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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

11.09.19

Admirável mundo novo!


imsilva

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Não, não tem a ver com o livro de Huxley, tem a ver com motas e cinquentões.

Tenho à minha volta, várias pessoas que depois dos famosos 50s, tornaram-se "motards" com direito a tudo, blusões de cabedal com o símbolo do seu grupo, e tatuagens inclusive (alguns). Contra tudo e contra todos, muitos começaram do zero, ou seja, tiveram que aprender a andar de mota. E, (apesar de eu "nunca") acho admirável, corajoso, e prova de que a vida pode dar uma grande reviravolta, pela positiva, e começar aos 50s.

Há uns anos atrás, (não tantos assim), depois dos 50s as pessoas tornavam-se circunspectas, e bem comportadas. A época das maluquices, tinha acabado e juízo exigia-se.

Agora, é a altura em que as pessoas fazem novas descobertas, novos desafios, e em que realizam sonhos antigos. É o MÁXIMO!

Este poderia ser mais um texto dos "cinquentas", mas não é, este é um texto que homenageia a garra destes novos (velhos) motards, a quem faço a minha vénia, e a quem devoto a minha mais sincera admiração. (pelo amor de Deus, não se esqueçam do capacete).

 

11.06.19

Os nossos velhotes


imsilva

 

 

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Desculpem, os nossos velhinhos, idosos, usados, anciãos, enfim o que lhes quiserem chamar.

O que podemos fazer quando aqueles que foram a nossa referência, de trabalho, de energia, de resoluções, de pessoas, aqueles de quem dependíamos, passam a ser dependentes de nós? Quando os vemos perder a energia, as resoluções, quando vemos que já não conseguem sozinhas viver no seu canto, entre as suas coisas, nos seus domínios que sempre dominaram tão bem? Quando estamos com o nosso tempo ocupado com o trabalho, muitas vezes dando ainda uma ajuda aos descendentes, e vemos como os nossos ascendentes precisam de nós? Como fazer?

Não há fórmulas mágicas, nem soluções perfeitas, cada um vai ter que resolver à sua maneira, e não vai ser à maneira da prima ou do vizinho do lado. Mas é assustador!

Eles merecem o nosso melhor, por todos os motivos e mais alguns, viveram conforme puderam e os deixaram, lutaram, sofreram, celebraram, deram o que tinham e o que não tinham para nos criarem, e alguns, muito pouco descansaram (porque não sabiam que podiam descansar).

Alguns de nós deram alegrias e satisfações, outros deram preocupações, e outros ainda verdadeiros desgostos, mas eles continuaram de pé, sem desistir, e a fazer tudo o que podiam para continuar a viver, muitas vezes sabe Deus como!

Estou-me a referir, a uma certa geração, porque os futuros “velhotes” já souberam e tiveram a oportunidade de viver de outra maneira, sem os apertos e amarguras de outros tempos, mas não sem as preocupações e os desgostos, que esses são transversais no tempo.

Estou a falar da geração dos meus pais, que cresceram e viveram em meios onde não aprenderam a relaxar e a apreciar a vida à volta, alguns ainda conseguiram fazê-lo, mas mais tarde (porque não sabiam que o podiam fazer) .Estou a falar das pessoas que agora têm 80 ou 90 anos.

E quando faltar o comando, como vamos fazer?. Será que vamos ter a disponibilidade que eles tiveram quando tomaram conta de nós? Dificilmente. A situação, por muito que tentem comparar, não tem qualquer tipo de comparação. Uma criança não é um “velho”, mudar uma fralda a um bebé, não é mudar uma fralda a um “velho”. Desculpem-me os mais sensíveis, mas a realidade é essa, mesmo sendo os nossos “velhotes”.

Sinceramente, tenho medo, muito medo, não quero vê-los dependentes, nem quero imaginar tal situação, tenho medo de a não saber resolver, e falhar-lhes.

Quando chegar o momento, vai ser uma das nossas responsabilidades, e não vamos poder descartá-la, nem a eles.