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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

13.10.21

Desafio "Arte e inspiração" #5

Limbo


imsilva

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El sueño, Frida Khalo (1940)

De olhos fechados,  sonhei contigo. Miravas-me de um modo que eu não conseguia decifrar.  Pensei se seria amor ou se seria rancor, mas era com certeza um olhar intenso, um olhar perturbante.

Quis acordar, mas as pálpebras pesavam, não as comandava, não me obedeciam.

Senti-me a pairar algures numa outra dimensão, e com vontade de lá ficar. 

Foi quando o meu corpo estremeceu fortemente,  como se um choque eléctrico o tivesse percorrido. Senti o ar a invadir os meus pulmões e acabei por abrir os olhos, um sentimento de medo se apoderou de mim.

Ao abrir os olhos compreendi.

Afinal não eras a morte, mas sim a vida a chamar-me de volta.

 

Texto no âmbito do desafio da Fátima Bento

 

22.09.21

Desafio "Arte e inspiração" #2

Estrelas e vida


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Stary night de Vincent Van Gogh.

 

Quando a 1º estrela apareceu, ela deu o 1º grito. a partir daí, as dores foram sempre aumentando até sentir que não aguantaria mais.

Entretanto, no céu, mais estrelas iam ocupando o seu lugar.

Quando sentiu que o seu corpo se desgarrava, fechou os olhos e deixou de sentir ou pensar por milésimos de segundo, para imediatamente se encontrar noutra dimensão, onde uma paz prevalecia.

Pacificamente abriu os olhos, para descobrir o milagre da vida. Um pequenino ser que respirava por 1º vez com os seus próprios pulmões, e que se lembrou de constestar a viajem que tinha acabado de fazer, exigindo tudo a que tinha direito.

Nesse momento, o céu estava já repleto de estrelas.

 

Texto no âmbito do desafio da  Fátima Bento.

10.09.21

Múrmurios


imsilva

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Os múrmurios são tantos, surgindo de poços sem fundo

As vozes incomodas e sujas como as almas suspensas

O calor alaga os poros e os pensamentos derretem em líquido viscoso

Os movimentos são autónomos e incompreensíveis

O chão que pisamos vai e vem e por vezes desaparece, assustando-nos

O que somos? o que parecemos? o que será que queremos ser?

E é quando os múrmurios gritam e se exaltam

que realmente começamos a ouvir

Nós não somos, nós não parecemos

nós só queríamos ser...

27.08.21

Um pedaço da minha vida


imsilva

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Quando o pensamento se esvai, e o cansaço impera

Quando a mente se nega a funcionar

A esperança faz a sua  aparição e nos canta uma canção de embalar.

Os dias estão magníficos!

Limpos e luminosos.  

É o Agosto a despedir-se, o verão a acabar.

Desde sempre que o Verão para mim foi sinónimo de trabalho. Desde os meus 13 anos que a época balnear foi de trabalho. Estudava de inverno, e trabalhava no Verão. 

Já casada e com 3 filhos, o meu marido trabalhava na restauração e eu numa loja, com dias diferentes de folga, quando chegava o mês de Maio era uma neura que me entrava e que eu não entendia. Depois percebi que era a época em que o meu marido passava a estar mais tempo fora de casa, em que os nossos horários se desencontravam completamente e isso mexia com o meu sistema nervoso.

Os meus últimos 2 anos de trabalho na loja, foram anos de crises de ansiedade e ataques de pânico. Foram 2 anos de ansiolíticos que foram resolvidos quando mudei de trabalho e passei a trabalhar com o meu marido.

Com os miúdos já crescidos e com a ajuda da minha mãe, essa mudança foi possível. Se assim não fosse, creio que o casamento não teria sobrevivido, cheguei a dizer ao meu marido " em Maio sais de casa e voltas em Outubro" Coitado, sofreu comigo, não fui fácil de aturar nessa altura.

Hoje pensei em sentar-me a escrever alguma coisa (tinha saudades) e saiu isto. Um desabafo da vida, uma vida como tantas outras com altos e baixos e contratempos que se vão resolvendo melhor ou pior, conforme as hipóteses que nos aparecem à frente.

Talvez, resumindo, não se pode desistir. Temos de ir à procura das soluções e mesmo parecendo que não estão lá, acreditar que é possível, que as vamos encontrar e seguir o caminho.

O Verão está a acabar, e eu vou voltar a uma vida mais normal, com tempo para escrever, ler, ver os meus netos mais vezes, passear e gozar de tempos livres.

Sejam felizes, assim ou assado, encontrem o caminho para lá, porque o sol nasce todos os dias!

20.08.21

O tempo de Rubem Alves


imsilva

 

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Resta quanto tempo? Não sei. O relógio da vida não tem ponteiros.
Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de “abrir mão” – a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.

