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pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

28.05.21

Parar? Como?


imsilva

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A nossa lua no dia 26 de Maio

 

Quando a vida parece 4 paredes a fecharem-se à nossa volta

Quando parece que falta o ar

Quando a raiva grita e a alma chora

Quando o entendimento embota e não entende

Quando o desespero se sente desesperado, mas não desespera...

porque não pode

Parar?

Parar como?

Dizem que parar é morrer

Dizem que para não morrer, é preciso parar...

 

Um dia de cansaço, isso passa...

 

 

07.05.21

Desafio de escrita 3.0 - Tema 1

Foi o que ouvi


imsilva

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Ouvi a vida rolar e a acontecer. Alguém me disse que ia ser fácil para todos, que os sorrisos iriam soltar-se quais pardais ao fim da tarde. Que tudo estava bem, que tudo estava no sítio. Que parvoíce...

Alguém disse que a bondade andava à solta, sem rédeas nem empecilhos. Que todos os homens seriam felizes, sem angustias nem tristezas. Que imaginação...

Afinal quem fala não sabe o que diz, quem fala diz o que lhe apetece, o que provavelmente queria que fosse...mas não é. Que tristeza...

Vejo ao longe as nuvens a passar, e muitas cores, azuis, brancos, cinzentos, e o dourado do rei sol. e isso é a vida, a que conhecemos, a que amamos, não a que nos contam, a que ouvimos algures. E que bonita que ela é...

 

Texto no âmbito do novo Desafio dos pássaros Desta vez a 3 ° temporada. Quem se quiser atrever, espreite.

09.03.21

O melhor ano da minha vida


imsilva

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Será possível termos um melhor ano?

Para fazer este exercício, terei de separar as águas.

Creio haver os melhores momentos da nossa vida, quando concretizámos aquela viagem, quando casamos com o nosso amor, quando conseguimos aquele objectivo que tanto ansiávamos, quando nascem os filhos, e tenho na memória pedaços de felicidade tão simples como uma deslocação de carro, já noite, com os filhos a dormir no banco de trás, e sentir que estava tudo bem, tudo no sítio em que devia estar.

Mas se tiver que escolher um ano, talvez escolha o ano do namoro (que sério, foi só um). 

O ano em que tudo parece possível, em que o coração parece que rebenta, em que o sorriso na cara é constante, em que todos os sonhos do mundo parecem estar ali à mão.

Depois tornámo-nos adultos com responsabilidades, com preocupações, mesmo que intervaladas pelos melhores momentos do mundo, e fica para trás aquela bela altura em que não há inquietações que nos toquem, que nos incomodem, porque éramos livres, porque nos achávamos invencíveis e donos das nossas vontades. 

Sim, definitivamente, (não me crucifiquem) o ano de namoro!

 

Este texto faz parte de mais um desafio de escrita da nossa abelhinha Ana de Deus

23.02.21

Respirar


imsilva

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Fecho os olhos e deixo escorregar o livro das minhas mãos para o meu colo, onde fica sossegado.

Escuto pássaros a palrar, a piar nos beirais dos telhados, seguramente a dizerem mal de alguns vizinhos.

Há um martelo que se houve ao longe, bate levemente a consertar algo que estaria fora do sítio certamente.

Cães ladram de vários quintais, será o carteiro que está de passagem e como sempre, sem se entender muito bem porquê, sentem-se incomodados.

O sol banha todo o espaço e aquece-me o corpo e a alma.

Inspiro e expiro devagar. Sinto o ar fresco e puro a invadir-me, sinto uma calma que sei passageira, por isso respiro fundo uma vez mais, para a aproveitar.

Quando abro os olhos vejo um céu azul, e a vida à espera de vez, à espera de acontecer. e eu...vou ao seu encontro.

08.01.21

Uma casa, uma vida


imsilva

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A lareira estava apagada, triste, cinzenta, e o frio entrava pelas frinchas da porta e da janela.

Mas não se podia gastar a pouca lenha que havia e que tão necessária era à hora da janta, em que se cozia umas batatas e umas couves sobreviventes das geadas que ocorriam naquela altura do ano.

A casa era pequenina, só com duas habitações, a cozinha onde estava a mesa em que tudo acontecia, e o quarto com duas camas  onde todos se conseguiam aninhar, os pais e os três filhos.

