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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

O divórcio

1 Foto, 1 Texto

Abril 12, 2024

imsilva

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Hoje li algures que a morte dos avós é o divórcio da família.

E se pensarmos bem, é o que acontece em muitas. Os avós são o elo de ligação, o pilar que une pessoas diferentes com maneiras de pensar dispares, e que tentam tapar essas diferenças por amor aos patriarcas. Na minha família, também existem pessoas diferentes, e não sei como será o futuro quando já não tivermos o pilar que ficou a segurar-nos. 

A partir do momento em que a nossa própria família cresce, quando aparecem os netos e passamos a ser mais que muitos, deixamos de sentir falta dos que nos acompanhavam na infância. Ou então é o meu egoísmo que assim fala, o meu individualismo que se sobrepõe a confusões e obrigações para as quais me falta a paciência.

Não podem pedir mais sinceridade e honestidade do que esta. Fico a pensar se deveria ter escrito isto...

Esta fotografia tem patriarca, filhos, netos e bisnetos. Foi a comemoração dos 87 anos da matriarca que já não estava entre nós. Foi com muito amor e carinho que nos reunimos nesse dia, mas será assim no depois de...? 

Abril 10, 2024

imsilva

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 Maria Saraiva de Menezes  escreveu uma história por dia, durante três anos.  Aqui se encontram 1095 histórias de emoções, sentimentos, vivencias que poderiam ser de qualquer um de nós. Com mestria, inteligência  e sensibilidade, retratou a vida e contou a maravilhosa diversidade humana que existe. Para mim, que estou na leitura deste livro, com calma e parcimônia, para ser absorvido e apreendido como ele merece, só posso dizer que vale muitíssimo a pena.

Este post deveria estar na sua casa livrosecoisasdavida.blogs.sapo.pt, mas como este tem poucas visitas, achei por bem publicar neste blog para mais divulgação, porque merece que mais pessoas saibam da sua existência.

                                                                   

Firmino tinha o hábito de escrever cartas a si próprio para não se sentir tão sózinho. Costumava começar por cumprimentar, amavelmente, perguntando sempre pela família. Depois, contava as novidades a si próprio, que ele já sabia, mas fingia desconhecer, por educação. Terminava a carta despedindo-se elegantemente e pedindo para escrever de volta. E acrescentava: P.S: Queira fazer o obséquio de aceitar esta carta a pagar os portes no destinatário.

Que tal?

Eu, gata, me confesso.

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Abril 05, 2024

imsilva

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A mãe da minha dona Maria, a Isabel, (creio que conhecem), tem andado muito ocupada com os netos, com o pai, com o trabalho, com a neura, enfim, não tem vindo aqui a este cantinho à beira net plantado (como ela diz). Aliás,  creio que tem ponderado a entrada num convento de clausura. Vai daí, incumbiu-me a mim, Angie, a missão de vos dizer qualquer coisa neste desafio que ela própria criou.

O que hei-de eu dizer? Que esta minha vida de gata é muito complicada. Quando me quero deitar para relaxar e dormir um bocadinho, tenho que escolher entre vários spots, o que é realmente estressante. Será neste sofá, ou naquele? Talvez seja melhor naquela manta ou então naquele pedaço de chão onde o sol está a bater. Indecisões que me baralham o cérebro.

Quando vão pôr a ração na taça, tenho de me conter e esperar que a gulosa da minha filha Mallu, vá comer primeiro. Mesmo com 2 taças, ela quer sempre comer da minha, filhos...

Ah! Esqueci-me de dizer que outro dos focos de neurose da Isabel é os pelos que deixamos por onde passamos e as arranhadelas casuais nos sofás e afins. Não entende que somos simplesmente gatas, e que na vida há coisas que fogem ao nosso control. Creio que esta parte ela aguenta melhor porque não chateamos ninguém, somos calminhas.

Não sei se gostaram deste post escrito por uma gata, mas, pode ser que pegue e mais animais o façam. Quem sabe se passam a entender-nos melhor. 😻

Março 20, 2024

imsilva

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Com raiva, alguma agressividade ou talvez, quem sabe, simplesmente frustração, deu um pontapé num pequeno tronco que apesar de pequeno era mais forte do que estava à espera, danificando a ponta da cara bota de camurça. Amor com amor se paga, pensou Cecília.

A sua avó dizia-lhe muitas vezes -" Filha, prepara-te que a vida nem sempre é como tu queres". Mas quando somos crianças, tudo o que os mais velhos nos dizem soa a exagero, e teimamos em não acreditar.

O emprego onde estivera alguns anos e que parecia ideal, não tinha durado muito. A conjuntura económica e empresarial tinha obrigado ao encerramento da empresa e dezenas de pessoas, algumas com agregados familiares ao encargo, ficaram sem saber o que fazer a seguir, uma vez que era um problema geral.

Cecília pôs mãos à obra e tentou seriamente encontrar algo que pudesse resolver a sua situação. Mas não foi fácil e o que aparecia, ou era muito longe ou era muito abaixo do que seria necessário para as suas obrigações. O seu apartamento tinha uma renda significativa, tanto pelo sítio como pela sua qualidade. E tinha ao seu encargo a mãe que internada numa casa de repouso, devido a um Alzhaimer galopante, não poderia de maneira alguma descuidar. Queria fazer os possíveis para poder continuar onde estava.