(Rubem Alves---)

 

 

 

 

 

06.08.21

Assim...


imsilva

 

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Ontem ouvi-te chorar, mas não me aproximei

esperei que parasses...mas não paravas

os soluços subiam de tom, assim como a minha aflição

ao ouvir-te chorar assim

Não chores, a vida já nos explicou que tudo se resolve

as angustias acabam por ir embora

é só dar-lhes um empurrão

é só demonstrar-lhes que não as queremos

que coisas melhores temos do que angustias assim

Temos o sol, a lua, as flores, toda a natureza só para ti

o amor daquela pessoa que tu nem imaginas, mas que está lá, à tua espera

Tantas coisas boas em que pensar, coisas boas para fazer

só tens de olhar e ver

 virar o rumo, e recusar as coisas que não são assim... 

28.07.21

Diz-me avô...


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Nino Chakvetadze

 

DIZ O AVÔ

Tens cabelos brancos.
Mas porquê, avô?
Caiu muita neve
na estrada onde vou.

Tens rugas na face.
Mas porquê, avô?
Bateu muito sol
na estrada onde vou.

Tens olhos baços.
Mas porquê, avô?
Pousou nevoeiro
na estrada onde vou.

Tens calos nas mãos.
Mas porquê, avô?
Parti muita pedra
na estrada onde vou.

Tens coração grande.
Mas porquê, avô?
Nele mora a gente
que por mim passou.


LUÍSA DUCLA SOARES, in A CAVALO NO TEMPO 

 

 

09.07.21

Só queria sonhar


imsilva

 

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Encostei a minha cabeça à almofada e fechei os olhos

Queria adormecer, queria descansar

Chamei as fadas e os duendes dos sonhos para me ajudarem

Queria dormir a sorrir, sonhar com coisas bonitas e doces

Mas já não sabia como...

No tempo ficou a capacidade das coisas boas, das coisas felizes

No tempo ficou a simplicidade da vida, a clareza da água

Com o tempo veio a tristeza, o ribombar do trovão

As cores embaciadas, as imagens desfocadas

Com o tempo veio a desconexão, as insônias e a incompreensão 

Era isto que nos esperava no fim do caminho?

Era isto que mereciamos?

Não! Vamos encontrar as lentes mágicas,

Vamos pedir aos sonhos de criança que voltem

Vamos sentir o sol, a brisa e a chuva no rosto

Vamos insistir na vida...

Quero dormir a sorrir e sonhar com um novo dia

 

02.07.21

Filosofias de aprendizes da vida.


imsilva

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Quando escrevi  Parar? Como?  foi quando morreu a Maria João Abreu.  Na altura todos diziam que o cansaço que ela tinha , era um sinal de que devia parar, que estava a entrar na exaustão.

Entretanto, a Marta escreveu este maravilhoso post A subida e completou-o quando eu escrevi Quando a vida muda...

Ora, toda a gente sabe que as palavras são como as cerejas, como as opiniões, como os comentários, atrás de uns, vêm outros.

Daí o meu comentário ao texto da Marta se ter transformado em post.

Todos nós trilhamos caminhos, subimos algumas montanhas, com mais ou menos custo, e na maioria das situações com a obrigação as costas. Quantos de nós diremos um dia ; "Tenho que parar, estou esgotado, esta semana não contem comigo a tempo inteiro.?"

Quantos de nós poderemos dizer isso um dia?

Eu fui obrigada a parar, e sinceramente correu bem. Passaram sem mim, alguém se esforçou mais para isso acontecer, mas o certo é que foi possível.

Mas, se eu não tivesse ido parar ao hospital, teria tido a coragem de dizer ; não contém comigo esta semana? Não, não o teria feito, simplesmente porque não sabemos quando estamos a pisar o risco. Porque cansaço e nervos é o pão de cada dia no trabalho que nos dá o ganha pão para vivermos com um mínimo de dignidade.

Se foi o cansaço que me levou a parar? Quem sabe? Provavelmente não...Foi um vírus, dizem eles. Para além de  as teorias da conspiração dizerem que poderá ter sido uma sequela da vacina, tomada 4 dias antes.

De qualquer das maneiras, deveríamos cuidar-nos, deveríamos olhar mais para nós próprios, deveríamos saber que não somos invencíveis, e que mesmo sabendo lutar deveríamos saber parar, inspirar, expirar, e sentirmos o sangue que nos percorre as veias, como um bem precioso que deve de ser cuidado.

Ah! É tão bom escrever baboseiras...O último paragrafo deve de ser de uma novela alienígena, só pode!

Cuidem-se! Mais asssim ou mais assado, mas que seja da melhor maneira possível.  

 

 

28.05.21

Parar? Como?


imsilva

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A nossa lua no dia 26 de Maio

 

Quando a vida parece 4 paredes a fecharem-se à nossa volta

Quando parece que falta o ar

Quando a raiva grita e a alma chora

Quando o entendimento embota e não entende

Quando o desespero se sente desesperado, mas não desespera...

porque não pode

Parar?

Parar como?

Dizem que parar é morrer

Dizem que para não morrer, é preciso parar...

 

Um dia de cansaço, isso passa...