O Natal tinha passado sem que dele dessem conta. Não havia festividades que entrassem naquele frio lar, onde tudo era escasso.

Nem sempre tinha sido assim, o pai sempre tinha trabalhado, ou nisto ou naquilo, os vizinhos chamavam-no para vários serviços a que ele acudia prazeroso. A mãe ajudava as senhoras das casas grandes nos seus afazeres domésticos, e nos tratamentos da roupa.

Mas agora, não havia quase vizinhos, restavam o Sr. Aurélio e a D.Gertrudes que se recusavam  a ir para casa dos filhos, e deixarem as suas raízes e a casa onde tinham criado os seus cinco filhos, mas que não deixaram de lhes dizer que eles sendo muito mais novos deveriam deixar a aldeia e ir em busca de outra vida, que a idade era outra coisa e enquanto os dois fossem vivos não tinham ensejo de sair para lado algum, que quando um faltasse, talvez...

Também as casas grandes já jaziam fechadas, embrulhadas em hera e outras ervas trepadeiras que quase tapavam as fachadas.

Os últimos tempos tinham sido conturbados. Ouviram falar de revoluções, de cravos e de mudanças de governantes, de reformas agrárias e de cooperativas, mas disso eles pouco ou nada percebiam. Só sabiam que as pessoas tinham deixado as suas vidas lá na terra, e tinham corrido atrás de promessas de melhores vidas nas cidades. Alguns havia que pareciam fugir de alguma coisa. Segundo diziam, lá na cidade era tudo mais fácil, que tudo estava à distância de dois passos.

Mas eles não quiseram sair do seu canto, da terra que amavam. Temiam as multidões, as modernices de que ouviam falar mas que não entendiam.

E os filhos cresciam, e os pais começavam a perceber que o seu futuro talvez não estivesse ali, que estava na altura de irem para uma escola aprender algo mais do que os pais tinham aprendido. Que talvez se pudessem preparar para algo mais , sem ser a luta diária que a terra dava para se viver. Mas depressa esqueciam tais dilemas quando voltavam à labuta diária, por pouco que esta rendesse.

Ao fim do dia, depois da parca refeição, olhavam um para o outro. Não estando habituados a conversar sobre a vida, ou não sabendo como fazê-lo, tentavam adivinhar o que o outro sentia, e assim iam vivendo.  

Quando o filho mais pequeno apareceu uma manhã com febres altas e completamente prostrado, foi quando decidiram que ali não faziam nada, que ali ficariam todos enterrados se não tomassem as decisões certas, isto se não fosse já demasiado tarde.

E acabou por chegar o dia em que fecharam a porta de casa, e com a claridade do dia a surgir por detrás do monte, fizeram-se ao caminho com os seus poucos haveres, o coração encolhido e a alma aberta para o que a vida lhes quisesse ofertar na linha do horizonte que viam à sua frente.

03.12.20

As palavras de Joaquim Pessoa


imsilva

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POEMA VIGÉSIMO SÉTIMO

A vida. Com que palavras a dizes ou
a negas? Com que palavras te entregas?
Nasceste do ovo azul da linguagem,
essa que te beijou a pele e beijará teus olhos.

A tua voz é a voz das palavras. Mas já foi
a voz dos frutos e do chão. Das espigas
e das rosas. A que um dia poisou na fala
e se derrama agora na solidão da página.

A vida continua a torturar-te com palavras
acendendo fogueiras, encenando novos
autos de fé, finos rastos de fria dignidade.

É feito de pedacinhos de sílabas o teu rosto.
São restos de poemas, dor que ainda sorri
à luz que acena dentro dos abraços.

JOAQUIM PESSOA, in GUARDAR O FOGO

 

 

13.11.20

Desafio passa-palavra #8 Amor


imsilva

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Amor é...

Ele levanta-se devagar e com cuidado, avança pelo corredor até à cozinha.

Ela está a mexer na panela que está ao lume com uma colher de pau. O cabelo é ralo e muito branco, as costas estão dobradas, certamente com o peso de uma vida com muitos anos.

Ele com o cabelo tão branco como o dela, e com as pernas que nem sempre obedecem às suas ordens, aproxima-se e põe-lhe carinhosamente a mão na cintura.

Ela volta-se com um carinhoso sorriso e diz-lhe que a sopa está quase pronta.

