Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

pessoas e coisas da vida

pessoas e coisas da vida

23.07.21

Pessoas


imsilva

c4b7fb06164ef6c56efda47b49f18c5a.jpg

 

As pessoas sensíveis têm o coração sempre despenteado, a alma de cabeça para baixo, os olhos arregalados, uma lágrima prestes a cair, um sorriso pendurado nos lábios pronto a explodir.
.
Vivem a flutuar sob as alegrias e tristezas da vida.
.
Não são perfeitas, na verdade, às vezes são mesmo auto-destrutivas, pois respiram pelo peito, nunca pelos pulmões, vivem mil minutos por hora.
.
Sabem sorrir por pouco, chorar por nada e parar maravilhadas diante de um arco-íris, sorrir a um gato, olhar para o mar e sentir nele um infinito de paz e de tormento.
.
Sabem transformar areia em pó de estrelas, acender um sonho no escuro.
.
Pessoas sensíveis sentam-se à margem à espera do momento certo para te dar aquele abraço que estavas à espera.
.
Sabem ver além da aparência, mais do que um sorriso, uma lágrima, ver além da raiva, além da dor, porque vivem de coração.
.
Silvana Stremiz

27.04.21

As palavras de Whitman


imsilva

FB_IMG_1616764138183.jpg

"Não deixes que termine o dia sem teres crescido um pouco,
sem teres sido feliz, sem teres aumentado os teus sonhos.
Não te deixes vencer pelo desalento.
Não permitas que alguém retire o direito de te expressares,
que é quase um dever.
Não abandones as ânsias de fazer da tua vida algo extraordinário.
Não deixes de acreditar que as palavras e a poesia podem mudar o mundo.
Aconteça o que acontecer a nossa essência ficará intacta.
Somos seres cheios de paixão.
A vida é deserto e oásis.
Derruba-nos, ensina-nos, converte-nos em protagonistas de nossa própria história.
Ainda que o vento sopre contra, a poderosa obra continua:
tu podes tocar uma estrofe.
Não deixes nunca de sonhar, porque os sonhos tornam o homem livre."

Walt Whitman  1819 - 1892

22.03.21

Eu quero, mas não posso ou será que posso , mas não quero


imsilva

e0f40424d17441932f750684fee37d9d.jpg

 

Quando se é de uma geração e de um sítio pequeno, quando só se saía de casa para casar, muita coisa ficou por fazer e viver.

Coisas que hoje são dados adquiridos das novas gerações, mas não na minha. Houve realmente quem o fizesse, mas era uma minoria nem sempre bem vista. Se o poderia ter feito? sim, poderia, mas faltou incentivo e provas de que havia vida fora dalí.

Fiz o que quis, casei porque quis, tive os filhos porque quis, e não voltaria atrás.

Tanto o meu marido como eu, crescemos com o pensamento em que o importante era trabalhar, ganhar um ordenado. E nós, obedecemos porque eramos comodistas e à nossa volta era assim que se vivia.

Quando a vida foi acontecendo, fomos fazendo as nossas escolhas e fomos tomando as nossas decisões, porque podíamos. E correram bem.

Hoje quero (queremos), mas existem responsabilidades que ainda não permitem, seguir o caminho que saberia bem, o que acreditamos que merecemos.

Hoje, talvez pudesse (pudessemos) sair, descobrir, ter a indepêndencia que nos falta depois de anos de trabalho, de horários que não lembram a ninguém, de uma vida a trabalhar quando todos os outros se divertem. 

E é isso que tenho que tentar fazer, comprar um pacotinho de coragem na farmácia, para soltar amarras e acreditar que agora é o meu (nosso) tempo. Que agora sou eu (nós) que vamos andar para a frente em termos de lazer, em termos de liberdade, que somos capazes de ir, sem olhar para trás, sem olhar para quem cá fica.

Mas, são pais, são filhos, são netos, e por isso é tão díficil, por isso eu digo, será que quero? Talvez tenha que aprender a querer.

 

Participação no Passatempo da Fátima

 

05.11.20

As palavras dos outros II


imsilva

d3758e43dff3322d4865e2b5c0c45b9c.jpg

 

“Se pudesse voltar a viver a minha vida,

Da próxima vez gostava de fazer mais erros.

Descontraía. Faria mais disparates.

Levaria menos coisas a sério.

Corria mais riscos. Acreditava mais.

Subia mais montanhas e nadava em mais rios.

Convidava os amigos mesmo que tivesse nódoas na carpete,

Usava a vela em forma de rosa antes de ela se estragar no armário,

Sentava-me na relva com os meus filhos

sem me preocupar com as manchas verdes na roupa.

Tinha rido e chorado menos em frente da televisão

e mais em frente da vida.

Tinha contado mais anedotas e visto o lado cómico das coisas.

Tinha descoberto menos dramas em cada esquina,

e inventado mais aventuras.

Se calhar, tinha mais problemas reais,

Mas menos problemas imaginários.

É que, sabem, sou uma dessas pessoas que vive com sensibilidade

E sanidade hora após hora, dia após dia.

Oh, tive os meus momentos,

e se pudesse fazer tudo de novo, outra vez,

tinha muitos mais.

De facto, não tentaria mais nada.

Apenas momentos, uns após outros,

em vez de viver tantos anos à frente de cada dia.

Fui uma dessas pessoas que nunca foi a lado nenhum sem um termómetro,

Botija de água quente, casaco para a chuva e pára-quedas.

Se pudesse fazer tudo outra vez, viajava mais leve do que viajei.

Se tivesse a minha vida para viver de novo,

começava mais cedo a andar descalça na Primavera,

e ficava sempre assim, mesmo mais tarde, no Outono.

Ia a mais bailes.

Cantava muitas mais canções.

Diria muitos mais «amo-te» e «desculpa».

E apanharia mais papoilas."

 

Da escritora americana Nadine Stair.
Aos 85 anos, escreve este poema.