Falaram-lhe de um escritório de advogados humilde na sua dimensão por ser bastante recente, e tentou a sua sorte. Os seu currículo servia para o posto, e quando se apresentou, foi aceite. O ordenado não era o que estava habituada, mas não estava em condições de recusar. Eram 4 pessoas que a muito custo faziam com que o escritório ganhasse alguma credibilidade. Entre eles um homem que mexia com as emoções de Cecília, e quando deu por isso já estava perdidamente apaixonada. Pensando ser correspondida, deu tudo de si e sonhou com algo mais, mas, "a vida nem sempre é como nós queremos", lembrou mais tarde. Claro que tinha que ser casado, claro que tinha que ter três filhos, claro que tinha que contar a velha história do, "não sou feliz no meu casamento" mentindo com quantos dentes tinha,

Cecília deixou o escritório. Não conseguiria ver aquele homem à sua frente todos os dias, e assim voltou ao desespero. O estado de saúde de sua mãe agravava-se, deixando-a impotente perante a ideia de ficar sozinha, mais sozinha do que já estava.

Naquele dia, completamente desajustada nas emoções, no meio de um jardim onde esperava encontrar alguma paz e discernimento, deixou-se cair no chão com as pernas cruzadas, apoiou os cotovelos nos joelhos e a cabeça nas mãos entrelaçadas e finalmente deixou as lágrimas correrem. Quem sabe se com as lágrimas não sairiam também dores, tristezas e amarguras?

Ao mesmo tempo o céu, talvez em solidariedade, mandou as nuvens chorar também.

Cecília olhou para cima, sentiu gotas de água a cair-lhe na cara, sorriu, agradeceu e sentiu-se acompanhada.

Uma brisa

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Março 15, 2024

imsilva

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Uma brisa

Quando uma brisa morna passa por mim, fecho os olhos e beijo-a.

Agradeço o seu suave toque e a tranquilidade que me inunda o ser.

Os aromas inebriantes, que me traz como bagagem, a flores, a fresco e a terra, limpam-me a alma e fazem-me acreditar.

Abro os olhos e vejo fios do meu cabelo branco a esvoaçar na minha frente, numa dança sem coreografia certa, mas perfeita e suave.

Deixo-me embalar por uma melodia inexistente, e pelos raios de sol que a acompanham, completando a perfeição do bailado.

Uma brisa só, é suficiente para uns momentos de felicidade.

 

Gata em lareira fria

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Março 01, 2024

imsilva

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Este post estava destinado a ser algo poético inspirado pela bela Angie, que posando na lareira, obrigou-me a tirar esta fotografia. Mas, na vida nada está definido ou programado (por muito que pensemos que sim), e houve uma conversa que me deixou inquieta. 

O ser humano e as suas inquietudes, poderia ser o título, mas o que já estava programado pareceu-me o indicado para a foto e não quis mudar.

A vida é curta, hoje sei disso. Quando somos jovens não parece, mas à medida que os anos vão passando apercebemo-nos que é tudo muito rápido. A conclusão a que chego é que não vale a pena tantos sonhos e projectos, a vida dá-nos a volta com uma pinta bruta. Tentemos viver com calma, sem grandes alaridos, protegendo os nossos direitos à nossa quota parte de momentos felizes, à nossa dose de sonhos e desejos concretizáveis, e usufruindo da oferta de um sítio onde se vêm coisas lindas chamadas coisas da natureza. Creio haver poucas coisas mais perfeitas e que dêem tanta felicidade e bem estar como as estrelas, um pôr do sol, uma lua brilhante no meio de veludo escuro, um mar onde ondas se pavoneiam para a frente e para trás, um dia calmas e no outro zangadas, flores de milhentas cores, aromas e formas, árvores de diversos formatos e tamanhos que nos fornecem oxigénio, que ainda nos dão perspectivas de várias cores segundo a estação em que estamos. Todas estas coisas estão aí, ao alcance de quem quiser perder (ou ganhar) algum tempo a saborear. Não é difícil ter momentos felizes sem ter de ir às Maldivas ou ao Hawai.

Mas as mentes dos seres humanos não são todas iguais nem coisa que se pareça. Esqueçam a ideia de que compreendemos os problemas dos outros, que os nossos conselhos são bem vindos, e que conseguimos ver o panorama todo.

Pronto, creio que a gata em lareira fria até fica bem aqui. Porque é assim que algumas pessoas se sentem sem que possamos ajudar.

 

Fevereiro 28, 2024

imsilva

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POEMA - A procura

Cora Coralina

"Andei pelos caminhos da Vida.
Caminhei pelas ruas do Destino –
Procurando meu signo.
Bati na porta da Fortuna,
Mandou dizer que não estava.
Bati na porta da Fama,
Falou que não podia atender.
Procurei a casa da Felicidade,
A vizinha da frente me informou
Que ela tinha se mudado
Sem deixar novo endereço.
Procurei a morada da Fortaleza.
Ela me fez entrar: deu-me veste nova,
Perfumou-me os cabelos,
Fez-me beber de seu vinho.
Acertei o meu caminho."

 

Fevereiro 21, 2024

imsilva

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Sinto o despertar a chegar devagarinho, mas não quero.

Levanto uma pálpebra a medo e vejo a luz do dia,

imediatamente torno a fechá-la e acomodo-me em concha

qual feto no ventre de uma mãe

na cama quente, debaixo da roupa

que me protege do mundo lá fora.

Se eu pudesse ficar aqui num casulo protector,

imaginando-me fora do mundo, fora da dor

só dormindo, com bonitos sonhos

sem ver as cores feias da vida acontecendo em horror. 

 

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