Dez minutos depois, estão os dois sentados à pequena mesa da cozinha, a degustar a sopa que ela fez com tanto amor e dedicação. A sopa que ela sabe que ele gosta, com a hortaliça que ele prefere.

Mais tarde irão sentar-se no sofá, quase tão velhinho como eles, da sua confortável sala a ver a sua novela da noite. Sentados muito juntinhos com a manta por cima das suas pernas, de mão dada.

Depois irão deitar-se, desejarão boa noite um ao outro, e interiormente cada um desejará adormecer o sono final, assim que o outro o fizer.

 

 

Foi com muito amor pela escrita que participei neste desafio da Mula e da Mel. Chegou ao fim, qualquer dia aparecerá outro.

Obrigada meninas e parabéns.

 

 

05.11.20

As palavras dos outros II


imsilva

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“Se pudesse voltar a viver a minha vida,

Da próxima vez gostava de fazer mais erros.

Descontraía. Faria mais disparates.

Levaria menos coisas a sério.

Corria mais riscos. Acreditava mais.

Subia mais montanhas e nadava em mais rios.

Convidava os amigos mesmo que tivesse nódoas na carpete,

Usava a vela em forma de rosa antes de ela se estragar no armário,

Sentava-me na relva com os meus filhos

sem me preocupar com as manchas verdes na roupa.

Tinha rido e chorado menos em frente da televisão

e mais em frente da vida.

Tinha contado mais anedotas e visto o lado cómico das coisas.

Tinha descoberto menos dramas em cada esquina,

e inventado mais aventuras.

Se calhar, tinha mais problemas reais,

Mas menos problemas imaginários.

É que, sabem, sou uma dessas pessoas que vive com sensibilidade

E sanidade hora após hora, dia após dia.

Oh, tive os meus momentos,

e se pudesse fazer tudo de novo, outra vez,

tinha muitos mais.

De facto, não tentaria mais nada.

Apenas momentos, uns após outros,

em vez de viver tantos anos à frente de cada dia.

Fui uma dessas pessoas que nunca foi a lado nenhum sem um termómetro,

Botija de água quente, casaco para a chuva e pára-quedas.

Se pudesse fazer tudo outra vez, viajava mais leve do que viajei.

Se tivesse a minha vida para viver de novo,

começava mais cedo a andar descalça na Primavera,

e ficava sempre assim, mesmo mais tarde, no Outono.

Ia a mais bailes.

Cantava muitas mais canções.

Diria muitos mais «amo-te» e «desculpa».

E apanharia mais papoilas."

 

Da escritora americana Nadine Stair.
Aos 85 anos, escreve este poema.

04.11.20

Amor do coração


imsilva

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Há 7 anos, deitamo-nos as 5 horas da manhã. Sabes porquê? Ficamos no corredor do hospital à espera de ver a tua carinha.

E quando passaste nos braços da tua mãe, deitados ambos numa cama andante, por aquele corredor, uma nova luz surgiu nas nossas vidas.

Foi a continuidade a acontecer

Foi a vida a renovar

Foi o coração a alvoroçar

Para o resto das nossas vidas

Meu menino dos olhos grandes

19.10.20

A vida é criticável?


imsilva

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Será a vida criticável?

Durante o caminho que se faz, passos que são dados por ruas, avenidas, largos, travessas, becos, pelos cruzamentos que se nos apresentam pela frente, serão as decisões tomadas, passíveis de criticas?

Quando fazemos o nosso melhor, quando damos passos em frente e depois temos a coragem de retroceder, ou a capacidade de atravessar o rio a nado para alcançarmos a outra margem, não seremos dignos de admiração?

A vida é uma sacana que se nos apresenta de uma maneira, quando o que ela quer é ser tratada de outra. E nós temos de adivinha-la.

Já dizia o outro " Quando julgas que tens as respostas, vem a vida e muda-te as perguntas".

Todos os dias é uma luta para ultrapassar obstáculos, para deslindarmos enigmas, para nos desenvencilharmos de pesos mortos, para alcançarmos aquele objectivo que nos vai fazer sorrir e viver melhor, e que nos vai fazer sentir que vale a pena a caminhada.

E quando algo corre mal, quando o imprevisto acontece, poderemos ser culpados ou a culpada terá sido a vida?

A vida é uma batalha todos os dias. Por isso não vale a pena vivê-la com críticas, com amuos, com rancores.

Será a vida criticável? Não, não creio, a vida será entendível.