim de tantos anos sabemos que não é fácil, aproveitamos o que podemos e confirmamos que há coisas que são mesmo assim.

Vinicius de Morais disse ; Tristeza não tem fim, Felicidade sim. Quem se atreve a desdizer...?

Janeiro 20, 2023

imsilva

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Hoje sinto-me perdida.

Estive até agora a pensar o que poderia escrever no blog, já que é sexta-feira, dia de publicação, e não estava fácil. Decidi que tinha de tentar alguma coisa, nem que fosse o facto de estar em off.

Fui à procura de uma fotografia que combinasse com o meu estado de espírito, e encontrei esta, tirada durante uns dias de descanso em Tomar.

Se estou deprimida? Não será bem assim, é mais um vazio que me deixa sem paciência (como se normalmente tivesse muita).

Todos sabemos que a vida não é fácil e que não precisamos de nos castigar com pequenos quês e porquês que vão surgindo nos cantinhos da alma, mas, como bons seres humanos que somos, gostamos de moer e arranjar motivos para ficarmos em off e poderemos dizer o quão infelizes nos sentimos por isto e por aquilo.

Se formos analisar os factos e a conjuntura da coisa, é tudo (quase) mentira, não estamos mal, nem nos falta carinho e atenção, então por que raio não nos contentamos com o que temos e agradecemos por isso?

Porque não e pronto!

Esse banco não vai ficar sozinho. Em pensamento, vou-me lá sentar e respirar aquele ar fresco com cheirinho a natureza, agradecer as pessoas à minha volta e agradecer tudo o que tenho na minha vida.

Vou dar um pontapé no baixo astral, vou olhar para o céu e sejam nuvens ou seja sol o que lá encontrar, vou sorrir e fazer algo pela vida.

Se vai resultar é que eu não sei...

Julho 29, 2022

imsilva

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E sem ti, mãe, continuamos a caminhar

Sempre à espera de te encontrar

ao virar de uma esquina, ou sentada a costurar

mas, estupidamente tu não estás

e nós continuamos a caminhar

e a perguntar; onde estás?

Falta-nos um pedaço, estamos incompletos

mas seguimos com um sorriso

precisamos de sorrir e assim

dar forças a quem as não tem

São três meses de estupefacção

de dúvidas e incertezas

de dor e tristeza

de uma tristeza serena 

que absurdamente se apoderou 

das almas e dos corações 

de quem te amou, de quem te ama

de quem te recorda, hoje e sempre!

 

Novembro 06, 2020

imsilva

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Chegava sempre à mesma hora

Sentava-se sempre na mesma pedra

Deixava os pés tocarem na água devagarinho, como se não quisesse partir o espelho onde via a sua imagem, mas era impossível.

Assim que tocava com o mais pequeno pedaço de si, a imagem reflectida distorcia-se e esfumava-se.

Era isso que sentia na sua alma, quando queria tocá-la, entendê-la, ajudá-la, esfumava-se por outros espaços, por entre espelhos de água noutro além.

E então chorava. Sentia-se perdida, sem rumo, sem chão.

Tentava ver o caminho, tentava com muita força imaginar um futuro, mas tudo se esbatia na impossibilidade de cura de quem lhe iluminava a vida. 

Naquele dia, desesperada, bateu com força os seus pés na água.

Naquele dia, não queria mesmo ver a sua imagem reflectida em espelho de água algum.

 

Desafio da Mel e da Mula

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